Eliminatórias da Copa

Morata resolve: Espanha se vale do seu goleador para derrotar a Suécia e carimbar o passaporte rumo ao Catar

Jogo morno teve gol do juventino nos minutos finais para classificar a Fúria a mais um Mundial

O estádio de La Cartuja tem voltado ao cenário do futebol espanhol. Casa de uma final memorável em abril, entre Real Sociedad e Athletic Bilbao, Sevilha recebeu bom público para um capítulo importante da história da Espanha. Neste domingo, a Fúria venceu a Suécia por 1 a 0 e se classificou para mais uma Copa do Mundo.

O jogo, bastante morno, teve momentos agudos apenas no final, com participação de Álvaro Morata e um gol de rebote. Foram 90 minutos bastante coerentes com a história recente dos espanhóis, que não faltam a uma Copa desde 1974. No quesito bola, a atuação deixou um pouco a desejar, mas a Espanha também não sofreu muito nas mãos da Suécia, como vimos no recente duelo válido pela Eurocopa.

À moda espanhola

Somando 72% de posse e finalizando 12 vezes, a Espanha até teve um domingo normal em Sevilha. Mas ficou a sensação de que poderia ter sido um placar mais numeroso, ou mesmo que o gol tivesse saído mais cedo. No controle absoluto da partida, a equipe de Luís Enrique foi ao campo com um time bastante diferente, mesclando a juventude e alguns atletas que não costumam ganhar chances na seleção. Foi o caso de Raúl De Tomás, que entrou como titular de centroavante, mas não fez muita coisa para tirar o placar do zero.

Pelo lado da Suécia, Jan Andersson escalou Alexander Isak e Dejan Kulusevski na frente, mas a dupla não incomodou a zaga composta por Aymeric Laporte e Pau Torres. Isak, inclusive, saiu para dar lugar a Zlatan Ibrahimovic nos minutos finais, o que pode ser interpretado como uma substituição de atletas com valores bastante similares e potencial em jogadas pelo alto. Ibra, contudo, não teve oportunidade de subir para desafiar seus adversários.

Sobretudo na parte final do jogo, os suecos insistiram demais na bola longa para tentar pegar a defesa espanhola fora de posição. Normalmente, geraria alguma apreensão, mas faltou eficácia na proposta. O que a Suécia apresentou hoje foi muito pouco para quem queria vencer a Espanha, ainda que em uma única bola de sorte. Não houve nenhum chute ao gol de Unai Simón e isso diz tudo.

A solução vem do banco

Enquanto a Espanha sofria com o empate, que, embora lhe desse a vaga, não enchia a barriga de ninguém, Portugal sentava em cima do 1 a 1 com a Sérvia. A preguiça custou caro e os lusitanos acabaram pagando a conta no fim, levando um gol de castigo que renegou Cristiano Ronaldo e seus colegas à repescagem. Não era esse o desfecho que Luís Enrique planejava. Se tem um time melhor, que isso se traduza em chances. A Espanha pode até não ter finalizado tanto assim ao gol, mas tentou, fez valer seu bom momento e não deixou de buscar a vitória.

A narrativa seguiu o seu curso natural: muitos passes, mas nada de chute. Para isso, Morata saiu do banco na vaga de Pablo Sarabia. O público, impaciente com o lenga-lenga praticado dentro de campo, mudou as palavras de apoio pelas de crítica. No minuto 86, finalmente a torcida teve o que queria. Dani Olmo arriscou de muito longe, a bola explodiu na trave após um leve toque do goleiro Robin Olsen e voltou para o meio da área. A defesa sueca, pega de surpresa, estava adiantada. Morata, que não é bobo, apenas chegou, esperou Olsen e deu um toque por cima para marcar. Agora sim estava tudo de bom tamanho para a Espanha.

Sentiu falta do Ibra no texto? Pois é: o único momento de destaque do sueco foi uma agressão a Cesar Azpilicueta que passou batida pela arbitragem.

Naturalmente classificados

A Fúria navegou calmamente pelos mares das Eliminatórias. Soube fazer uma transição pacífica após a mudança e a aposentadoria de alguns de seus ícones. Desde 2018, vem consistentemente inovando, e os resultados não são ruins: boa campanha rumo à Copa, semifinal da Eurocopa e Final Four da Liga das Nações. O time de Luís Enrique não entrega pouco e também não arruma desculpas para não competir.

É com essa pegada que os espanhóis chegam ao Catar, somando 19 pontos, seis vitórias, um empate e uma derrota. Não sofreu, não foi ameaçada e em nenhum momento realmente pareceu que o destino seria via repescagem. Os jogadores sabiam que o novo formato eliminatório para a repescagem seria um risco desnecessário e assim fizeram para dominar a Suécia na tarde de hoje, sem protelar ainda mais o drama.

A Suécia, que chega longe muito mais aos trancos e barrancos do que por um modelo atrativo ou competitivo de jogo, testará sua sorte na repescagem. E pelo que tem apresentado, chegará como azarão independente de quem enfrentar nos dois jogos derradeiros que fará em 2022. A Copa do Mundo parece bem mais longe para os escandinavos do que já estava antes do confronto com a Espanha: cinco vitórias e três derrotas em uma chave mais fraca como essa são um sinal de alerta para o trabalho de Jan Andersson. Será que a Grécia não faria um papel melhor se estivesse nessa posição? Agora é tarde demais para descobrirmos.

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Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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