Fifa soma mais escândalos com ingressos para a Copa do Mundo e revolta torcedores
Rede de Torcedores com Deficiência e Inclusão enviou uma carta para a Fifa pedindo revisão do preço dos ingressos para a Copa
O preço dos ingressos para a Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, México e Canadá, seguem gerando polêmica. Agora, a Fifa foi acusada de impor preços “extremos” a torcedores com deficiência. A acusação foi feita pela Rede de Torcedores com Deficiência e Inclusão da Football Supporters Europe (FSE) e divulgada pelo “The Athletic”.
Em uma carta escrita nesta terça-feira (16) e tendo como destinatário o presidente da Fifa, Gianni Infantino, a entidade criticou a Federação Internacional de Futebol e também os valores das entradas para pessoas com deficiência.
A FSE também pediu que a Fifa reduza os valores e permita a entrada gratuita de acompanhantes. Além de dialogar com os torcedores para “garantir que as políticas de ingressos sejam justas, inclusivas e alinhadas com a experiência vivida”.
Ingressos para deficientes não são disponibilizados para todos os setores
Atualmente, os ingressos para os jogos da Copa do Mundo foram divididos em quatro categorias, que variam de preço.
- Categoria 1: Ingressos mais caros e que permitem ao torcedor ficar localizado em qualquer lugar na arquibancada inferior ou do segundo andar em um estádio da NFL;
- Categoria 2: Ingressos que permitem ao torcedor ficar no segundo andar superior, ao longo da lateral do campo;
- Categoria 3: Ingressos permitem que os torcedores fiquem no andar superior, atrás da linha de fundo;
- Categoria 4: Ingressos mais em conta, mais distantes do campo e permitem ao torcedor ficar em pequenas seções de canto, no andar superior.
No entanto, segundo a denúncia da FSE, ingressos para pessoas com deficiência não estariam sendo comercializados na categoria 4, apenas nas outras que são mais caras. Por isso, torcedores que busquem acessibilidade, teriam que pagar entre 140 e 450 dólares (R$765 e R$2460) por um ingresso na fase de grupos.

— Pessoas com deficiência em todo o mundo, frequentemente enfrentam custos adicionais e inevitáveis relacionados à deficiência, incluindo transporte acessível, acomodação, equipamentos e assistência pessoal. Os preços exorbitantes dos ingressos, portanto, criam uma barreira significativa à participação no que deveria ser uma celebração global do futebol — escreveu a FSE na carta enviada a Fifa.
Já para a final da competição, o ingresso para pessoas com deficiência custaria 4185 dólares (R$22.879), algo considerado “sem precedentes” pela Rede de Torcedores.
Além dos pontos já citados, o grupo também pontuou a questão de revendas. Eles alegam que ingressos de acessibilidade já podem ser encontrados em plataformas de revenda, podendo custar até seis vezes mais que o original.
— Isto cria um risco significativo de uso indevido e exploração. Estes ingressos já estão aparecendo na plataforma de revenda da FIFA a preços que excedem em mais de seis vezes o seu valor original. Essa situação prejudica o propósito dos Ingressos de Acessibilidade e corre o risco de excluir ainda mais os torcedores com deficiência do acesso ao torneio — afirmou.
Em comparação, os ingressos para pessoas deficientes na Copa do Mundo do Catar custavam 11,77 dólares (R$64, aproximadamente), e incluíam uma entrada gratuita para um acompanhante. O direito a entrada extra não existe para o Mundial de 2026.
— Para muitos torcedores com deficiência, ir a uma partida sem um acompanhante não é uma escolha, mas uma impossibilidade. Acompanhantes não são extras opcionais ou serviços premium; são uma adaptação razoável que permite aos torcedores com deficiência acessar o estádio com segurança e dignidade — disse a FSE.
— Cobrar pelos acompanhantes efetivamente dobra o custo da entrada e corre o risco de excluir uma grande parcela de torcedores com deficiência da Copa do Mundo. Na realidade, trata-se de um algo injusto que a FIFA está impondo às pessoas com deficiência, deixando-as com apenas duas opções: pagar o dobro ou ficar em casa — completou.

