Eliminatórias da Copa

Confusão entre Brasil e Argentina pode render punição da Fifa, que investiga confronto no Maracanã

A Fifa abriu investigação para apurar conflito no Maracanã antes do início da partida entre Brasil e Argentina

Além do mau momento em campo, o Brasil pode ter mais problemas pela frente na sequência das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026. Isso porque a Fifa decidiu investigar toda a confusão ocorrida nas arquibancadas do Maracanã, no Rio de Janeiro, na última terça-feira (21), antes da partida com a Argentina, pela 6ª rodada da competição que definirá os seis representantes sul-americanos no próximo Mundial de seleções, que será disputado no Canadá, Estados Unidos e México.

Em contato com a Trivela, a Fifa confirmou que abriu procedimento de investigação contra a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Associação de Futebol da Argentina (AFA) por conta de toda a confusão no estádio carioca durante a derrota do Brasil para a Argentina, por 1 a 0. A entidade, no entanto, não deu maiores detalhes.

Quais punições a Seleção Brasileira pode sofrer?

No processo aberto, a Fifa enquadrou a CBF no artigo 17 do Código Disciplinar da entidade (que versa sobre a ordem e a segurança da operação da partida). Os brasileiros, entretanto, não são os únicos investigados. A AFA foi enquadrada em dois outros artigos, o 14.2 (por atrasar o início da partida) e o 17.2 (perturbação de torcida).

Em resposta por e-mail, a Fifa afirmou não prever punições específicas para cada uma das infrações. Ao observar o Código Disciplinar, a reportagem encontrou sanções como limitação de público, partidas com portões fechados, obrigação de atuar em um campo neutro, perda de mando de campo em determinados estádios, dedução de pontos e até expulsão da competição.

Procurada pelo site, a CBF afirmou não ter, até o momento, qualquer conhecimento do início da investigação.

O início da investigação sobre os episódios de violência registrados no Maracanã foi noticiado primeiramente pelo ge.com.

O que ocorreu nas arquibancadas do Maracanã?

Antes do início da partida, seguranças particulares do Maracanã e policiais militares do estado do Rio de Janeiro entraram em conflito com torcedores argentinos. Sem um espaço destinado exclusivamente para a torcida visitante, os argentinos se posicionaram atrás de um dos gols do estádio, ao lado da torcida brasileira, e, durante a execução dos dois hinos nacionais, iniciou-se o conflito.

Esse confronto atrasou em cerca de 30 minutos o início da partida e fez com que a seleção argentina, capitaneada por Lionel Messi, se retirasse do gramado por aproximadamente 15 minutos.

Em razão do confronto nas arquibancadas, algumas pessoas tiveram ferimentos e precisaram ser socorridas, enquanto oito pessoas foram presas. Todas argentinas.

Atos de racismos no estádio e redes sociais

Pelo menos uma dessas oito pessoas foi capturada sob a acusação de ter praticado atos racistas contra os brasileiros que estavam à espera do início do jogo. Ações semelhantes também ocorreram nas redes sociais contra o atacante Rodrygo, que se desentendeu verbalmente com Messi no gramado.

Por meio de uma publicação no Instagram, o jogador da Seleção Brasileira e do Real Madrid revelou que sua conta na rede social foi bombardeada de ofensas racistas.

– Os racistas estão sempre de plantão. Minhas redes sociais foram invadidas com ofensas e todo tipo de absurdo. Está aí pra todo mundo ver! Se não fazemos o que eles querem, se não nos comportamos como eles acham que devemos, se vestimos algo que os incomoda, se não baixamos a cabeça quando somos atacados, se ocupamos espaços que eles acham que são só deles, os racistas entram em ação com o seu comportamento criminoso. Azar o deles. Nós não vamos parar!

CBF também é alvo de ofensas racistas no Instagram

Além do perfil de Rodrygo, ofensas racistas também foram flagradas no perfil da CBF no Instagram. Os ataques, por meio da comparação com macacos, foram destinados aos jogadores da Seleção Brasileira com fotos publicadas no perfil da entidade e até torcedores.

Além disso, as ofensas chegaram também ao presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, que de forma pejorativa e desrespeitando não só a ele como a toda uma etnia, o classificaram como índio.

Em comunicado em seu site oficial, a CBF afirmou que não irá tolerar esse tipo de ataque e buscará punições aos autores.

– A CBF já tomou as medidas cabíveis nesse caso, que são: comunicar às autoridades policiais, visando a identificação e punição dos autores desses ataques, pois se tratam de crimes capitulados na legislação brasileira, inclusive punidos com pena de prisão. Além disso, tais perfis foram denunciados ao Instagram. Também na esfera desportiva, foram enviados ofícios à FIFA e Conmebol, dando ciência do fato – se posicionou a entidade.

O presidente Ednaldo Rodrigues prometeu não se intimidar pelos ataques sofridos.

– Tenho orgulho de ser o primeiro negro, nordestino, descendente de indígenas a ocupar a presidência da CBF. Sempre soube e sigo consciente da minha luta e das dificuldades que terei que passar ao longo da minha vida por não ter origem na elite do Brasil, de ter vindo do interior do Nordeste. Desde os oito anos de idade convivo com a pesada mão do racismo, tanto sobre mim quanto sobre a minha família. Meu compromisso em transformar o futebol brasileiro em um lugar sadio não será cerceado. Não vou me afastar jamais dos meus compromissos e não serei intimidado por criminosos, racistas, xenófobos e corruptos que transitam pelas sombras – declarou o dirigente brasileiro.

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Bruno Lima

Bruno Lima nasceu em Santos (SP) e se formou em Jornalismo na Universidade Católica de Santos (UniSantos) em 2010. Antes de escrever para Trivela, passou por A Tribuna
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Caio Blois

Caio Blois nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e se formou em Jornalismo na UFRJ em 2017. É pós-graduado em Comunicação e cursa mestrado em Gestão do Desporto na Universidade de Lisboa. Antes de escrever para Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
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