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Oito heróis alternativos do futebol de seleções que poderão brilhar nas Eliminatórias da Oceania

Após seguidos adiamentos, as Eliminatórias da Oceania começam nesta quinta-feira, com um torneio de tiro curto no Catar

A pandemia provocou diversos adiamentos no futebol, mas nenhuma competição foi mais arrastada que as Eliminatórias para a Copa do Mundo na Oceania. Os países da OFC agiram com cuidados extremos diante da situação, para não expor suas populações, com estruturas limitadas, ao risco de contágio. O qualificatório se iniciará apenas nesta quinta-feira, e realizado em campo neutro no Catar para facilitar as medidas sanitárias. Oito equipes entram na disputa, divididas em dois grupos, até que se classifiquem quatro times às semifinais e final em jogos únicos. O campeão disputará a repescagem intercontinental contra o quarto colocado da Concacaf em junho.

Por conta do caráter excepcional da situação, a competição começará antes da Data Fifa. Assim, nem todos os jogadores estão liberados para o início da fase de grupos e quem pode ser atrapalhada por isso é a Nova Zelândia, que não terá estrelas e verá seu elenco limitado pelo menos nas duas primeiras partidas. É o que coloca o favoritismo dos All Whites um pouco mais em xeque, sem margem para manobra. Nova Caledônia e Fiji são ameaças na chave. Já o outro grupo terá Taiti e Ilhas Salomão como candidatos a surpresa.

Abaixo, separamos uma lista de destaques de cada uma das oito seleções dessas Eliminatórias. Jogadores que, em sua maioria, passam longe do estrelato nas grandes ligas do futebol. Mas que, de maneira cíclica, se tornam heróis nacionais e carregam os anseios de seus povos. Vale dizer, também, que o qualificatório da Oceania terá transmissão gratuita para o Brasil através do Elevensports.com.

Winston Reid (Nova Zelândia)

O principal jogador da Nova Zelândia, sem muitas discussões, é Chris Wood. O centroavante do Newcastle está a um gol de se tornar o maior artilheiro da história dos All Whites e costuma centralizar as ações da equipe. Porém, como o início das Eliminatórias não acontece na Data Fifa, ele chegará apenas para o último jogo da fase de grupos. Enquanto isso, a referência é Winston Reid, de 33 anos. O capitão é um dos raros remanescentes da equipe que disputou a Copa do Mundo de 2010 e também esteve presente nas Olimpíadas de 2020 como um dos atletas acima da idade. Já sua carreira profissional se desenvolveu totalmente no exterior. Por ter se mudado à Dinamarca aos dez anos, pôde começar sua trajetória no Midtjylland. Em 2010, o zagueiro transferiu-se ao West Ham e superou as 200 partidas com os londrinos, com momentos importantes na Premier League. Porém, perdeu espaço nos últimos anos e rodou desde 2020 por empréstimos. Esteve no Sporting Kansas City e também no Brentford, auxiliando no acesso à primeira divisão. Só que ficou sem contrato no meio do último ano e, desde então, está sem clube. Ao menos, poderá capitanear toda a campanha dos neozelandeses.

Roy Krishna (Fiji)

A carreira de Roy Krishna não dependeu tanto da seleção para seu reconhecimento. O atacante de 34 anos até começou no futebol de Fiji, mas se transferiu cedo para a Nova Zelândia. Defendeu as principais equipes locais – com passagens mais expressivas por Waitakere United e Wellington Phoenix. Já em 2019, o atleta com origens indianas se transferiu ao ATK Mohun Bagan e virou uma das grandes estrelas da Super League, idolatrado num dos clubes mais tradicionais do país. Isso valorizou sua importância também em Fiji. Convocado desde 2007, Krishna serve de referência nas principais campanhas dos fijianos, incluindo os Jogos Olímpicos de 2016 – quando marcou o único gol do time no torneio. Também passou pela seleção de futsal. São 21 gols e 38 partidas pela seleção, segunda maior marca em ambas as estatísticas.

David Muta (Papua Nova Guiné)

Papua Nova Guiné possui alguns resultados no futebol que tiram o país do mero coadjuvantismo. David Muta teve participação nessas empreitadas. O meio-campista tinha apenas 23 anos na época, mas era o capitão do Hekari United que rompeu o domínio neozelandês e garantiu o título da Champions da Oceania em 2010. Sua carreira por clubes se concentrou por lá, apesar de passagens periódicas por times de Austrália e Ilhas Salomão. Já pela seleção, com 17 jogos disputados, não possui uma trajetória tão longa assim. Apesar disso, foi capitão de Papua Nova Guiné na campanha até a decisão da Copa das Nações da Oceania em 2016 e acabou eleito o melhor jogador do torneio, mesmo com a derrota para a Nova Zelândia na final. Aos 34 anos, permanece com a braçadeira. Outro nome que chama atenção no time é David Browne, de 26 anos, que chegou a atuar profissionalmente na Holanda e hoje figura no ataque do HJK Helsinque.

