Eliminatórias da Copa

Diniz assume para si a responsabilidade de um Brasil inofensivo na derrota para o Uruguai

Seleção mal leva perigo ao Uruguai, perde por 2 a 0, e Diniz assume a culpa de tudo isso

Fernando Diniz viu a Seleção perder sob o seu comando uma invencibilidade de 37 jogos pelas Eliminatórias e de 22 anos em duelos com o Uruguai nesta terça-feira (17), no Estádio Centenário. A Seleção jogou pouco, foi inofensiva e perdeu por 2 a 0. Um tropeço expressivo, que deixa marcas. E o treinador assume para si toda a responsabilidade pelo resultado. Este foi o tom da entrevista do treinador após a partida.

“Não foi um bom jogo, e o responsável maior sou eu mesmo” (Fernando Diniz)

O que disse Diniz:

  • Assumiu a responsabilidade pela derrota
  • disse que faltou agressividade à Seleção
  • admitiu que o resultado tem impacto imediato no que vem pela frente
  • tratou a derrota como parte do processo de evolução

Diniz assume responsabilidade

Diniz não mediu palavras para dizer que o mau resultado em solo uruguaio é totalmente sua responsabilidade. Tanto que ele tratou de tirar o peso da saída de Neymar, com um problema no joelho esquerdo ainda no primeiro tempo. De acordo com o treinador, a equipe teve dificuldades de articulação mesmo com a presença do camisa 10 em campo.

– Temos tendência de análise simples para problemas complexos. Se tivesse razão, com Neymar teríamos profundidade, chances criadas. Fomos até levemente melhores no segundo tempo. O time como um todo não foi bem na criação. Jogo foi amarrado, estudado, faltou articulação não por um ou outro, porque o time não soube construir e o principal responsável sou eu. Neymar saiu faltando quatro ou cinco minutos no primeiro tempo e em nenhum momento tivemos articulação, nem finalizamos. Uruguai pouco criou também, foi jogo amarrado. Chutaram uma vez contra nenhum no primeiro, no segundo quatro contra três. Dois gols de falhas que não podemos cometer, dois gols de arremesso lateral. É essa a análise. Não foi um bom jogo e o responsável maior sou eu mesmo – afirmou o treinador.

Faltou agressividade

Em sua análise, o treinador entende que o principal fator para a derrota foi a falta de agressividade da Seleção ao longo dos 90 minutos. Tanto, que o Brasil só ameaçou uma vez, em cobrança de falta de Rodrygo que parou no travessão de Rochet. E nada mais.

– Temos a melhor matéria prima à disposição. Tivemos ideias. Não é que não aconteceram hoje, mas não tivemos agressividade necessária. Uruguai tentou marcar em bloco alto e médio, tentando tirar a posse. Controlamos, mas sem profundidade, faltou ser mais agressivo, empurrar mais o Uruguai. Melhoramos um pouquinho no segundo tempo. Marcação alta e média foi boa, oferecemos pouco contra um bom time. Tínhamos que ser mais agressivos, contundente. Essa sensibilidade vamos adquirir com o tempo. O adversário exigia mais do que a gente produziu, e o trabalho cresce com o tempo. Não foi linear na minha vida toda, que cresce até o topo. É momento de melhorar, aprender e ter time mais acertado para sabermos o que fazer em situações semelhantes – ressaltou.

Impacto da derrota para o futuro

Após sua primeira derrota no cargo, Diniz disse que o impacto do resultado no trabalho é imediato. A Seleção chega agora mais pressionada para os duelos com Colômbia e Argentina. E com a missão de ter uma equipe mais agressiva nas duas partidas.

– Impacto é o que já provoca. Sou uma pessoa que vive o futebol 24 horas por dia. Vou estudar o jogo com profundidade para melhorarmos. Já vi algumas coisas mais fáceis durante o próprio jogo, as outras vamos analisar. Não é algo completamente negativo, faz parte do processo. Fizemos uma partida ruim, e é assim que a gente melhora. Os bons times e melhores pessoas crescem mais na descida. Faltou agressividade hoje, antes faltou concretizar. Foram quatro jogos diferentes até hoje. Vamos procurar corrigir essa falta de agressividade. Circulamos a bola de maneira inocente no jogo – ressaltou.

Seleção pressionada para próxima Data Fifa

Mesmo com a derrota, a Seleção se mantém na vice-liderança, com sete pontos somados nas Eliminatórias da Copa do Mundo. Mas a sequência com dois tropeços cria um ambiente de pressão para o que vem pela frente. A próxima Data Fifa, em novembro, reserva dois duelos complicados para o Brasil. A equipe enfrenta a Colômbia no dia 16, às 21h (horário de Brasília), no Estádio Metropolitano de Barranquilha, e depois tem pela frente o clássico com a Argentina no Maracanã, no dia 21, às 21h30 (de Brasília).

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
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