Copa do Mundo

Em jogo que valeu pela honra, a Tunísia venceu, prêmio às suas dignas atuações na Copa

Em suas últimas participações na Copa do Mundo, a Tunísia ficou marcada por um time pragmático e limitado. Não venceu um jogo sequer, apesar de estar sempre presente entre 1998 e 2006. A equipe que recolocou o país no mapa dos Mundiais também não passa de fase, mas experimenta a vitória que não acontecia desde a histórica participação em 1978. E, mais marcante ainda, com um estilo de jogo técnico, de bom toque de bola e tramas bem construídas no ataque. Se os magrebinos fizeram a Inglaterra suar na estreia, ficaram com suas deficiências defensivas expostas no segundo compromisso, contra a Bélgica. Por fim, encerraram a campanha batendo o Panamá por 2 a 1, em partida bastante disputada.

Tunísia e Panamá, afinal, se não entraram em campo pela classificação, estavam ali pela honra. E buscaram o jogo durante o tempo todo. As duas equipes balançaram as redes e criaram boas oportunidades, exigindo defesas dos goleiros. Entretanto, pesou a qualidade dos tunisianos nos passes, em duas boas jogadas que resultaram na vitória de virada. Os panamenhos pressionaram no fim e, acredite, o duelo teve até mesmo seus atritos, com desentendimentos entre os dois oponentes. As Águias de Cartago celebram uma vitória que ao menos serve de reconhecimento ao desempenho digno na Rússia.

Depois de um início equilibrado, domínio da Tunísia

O jogo entre os eliminados do Grupo G pode não ter oferecido o melhor nível, mas foi animado. O início da partida viu duas equipes procurando o gol, ainda que o Panamá dependesse mais das bolas paradas. A vontade de ambos os times era evidente. Mas, aos poucos, a Tunísia passou a distribuir as cartas. Tinha mais posse de bola e rondava a meta panamenha. Faltava caprichar um pouco mais nas conclusões, entre erros no passe final e nos arremates. O goleiro Jaime Penedo, inclusive, fez uma boa defesa em cabeçada de Rami Bedoui. Parecia um duelo favorável às Águia de Cartago.

Pressão e gol do Panamá

A partir dos 30 minutos, o Panamá cresceu no jogo. Começou a sair mais ao ataque e, pressionando, conseguiu abrir o placar. O tento saiu aos 32 minutos. O goleiro Aymen Mathlouthi bateu roupa na primeira tentativa e o rebote permaneceu com a Maré Vermelha. Então, a bola veio a José Luis Rodríguez, livre de marcação na entrada da área. O camisa 21 arriscou, a bola bateu em Yassine Meriah e tirou o arqueiro do lance. Muita festa dos panamenhos na comemoração. Antes do intervalo, a Tunísia tentou responder. Foram três boas chegadas. Primeiro, Fakhreddine Ben Youssef errou o alvo por muito pouco. Depois, Wahbi Khazri isolou quando estava em boas condições. Por fim, salvaria Penedo, pegando uma bola difícil de Khazri. No rebote, Román Torres evitou que os adversários aproveitassem o gol aberto e afastou o perigo.

Tunísia volta com tudo ao segundo tempo

Os tunisianos não diminuíram o ritmo na volta do intervalo e começaram buscando o ataque. Logo aos cinco minutos, anotaram o primeiro gol. Foi uma boa trama, com Khazri recebendo livre na direita e cruzando para Ben Youssef apenas empurrar às redes. O centroavante, aliás, poderia ter ampliado. Saiu de frente para o gol minutos depois, mas viu Penedo se agigantar à sua frente, defendendo com a perna. Pouco depois, o Panamá ainda teria que se virar sem o capitão Román Torres, que sentiu lesão e precisou ser substituído.

O susto e a virada da Tunísia

O Panamá teve uma boa chance de marcar o segundo gol aos 17. O goleiro Mathlouthi afastou parcialmente o cruzamento e, na sobra, Édgar Bárcenas encheu o pé. Então, o veterano se jogou em cima da bola e defendeu o rosto. Precisou ser atendido pelos médicos e causou preocupação na comissão técnica, já que as Águias de Cartago perderam outros dois jogadores da posição neste Mundial e não possuíam arqueiro reserva para encarar o Panamá. Logo Mathlouthi se levantou e pôde comemorar a virada de sua equipe. Desta vez, a jogada bem construída nasceu na esquerda, com Oussama Haddadi invadindo a área e cruzando para Khazri apenas completar.

O golaço que não valeu

O fim da partida caiu de ritmo, até a pressão final do Panamá. A Maré Vermelha, inclusive, balançou as redes aos 27 minutos. Bárcenas acertou um chutaço de fora da área e estufou as redes, mas o lance já estava paralisado por uma falta na origem da jogada. O Panamá insistiu no empate e, nos últimos minutos, daria novos sustos. Aos 44, houve um cruzamento que passou por toda a pequena área tunisiana sem que ninguém completasse, embora o bandeira tivesse assinalado o impedimento. Já nos acréscimos, nos últimos suspiros dos panamenhos, Aníbal Godoy pegou mal e mandou para fora, enquanto Bárcenas cobrou uma falta promissora no meio do gol. Tamanha era vontade que ainda houve um desentendimento entre jogadores das duas equipes. A vitória, ainda assim, era da Tunísia.

Ficha técnica

Tunísia 2×1 Panamá

Local: Arena Mordovia, Saransk
Árbitro: Nawaf Shukralla (BAR)
Gols: Yassine Meriah (contra), 33’/1T; Fakhreddine Ben Youssef, 6’/2T; Wahbi Khazri, 21’/2T
Cartões amarelos: Ferjani Sassi, Anice BAdri, Ghilane Chaalali (Tunísia); Ricardo Ávila, Gabriel Gómez (Panamá)
Cartões vermelhos: Nenhum

Tunísia
Aymen Maathlouthi, Nagguez, Bedoui, Meriah, Haddadi. Skhiri; Wahbi Khazri (Bassem Srafi), Chaalali, Ferjani Sassi (Anice Badri), Naim Sliti (Ahmed Khalil); Kakhreddine Ben Youssef. Técnico: Nabil Maaloul.

Panamá
Jaime Penedo, Machado, Román Torres (Luis Tejada), Fidel Escobar, Ovalle; Gabriel Gómez (Harold Cummings); José Rodríguez, Aníbal Godoy, Ricardo Ávila (Abdiel Arroyo), Édgar Bárcenas; Torres. Técnico: Hernán Darío Gómez.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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