Bertrand Kaï (Nova Caledônia)

Aos 38 anos, Bertrand Kaï é um sinônimo do futebol de Nova Caledônia. O atacante é o jogador com mais partidas pela seleção, 41, e também o maior artilheiro, com 23 gols. Convocado desde 2008, o craque foi duas vezes vice-campeão da Copa das Nações da Oceania. Já o grande momento veio com o título nos Jogos do Pacífico em 2011, ocasião que rendeu a ele ainda o prêmio de melhor jogador da Oceania naquele ano. Foram dez gols na campanha. Os últimos anos ainda ajudaram Kaï a ficar em evidência por seu clube, o Hienghène, no qual desenvolveu grande parte de sua trajetória. O camisa 11 era o capitão do time que conquistou a Champions da Oceania em 2019 e também esteve presente no Mundial de Clubes.

Teaonui Tehau (Taiti)

O Taiti possui uma verdadeira dinastia da família Tehau em seu elenco durante os últimos anos. E a dimensão de Teaonui Tehau é histórica. Aos 29 anos, o atacante usa a braçadeira do time polinésio. Também é o maior artilheiro da equipe nacional, com 24 gols, e está a três jogos de se tornar o atleta com mais aparições. É primo de Alvin, Lorenzo e Jonathan Tehau, os irmãos que se tornaram também figurinhas carimbadas nas convocações. Apesar do sucesso, Teaonui nunca saiu da liga local e desde 2017 veste a camisa do Vénus. Já pela equipe nacional, embora reserva e muito jovem, ele fez parte do time taitiano que conquistou a Copa das Nações da Oceania em 2012. Vestiria a camisa 9 da equipe na memorável participação na Copa das Confederações de 2013, saindo do banco na goleada por 10 a 0 da Espanha.

Micah Lea’alafa (Ilhas Salomão)

As Ilhas Salomão não contam mais com Henry Fa’arodo e Benjamin Totori – nomes que se tornaram onipresentes no futebol do país durante as últimas décadas, mas se aposentaram em anos recentes. A passagem de bastão fica para Micah Lea’alafa, meia de 30 anos que atualmente usa a braçadeira de capitão. O veterano possui experiências valiosas em clubes. Começou no Solomon Warriors, mas faria sucesso principalmente no Auckland City, com o qual participou do domínio na Champions da Oceania. Seria inclusive eleito o melhor jogador da campanha do título em 2015/16, quando teve gols decisivos nas semifinais e na final. Já nos últimos anos, teve passagens pelo futebol da África do Sul. Lea’alafa soma seis gols em 15 jogos pela seleção, com destaque especial aos seus tentos nas Eliminatórias para a Copa de 2018, quando foi determinante para levar Ilhas Salomão até a decisão da vaga na repescagem com a Nova Zelândia.

Kensi Tangis (Vanuatu)

O atacante Kensi Tangis é a esperança de uma campanha minimamente honrosa a Vanuatu, que costuma ser figurante nas Eliminatórias. O capitão de 32 anos é o jogador mais experiente do atual elenco, com oito gols em 28 partidas pela equipe nacional. Esteve presente em duas edições da Copa das Nações da Oceania, embora seu time não tenha avançado às semifinais. Já a carreira por clubes inclui passagens por times de outros países da Oceania, como o taitiano Central Sport e o salomonense Solomon Warriors. Atualmente veste a camisa do Galaxy, na própria liga nacional de Vanuatu.

Taylor Saghabi (Ilhas Cook)

Ilhas Cook não costuma atuar além das fases preliminares das Eliminatórias na Oceania, e quase sempre levando pancada. Isso significa que o time não entra em campo desde 2015, com aparições geralmente limitadas de quatro em quatro anos. Porém, com a desistência de Tonga, a equipe nacional salta diretamente à fase de grupos do qualificatório. Deposita suas fichas em Taylor Saghabi, meia que é o maior artilheiro da história da seleção com “incríveis” seis gols. É o autor do primeiro hat-trick da história da nação, nos 3 a 0 sobre Tonga nas Eliminatórias para a Copa de 2018, quando liderou o desempenho razoavelmente honroso de seu inexpressivo time. Filho de mãe cookense e pai libanês, mas nascido na Austrália, Saghabi ganhou rodagem em times semiprofissionais do país – enquanto trabalhava na construção civil. Aos 31 anos, porém, está sem clube.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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