Por que o estádio de Columbus se tornou uma fortaleza americana contra o México

Às vésperas da partida, jogadores e técnicos trataram de negar que a controvérsia contaminará o ambiente dentro de campo. Ainda assim, o clássico entre Estados Unidos e México terá uma aura diferente nesta sexta, dias após a eleição de Donald Trump. Os discursos extremistas do então candidato soaram como ataque a boa parcela dos imigrantes, sobretudo aos mexicanos, diante da ideia de construir um muro na fronteira entre as nações. Mas, que os jogadores representem cores diferentes, os dois elencos parecem estar do mesmo lado diante do entrave. Afinal, o sangue estrangeiro de pais e avós, inclusive o mexicano, corre nas veias da maioria dos americanos convocados.
Nada garante, porém, que a postura não se manifestará nas arquibancadas. Como ocorre sistematicamente desde as Eliminatórias da Copa de 2002, os Estados Unidos tornaram Columbus sua fortaleza contra o México. Os últimos quatro duelos pelo hexagonal final da competição aconteceram na cidade. Em todas elas, os americanos saíram com a vitória. Escolha óbvia, diante de todos os elementos que envolvem o clássico, em um palco “genuinamente” americano.
O estado de Ohio possui uma das menores porcentagens de população hispânica em seu total de habitantes. Segundo o censo de 2012, apenas 3,3% dos moradores da unidade federativa têm origem latina. É a menor taxa entre os estados que contam com clubes na atual temporada da MLS e também era assim em 2001, quando a sede foi escolhida pela primeira vez. Columbus já tinha a sua cultura de torcida estabelecida, mas distante de atrair tantos latinos às arquibancadas como as cidades da Califórnia, do Texas, da Flórida ou mesmo de Nova York – que, quando recebem o clássico, contam com parcela significativa (às vezes, majoritária) de torcedores mexicanos.
O Estádio Mapfre também tem uma característica importante quando se tenta intimidar um adversário: é um pequeno alçapão. Inaugurado em 1999, nunca comportou mais do que 25 mil torcedores. As arquibancadas são próximas do campo, diferente do que acontece nos gigantescos estádios de futebol americano do país. Auxilia um bocado para colocar pressão. Além disso, sua arquitetura oferece condições climáticas pouco agradáveis a quem não está acostumado. Com o estádio localizado em uma região descampada, o vento costuma vir forte sobre as arquibancadas rebaixadas atrás dos gols. Especialmente no inverno, como naquele primeiro duelo de 2001, a sensação térmica é a de congelamento.
Até a escolha de Columbus, os EUA haviam vencido apenas uma de suas sete partidas como mandante pelas Eliminatórias contra o México. Desde então, a supremacia se tornou notável. As quatro vitórias americanas aconteceram por 2 a 0 no placar. E a tensão até resultou em confusão há sete anos, na campanha rumo ao Mundial de 2010. Na saída dos times para os vestiários, Frankie Hejduk levou um tapa na cara de um membro da comissão técnica mexicana, que interpretou um insulto do jogador americano quando comemorava o resultado.
Nesta sexta, em particular, o sentimento nacionalista estará impregnado em Columbus. E não necessariamente pela vitória de Donald Trump em Ohio, estado onde os democratas eram mais cotados – embora Hilary Clinton tenha triunfado na cidade, especificamente. Afinal, 11 de novembro é o ‘Dia do Veteranos de Guerra’ nos Estados Unidos. Várias ações patrióticas serão feitas em comemoração no Estádio Mapfre. Uma bandeira indo de ponta a ponta do campo será estendida por veteranos durante o hino nacional, enquanto as camisas americanas também terão detalhes especiais. Resta saber se todo este clima surtirá algum efeito em noite já atípica para o clássico.
Nesta quinta, o twitter oficial da seleção americana divulgou um vídeo justamente enaltecendo este caráter da casa do Columbus Crew. Confira:
There’s no place like Columbus. See you tomorrow at @MAPFREStadium. ?️⚽️?? #USAvMEX #USMNT pic.twitter.com/jplyu05m3W
— U.S. Soccer (@ussoccer) 10 de novembro de 2016



