Copa do Mundo

FIFPro estuda criação de fundo para apoiar famílias dos operários mortos nas obras da Copa de 2022

As estimativas apontam que cerca de 6,5 mil trabalhadores imigrantes faleceram nas obras relativas à Copa de 2022

A FIFPro é a organização que representa jogadores profissionais em 64 países do mundo e tem um peso grande junto à Fifa. Na última semana, a entidade analisou um plano para apoiar as famílias dos trabalhadores da construção civil que morreram nas obras dos estádios da Copa do Mundo de 2022. O projeto apresentado visa criar um fundo de apoio a parentes desses operários imigrantes que faleceram no Catar. São estimados 6,5 mil óbitos relativos ao Mundial, muitos deles por acidentes, mas também pelo calor extremo, pelas condições precárias e por suicídio. Também existem registros de diferentes problemas de saúde relativos a esses trabalhadores, submetidos a situações extremas.

A ideia do projeto partiu da associação que representa os jogadores profissionais na Holanda, após se reunir com a federação local e com a FIFPro, para que se posicionassem sobre as condições de trabalho no Catar. A entidade também fez um apelo à Fifa. Ainda não está clara qual a posição do governo do Catar e da organização da Copa do Mundo sobre a criação do fundo.

O projeto foi desenvolvido pelo presidente da associação de jogadores da Holanda, Evgeniy Levchenko, assim como por Willem van Genugten, professor emérito em direito internacional. Na última semana, com o plano traçado, ocorreu uma reunião com a direção da FIFPro. As discussões se seguirão em janeiro. A intenção é que o Catar e a Fifa banquem parte significativa do fundo, num valor estimado em €440 milhões. Outras organizações e empresas ligadas ao torneio também seriam convidadas a contribuir.

Conforme o jornal The Guardian, a maior parcela dos operários que trabalham nas obras da Copa do Mundo vem de países como Índia, Paquistão, Nepal, Bangladesh e Sri Lanka. Também há migrantes de outras regiões, como a África e o Sudeste Asiático. No último ano, a Organização Internacional do Trabalho registrou 50 acidentes fatais nos estádios do Catar, mas acredita-se que o número seja maior, com registros deficientes. Entre outras questões, o jornal The Times reportou o aumento de problemas de saúde de trabalhadores que retornaram do Catar aos seus países, sobretudo relativos a doenças renais e vasculares causadas pela exposição ao calor, à desnutrição e à falta de hidratação.

Cabe dizer que o fundo de apoio às famílias dos operários mortos é importante, mas não reduz a negligência que existiu de diversos organismos internacionais e da própria Fifa em relação às condições de trabalho no Catar. Mesmo com denúncias sistemáticas sobre os problemas, pouco foi exigido do governo e do comitê organizador. Além do fundo, fica difícil de esperar uma melhora real das condições de trabalhadores migrantes no país e em outros locais com a mesma política.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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