Eliminatórias da Copa

Ancelotti elogia ‘novo 10’ da Seleção e dá pistas sobre como Neymar pode entrar no time

Técnico italiano se disse feliz com desempenho e classificação da Canarinho para Copa do Mundo

O Brasil está garantido na Copa do Mundo de 2026. Com gol de Vinicius Junior, a Canarinho venceu o Paraguai por 1 a 0, assumiu a terceira colocação das Eliminatórias e carimbou passaporte rumo ao torneio. Após o triunfo na Neo Química Arena, Carlo Ancelotti, treinador da Seleção, foi questionado sobre a atuação de Matheus Cunha, autor da assistência para o tento de Vini Jr.

O técnico italiano, primeiro, ressaltou a importância da equipe conseguir efetuar uma pressão bem feita no campo adversário. Em sua visão, todos precisam ter isso em mente, inclusive a figura do camisa 10. E é aí que entra Matheus Cunha. Ancelotti revelou que o atacante do Wolverhampton a caminho do Manchester United — exerceu função semelhante a essa na partida contra os paraguaios.

Os recados de Ancelotti após classificação do Brasil

Futebol tem que ter intensidade com a bola e sem a bola. A pressão é importante, pois não permite ao rival de ter tempo para jogar como quer. Há um problema, porque precisa correr para fazer a pressão, tem que sacrificar, ter compromisso e atitude. E a equipe teve isso nos dois jogos. Queríamos fazer mais pressão no Equador, mostrar uma versão distinta. Nesse jogo fizemos bem. Pressionar é muito importante — disse Ancelotti.

— Obviamente é um sistema que podemos utilizar, o 4-3-3 que usamos contra o Equador também. Temos pontas muito bons. Podemos jogar com três meio-campistas. Hoje Cunha não era um centroavante, era um meia-atacante. Aproveitamos a velocidade de Vini, Martinelli e Rapinha para atacar as pontas, e Cunha jogando mais como um 10. Contra o Equador não jogou Cunha, jogou Gerson, preferi três meias para dar maior solidez atrás.

E essa não é uma atribuição nova para Cunha. Pelo contrário. Camisa 10 do Wolverhampton, o brasileiro costuma atuar como um meia-atacante com liberdade criativa, sendo o elo entre meio e ataque. No futebol inglês, ele se destaca tanto na criação de jogadas, como na finalização à distância, desempenhando um papel central no setor ofensivo — espécie de “coração do ataque”.

Matheus Cunha em ação pela seleção brasileira
Matheus Cunha em ação pela seleção brasileira (Foto: Icon Sports)

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E Neymar?

Ainda no tema “camisa 10”, Ancelotti admitiu que pode utilizar Neymar nessa função. Fora da primeira convocação do italiano por questões físicas, o craque do Santos encontrou o novo treinador no hotel onde a Seleção ficou concentrada em São Paulo.

— Vi Neymar no hotel, demos um abraço. Ele poderá jogar em qualquer lugar do campo quando estiver bem. Hoje poderia fazer a mesma função de Cunha, como o número 10. Nessa posição pode ser muito perigoso.

— Hoje jogamos com quatro atacantes, o time teve equilíbrio. Não é problema de jogar com quatro, três ou dois atacantes. É ter 10 jogadores que correm, que se sacrificam. Rodrygo fez isso muitas vezes, conhecemos muito bem. Neymar também pode fazer isso sem problema — prosseguiu.

O que Ancelotti fará nos próximos meses sem jogos do Brasil?

O Brasil só volta a campo em setembro. Questionado sobre o que pretende fazer até lá, Ancelotti elencou três planos, incluindo analisar uma lista de 70 jogadores espalhados pelo mundo. O italiano pretende também definir onde vai morar e viajar aos Estados Unidos para acompanhar o Mundial de Clubes.

— Primeiro, achar onde morar. Segundo, sim, ir à Copa do Mundo de Clubes. Em terceiro, tenho uma lista ampla de jogadores que estão em todo mundo, no Brasil, Europa, Arábia. Tem uns 70 jogadores. Teremos tempo de avaliar cada um. Que todos esses 70 podem ir ao Mundial. Não há uma lista definitiva de 25, 26. Gostei muito da atitude, do compromisso e do ambiente que esses convocados trouxeram nessa primeira convocação.

Confira mais respostas de Ancelotti:

Classificação era o mais importante

— Creio que foi um bom jogo, muito bom no primeiro tempo, jogamos bem, com a posse de bola, controlando, embora tenhamos concluído pouco. Baixamos o ritmo no segundo tempo, mas no geral achei um jogo completo, estamos bem contentes. Temos que trabalhar, temos um ano, é importante encerrar a classificação nesses dois jogos, com uma boa atuação. A torcida está contente. Quero agradecer aos torcedores pela recepção que fizeram. Saímos contentes, agora é olhar adiante.

Sensação dos primeiros dias no Brasil

— Foram 15 dias muito bonitos em todos os sentidos. Fui muito bem recebido pelo povo brasileiro. Hoje, nos estádios. Me deram um monte de camisetas. O ambiente dentro da CBF é fantástico, uma família. A atitude dos jogadores foi muito boa. Conseguimos a vitória, então estamos felizes.

Expectativa de ver a Seleção jogar em outros estádios do Brasil

— É bom que para a gente que todo o país tenha a oportunidade de ver, isso alimenta a paixão em um país apaixonado como o Brasil, que aumenta isso para a Copa do Mundo. Vamos tentar ir a todo o país para fazer um bom Mundial.

Defesa intacta nos dois primeiros jogos sob seu comando

— Sou italiano (risos). A equipe não tomou gol porque trabalharam bem atrás, os meio-campistas fizeram esforço extraordinária, como o Casemiro. Saio contente também por isso, mais por estarmos ao Mundial.

Beraldo na esquerda

— Ele pode jogar como zagueiro, obviamente, e como lateral-esquerdo também. Tendo Vini ou Martinelli, teria que subir menos do que Vanderson no lado direito. É um jogador muito inteligente, com toque de passe fantástico. Ele lê o jogo como um zagueiro. A saída atrás fica mais simples.

E agora, Brasil?

Classificado para Copa do Mundo de 2026, o Brasil cumprirá tabela nas duas últimas rodadas das Eliminatórias. Os adversários serão Chile (em casa) e Bolívia (fora de casa).

Próximos jogos da seleção brasileira

  • Brasil x Chile — Eliminatórias para Copa do Mundo de 2026 (penúltima rodada)
  • Bolívia x Brasil — Eliminatórias para Copa do Mundo de 2026 (última rodada)

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.
Foto de Eduardo Deconto

Eduardo DecontoSetorista

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.

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