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Argentina empata com o Brasil em jogo brigado e, com combinação de resultados, garante vaga na Copa do Mundo

Lionel Messi terá mais uma Copa do Mundo para tentar engrandecer o seu legado, após a Argentina se classificar com cinco rodadas de antecedência

O Estádio Bicentenário em San Juan estava quente. A rivalidade entre Brasil e Argentina, alimentada um pouco mais pelas confusões sanitárias em São Paulo, se transferiu ao gramado. Um jogo mais pegado do que bem jogado, embora não tenha sido exatamente chato. Não houve gols, mas os torcedores pelo menos puderam testemunhar o empate por 0 a 0 que no final das contas classificou a seleção argentina para mais uma Copa do Mundo.

Precisou de uma combinação de resultados. A Colômbia empatou com o Paraguai, o Chile perdeu do Equador, e o Peru ganhou da Venezuela. Colombianos, em quarto lugar, e peruanos, em quinto, estão empatados com 17 pontos, podendo chegar ao máximo a 29, a pontuação atual da Argentina. No entanto, eles se enfrentam na próxima rodada. Ambos não podem chegar lá.

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Foi um ciclo de evolução da Argentina. Quem acompanhou a seleção treinada por Leonel Scaloni, àquela época parecendo meramente um tampão à espera de um técnico mais experiente, na Copa América de 2019 não imaginaria que a derrota para o Brasil naquela semifinal seria a última da seleção nos últimos dois anos. Era um time com Messi cercado por coadjuvantes menos estrelados do que em tempos passados ou que não estavam em grande fase.

Esses coadjuvantes cresceram. A Argentina agora tem zagueiro e tem goleiro. Cristian Romero chegou a ser um dos melhores defensores da Serie A antes de se transferir ao Tottenham. Emiliano Martínez se candidatou também a melhor goleiro da Premier League pelo Aston Villa. O meio-campo ganhou a presença forte de Rodrigo de Paul, da Udinese ao Atlético de Madrid. Lautaro Martínez evoluiu de promessa a um do melhores centroavantes do mundo.

E o trabalho de Scaloni foi se encaixando. Ele encontrou um equilíbrio, principalmente durante a Copa América de 2021. Se não houve tanto brilho além de Messi e De Paul, a Argentina foi uma equipe extremamente sólida rumo ao título contra o Brasil na decisão. E uma grande prova do seu potencial coletivo é que nem precisou de Messi em grande dia para conquistar o título no Maracanã.

O desempenho se manteve nas Eliminatórias Sul-Americanas. Como o Brasil, a Argentina também está invicta. A apenas seis pontos da campanha fantástica do time de Tite. Teve alguns tropeços a mais, mas se classificou com tranquilidade, em contraste com a classificatória anterior, quando precisou Messi marcasse três vezes contra o Equador para garantir a vaga.

O jogo

Neymar foi uma baixa de última hora para a seleção brasileira. Raphinha, Vinícius Júnior e Matheus Cunha formaram um trio de ataque diferente, com Lucas Paquetá na ligação, à frente da dupla de volantes, com Fred e Fabinho. Lionel Messi, retornando de lesão, foi titular, disputou os 90 minutos, mas fez uma partida apagada. Lautaro Martínez e Ángel Di María foram seus companheiros na frente, com Leandro Paredes, Lo Celso e Rodrigo de Paul no meio.

O clima do estádio em San Juan era quente, e o árbitro Andrés Cunha não se esforçou muito para segurar os ânimos. Os argentinos fizeram uma partida de imposição física, às vezes passando do ponto, como na cotovelada de Nicolás Otamendi em Raphinha, que ficou com a boca sangrando. Era lance para cartão vermelho. Não houve nem amarelo. Foram sete advertências e 42 faltas ao longo dos noventa minutos.

Com a bola rolando, a Argentina teve um pouco mais de posse de bola, mas não chegou a transformar em muitas chances de gol. O Brasil conseguiu equilibrar a partida, principalmente na destruição. Fabinho e Fred foram sólidos no meio-campo, a dupla de zaga com Marquinhos e Éder Militão segurou as pontas. Quando recuperava, tentava esticar. No primeiro tempo, a principal arma foi acionar Vinícius Júnior em velocidade.

Uma arma usada às vezes de maneira exagerada, mas a grande chance do Brasil no primeiro tempo foi justamente dele. Um tapa de Lucas Paquetá por meio da defesa que deixou Vinícius na cara de Emiliano Martínez. Ele tentou uma cavadinha, pegou mal e mandou para fora. Matheus Cunha tentou encobrir Martínez do meio-campo, e Lautaro apareceu em boa situação dentro da área depois de passe de Di María. Marquinhos fez o bloqueio. A única defesa que Alisson precisou fazer antes do intervalo foi em um chute colocado de De Paul de fora da área. A única de Martínez foi uma batida sem força de Fred, no meio do gol.

O segundo tempo não foi muito mais pródigo em oportunidades. Fred, um dos melhores em campo, acertou o travessão, aos 15 minutos, na sobra de uma cobrança de falta. Em uma transição rápida, Vinícius Júnior recebeu pela esquerda, em liberdade, mas preferiu cortar à perna direita e bateu rasteiro, em cima de Martínez. O Brasil fez um segundo tempo melhor do que o primeiro, um pouco mais perigoso, embora insuficiente para conseguir a vitória.

No geral, a Seleção lidou bem com um ambiente adverso e um jogo muito físico dos argentinos. O ataque não fluiu direito mais uma vez, nem nas transições ofensivas mais rápidas com os pontas, mas era um jogo de uma natureza diferente. Foi um teste, um bom teste. À Argentina, serviu para garantir o ponto final para selar a classificação à Copa do Mundo. Com muito mais tranquilidade do que para o Mundial da Rússia.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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