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FSE não é a única a reclamar
A Rede de Torcedores com Deficiência e Inclusão da Football Supporters Europe não é a única a reclamar do preço dos ingressos. Nos últimos dias, a Associação de Torcedores de Futebol (FSA, na sigla em inglês) se juntou a FSE para pressionar a Fifa sobre o valor absurdo das entradas para torcedores ingleses.
— Apoiamos a Football Supporters Europe em seu apelo pela suspensão da venda de ingressos e pedimos à Federação Inglesa de Futebol (FA) que trabalhe com as demais federações para contestar diretamente esses preços abusivos. Apelamos a todas as federações nacionais para defenderem os seus torcedores, sem os quais não haveria futebol profissional — afirmou a FSA, em comunicado.
Na última quinta-feira (11), a Fifa divulgou detalhes das vendas dos ingressos e os valores estipulados geraram revolta. Para os jogos de Inglaterra x Croácia e Escócia x Brasil, válidos pela fase de grupos, por exemplo, os ingressos variam entre 198 e 523 libras (R$1.428,58 e R$3.773,48).
Fifa tenta baratear ingressos, mas não deve ser suficiente
Em meio às polêmicas sobre os valores dos ingressos para a Copa do Mundo, a Fifa ajustou suas categorias e oferecerá cerca de 1.000 ingressos por jogo a US$ 60 (R$ 328, na cotação atual).
A modalidade surgiu após outro escândalo ser criado entre as categorias. Na ocasião, os “ingressos para torcedores” — reservados para os fãs mais dedicados das seleções participantes — passaram a ter o mesmo preço dos ingressos comuns disponíveis para o público em geral.
A “oferta” da entidade do futebol fazia com que um ingresso padrão de “Categoria 1” para um jogo Inglaterra x Croácia, por exemplo, custasse US$ 700, e um ingresso “Premium para Torcedores” também valeria US$ 700.
Segundo o “The Athletic”, havia ainda um ingresso “Padrão para Torcedores”, equivalente à Categoria 2, com preço de US$ 500 (R$ 2.734) para os jogos mais concorridos da fase de grupos), e um ingresso “Valor para Torcedores”, com o mesmo preço da Categoria 3, no valor de US$ 265 (cerca de R$ 1.449) para os jogos da fase de grupos.

Ainda segundo o periódico, para cada jogo, cada equipe recebe oito por cento do total de ingressos disponíveis. O plano inicial era que metade desses ingressos fosse vendido na categoria “econômica”, sendo a outra metade dividida entre as categorias “padrão” e “premium”.
Isso significaria que seriam comercializados cerca de 1.000 ingressos por jogo, número desproporcional à quantidade de torcedores esperados para uma partida de Copa e levando em consideração que a maioria dos 16 estádios da Copa do Mundo nos Estados Unidos, Canadá e México comporta mais de 60.000 torcedores.
O “The Athletic” também informou que o setor de entrada é semelhante aos ingressos da Categoria 4 vendidos ao público em geral nas duas primeiras fases de vendas, vendidos a US$ 60 para alguns jogos da fase de grupos e que, no mapa dos estádios, estavam em pequenos pedaços das seções de canto da arquibancada superior ou os assentos mais distantes do campo.
Vale ressaltar que ainda não ficou claro quantos assentos por partida serão efetivamente vendidos aos fãs, mas que nas demais categorias, os preços permanecem inalterados.
— Isso demonstra que a política de ingressos da Fifa não é definitiva, foi decidida às pressas e sem a devida consulta. Com base nas alocações disponíveis publicamente, na melhor das hipóteses algumas centenas de torcedores por partida teriam a sorte de aproveitar os preços de US$ 60, enquanto a grande maioria ainda teria que pagar preços exorbitantes, muito mais altos do que em qualquer torneio anterior — afirmou o grupo de torcedores Football Supporters Europe.
Já a Fifa afirmou em comunicado que a nova categoria de US$ 60 foi criada para que “se torne mais acessível acompanhar seus times no maior palco do futebol”.



