Eliminatórias da Copa

Metamorfose nórdica: Noruega de Haaland quebra tabu, empilha gols e volta à Copa em grande estilo

Com Haaland imparável e a melhor geração de sua história, seleção norueguesa renasce com futebol ofensivo e campanha impecável nas Eliminatórias

A Noruega enfim confirmou neste domingo (16) o que já era esperado: está classificada para a Copa do Mundo de 2026. A vaga, construída com uma campanha praticamente irretocável, coroa um processo de reconstrução que transformou uma seleção antes modesta em uma das mais empolgantes da Europa.

O país escandinavo fecha as Eliminatórias com 100% de aproveitamento, oito vitórias em oito jogos e a marca de melhor ataque do continente — 37 gols marcados, 16 deles de Erling Haaland, o centroavante que redefiniu o teto da equipe. A goleada diante da Itália, por 4 a 1, foi a cereja do bolo.

A presença do homem-gol do Manchester City, um dos jogadores mais dominantes do futebol mundial, somada ao talento cerebral de Martin Odegaard, líder técnico do Arsenal, elevou o nível da seleção a patamares raramente vistos em sua história.

Esta é amplamente considerada a melhor geração que o futebol norueguês já formou.

Nunca a Noruega reuniu tantos atletas com poder de decisão atuando nas principais ligas do mundo. E não é apenas o estrelato dos dois craques: Oscar Bobb (Manchester City), Alexander Sorloth (Atlético de Madrid), Antonio Nusa (RB Leipzig), Jorgen Larsen (Wolverhampton), Julian Ryerson (Borussia Dortmund) e outros nomes sólidos compõem uma base que entrega competitividade real.

Haaland e Odegaard durante jogo da Noruega
Haaland e Odegaard durante jogo da Noruega (Foto: Imago)

O passado sofrido da Noruega

A façanha ganha ainda mais peso quando se olha para o passado. A Noruega sempre foi um país periférico no cenário do futebol. Suas participações em grandes torneios eram raras — além das Copas de 1994 e 1998 e da Euro de 2000, o país só havia disputado um Mundial em 1938, eliminado após somente um jogo.

Mesmo a geração dos anos 1990, que chegou a obter resultados expressivos, era marcada por um estilo de jogo pragmático, defendendo em bloco baixo e apostando em bolas longas para atacantes fisicamente imponentes. Um plano que funcionou por um tempo, mas que se tornou obsoleto com as evoluções táticas do futebol europeu.

Em 2018, a crise atingiu o fundo do poço: a Noruega caiu para o 87º lugar no ranking da Fifa, ficando atrás até das Ilhas Faroe. Era o retrato de uma seleção sem identidade, com dificuldades para competir e sem perspectivas claras de retomada.

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A remontada norueguesa tem um nome: Stale Solbakken

Stale Solbakken, técnico da seleção norueguesa
Stale Solbakken, técnico da seleção norueguesa (Foto: Imago)

O ponto de virada veio em 2021, quando Stale Solbakken assumiu o comando com uma missão clara: reposicionar a Noruega dentro do futebol moderno. Prestigiado pelo trabalho de longo prazo no Copenhague, ele trouxe uma proposta ofensiva e mais ambiciosa, moldada para maximizar o talento de Haaland e Odegaard.

— Essa seleção assume mais riscos, porque essa é a mentalidade deles. Ainda priorizamos o lado defensivo do jogo, mas não acho que esse time prosperaria se não tivesse a oportunidade de se provar com a bola. Eles são mais avançados na forma como jogam no ataque e precisam dessa sensação de liberdade — explicou Stale em entrevista recente.

A transição, porém, foi turbulenta. Os noruegueses falharam nas disputas por vagas na Copa de 2022 e na Euro de 2024, acumulando frustrações que colocaram pressão sobre o processo de renovação.

A insistência valeu. Com tempo, ajustes e maturidade, a Noruega encontrou seu jogo — e a campanha nas Eliminatórias para 2026 é a prova disso. A seleção domina, ataca, controla partidas e apresenta uma confiança que não se via há décadas.

Mais do que voltar ao Mundial, o país volta com uma identidade clara, um plano de jogo coerente e jogadores acostumados ao protagonismo nos maiores palcos do futebol.

Com a classificação assegurada, a Noruega já projeta horizontes mais amplos. Se por muitos anos o sonho era simplesmente retornar a um Mundial, agora a ambição mudou de escala. O que a seleção mostrou ao longo das Eliminatórias deixa claro: há lastro para pensar mais alto.

Pela primeira vez, os noruegueses chegam a um Mundial não como coadjuvantes, mas como participantes de um projeto em ascensão — e com um ataque capaz de causar problemas a qualquer adversário.

A Noruega está de volta ao mapa do futebol. E, desta vez, sem intenção de sair tão cedo.

A campanha da Noruega nas Eliminatórias em números

Haaland celebra com companheiros após marcar pela Noruega
Haaland celebra com companheiros após marcar pela Noruega (Foto: Imago)
  • 8 jogos
  • 8 vitórias
  • 37 gols marcados
  • 5 gols sofridos
  • Saldo de gols +32
  • Haaland artilheiro das Eliminatórias — 16 gols
  • Odegaard líder de assistências nas Eliminatórias — 7 assistências

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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