Eliminatórias da Copa

Campanha perfeita classifica Inglaterra à Copa do Mundo em meio a ausências e briga com torcida

Ingleses conseguiram vaga de forma invicta e sem sofrer gols

A Inglaterra se tornou a primeira seleção europeia a garantir vaga na Copa do Mundo de 2026, após golear a Letônia por 5 a 0 nas Eliminatórias. O resultado deu o selo ao treinador Thomas Tuchel de dever cumprido em meio à briga com a própria torcida e questionamentos por ausências de craques.

Os Três Leões foram soberanos durante toda a fase, em um grupo que, de certa forma, não apresentava grandes perigos. Os ingleses, inclusive, se classificaram de forma invicta, após enfrentar a Albânia, Letônia, Andorra e Sérvia e sem sofrer gols.

Tuchel ainda teve como trunfo o lendário Harry Kane, que esteve pronto para fazer história e quebrar recordes partida após partida — se tornando o artilheiro da equipe durante a competição–, e contando também com Bukayo Saka que, na ausência ou presença de Kane, também deixou a sua marca durante as eliminatórias.

Os resultados, entretanto, podem ter um sentido até dúbio: o primeiro, de afastar a equipe da piedosa “fama de azarão”, mas o segundo é entender que, de fato, a seleção sequer foi testada em alto nível ao longo de todo o ciclo.

Nas palavras do próprio treinador, “a Inglaterra seria azarão na Copa do Mundo e seria mais forte se não se deixasse levar pelas expectativas, que não seria uma das favoritas e não deve empolgar, já que não vence a Copa do Mundo masculina desde 1966”.

Esta é a primeira vez que Tuchel comanda uma equipe nacional, após grandes conquistas pelo Chelsea, como a Champions League, Supercopa e Mundial de Clubes, ambos em 2021.

Sobre a ausência de Jude Bellingham e Phil Foden, o comandante foi categórico ao afirmar que sua seleção que não busca reunir talentos, mas declarou que deixaria a porta aberta para que os jogadores conquistassem o seu espaço na equipe nacional.

— Acabei de assistir a um documentário sobre o New England Patriots e vi uma citação: ‘Não reunimos os jogadores mais talentosos, nós construímos um time’. Não poderia concordar mais. É isso que estamos tentando fazer –, explicou.

A decisão foi justificada pelo treinador, que detalhou o desejo de manter o grupo que brilhou nos compromissos de setembro, além de destacar que Morgan Rogers o impressionou novamente como camisa 10. 

Inglaterra garante vaga na Copa do Mundo de 2026 (Foto: Imago)
Inglaterra garante vaga na Copa do Mundo de 2026 (Foto: Imago)

Tuchel e a bronca com a torcida da Inglaterra

Se há dualidade nos resultados e nas declarações, as atitudes de Thomas Tuchel não agradaram os torcedores da Inglaterra, que recebeu com estranheza a ausência de Jude Bellingham na convocação.

Ele decidiu não chamar o meia do Real Madrid, alegando que queria manter o grupo que goleou a Sérvia por 5 a 0 no mês passado — e que, pela primeira vez, teria encontrado “harmonia e identidade”.

A justificativa, no entanto, não convenceu torcida e imprensa britânica. Dois dias antes, Bellingham havia sido eleito Jogador do Ano da Inglaterra. Além disso, já disputou os últimos cinco jogos pelo Real Madrid, em plena forma física após a cirurgia no ombro.

Para o jornal inglês “Standard”, o técnico alemão estaria criando um problema desnecessário para si com o grupo ao tomar “decisões falhas e controversas”. 

Thomas Tuchel, técnico da seleção inglesa
Thomas Tuchel, técnico da seleção inglesa (Foto: Imago)

A desaprovação também veio em forma de “silêncio”, quando o treinador declarou que ficou triste que a Inglaterra não tenha recebido mais apoio da torcida de Wembley durante a vitória por 3 a 0 no amistoso contra o País de Gales.

— O estádio estava silencioso. Não recebemos nenhuma energia das arquibancadas. Fizemos tudo para vencer. O que mais se pode dar em 20 minutos? Não os deixamos escapar. Se você ouvir apenas os torcedores do País de Gales por meia hora, é triste, porque o time merecia mais apoio hoje –, afirmou o comandante inglês.

A declaração resultou em outra resposta, já no duelo contra a Letônia nesta terça-feira. Os ingleses passaram a entoar a resposta “cantamos quando queremos! Thomas Tuchel, cantamos quando queremos! Estamos altos o suficiente?”.

Foto de Carol Guerra

Carol GuerraRedatora de esportes

Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), com passagens pelo Globo Esporte, Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco. Apaixonada por futebol feminino e esportes olímpicos.

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