Por que a Fifa proibiu as estrelas na camisa do Egito, mas ‘permite’ as quatro do Uruguai
Retirada das sete estrelas egípcias trouxe de volta uma velha polêmica sobre os símbolos exibidos pela Celeste
As estrelas bordadas acima do escudo estão entre os símbolos mais valorizados do futebol de seleções. Mais do que um detalhe estético, elas funcionam como uma forma de registrar conquistas históricas e reafirmar a identidade de uma equipe diante dos adversários. Em Copas do Mundo, porém, nem todas as estrelas recebem o mesmo tratamento da Fifa.
A discussão voltou à tona na atual edição da Copa, quando o Egito foi obrigado a alterar seu uniforme para se adequar às normas da entidade máxima do futebol. A seleção africana costuma exibir sete estrelas sobre o escudo, em referência ao número de títulos conquistados na Copa Africana de Nações, competição da qual é a maior vencedora. Para disputar o Mundial, entretanto, essas marcas tiveram de ser removidas.
A decisão chamou atenção porque, ao mesmo tempo, o Uruguai continua autorizado a utilizar quatro estrelas em sua camisa, apesar de ter conquistado apenas duas Copas do Mundo. A aparente contradição levanta uma pergunta inevitável: por que a Fifa adota critérios diferentes para casos que, à primeira vista, parecem semelhantes?
O que mudou para o Egito?
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A explicação está nas regras específicas estabelecidas pela Fifa para os uniformes utilizados em suas competições. Segundo as diretrizes da entidade para a Copa do Mundo, as estrelas exibidas nas camisas devem estar relacionadas a títulos mundiais reconhecidos pela própria organização.
Por esse motivo, as sete estrelas do Egito, embora representem conquistas oficiais e de enorme relevância para o futebol africano, não se enquadram nos critérios exigidos para o torneio. Elas fazem referência exclusivamente aos títulos continentais obtidos na Copa Africana de Nações e não a campeonatos mundiais.
E a mudança não se limitou ao escudo. A Fifa também determinou ajustes na numeração da seleção egípcia. Os números dourados, tradicionalmente utilizados pela equipe, deram lugar à cor branca. O objetivo da alteração foi aumentar a legibilidade durante as partidas, um aspecto que vem recebendo atenção especial da entidade em seus regulamentos para o Mundial.
O Egito aceitou as determinações e confirmou que entrará em campo com o uniforme adaptado às exigências da competição. A seleção integra o Grupo G da Copa do Mundo e terá pela frente Irã, Nova Zelândia e Bélgica.
A postura da Fifa em relação ao Egito faz parte de uma política mais ampla de padronização dos uniformes. Recentemente, a entidade também solicitou mudanças na camisa do Haiti, que precisou retirar elementos históricos ligados à Batalha de Vertières, episódio decisivo para a independência do país. A justificativa foi a proibição de mensagens ou manifestações de caráter político nos uniformes utilizados durante a Copa.
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Por que o Uruguai mantém quatro estrelas?
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Se a regra determina que apenas títulos mundiais podem ser representados por estrelas, o caso uruguaio parece desafiar essa lógica. Afinal, a Celeste conquistou apenas duas Copas do Mundo — em 1930 e 1950 —, mas segue exibindo quatro estrelas acima do escudo.
A explicação está nas duas conquistas olímpicas obtidas em 1924 e 1928. Naquele período, a Copa do Mundo ainda não existia. Os torneios olímpicos de futebol eram organizados sob a supervisão da Fifa e reuniam as principais seleções da época, funcionando como a competição internacional mais relevante do esporte.
Isso não significa que a entidade considere o Uruguai tetracampeão mundial. Nos registros oficiais da Fifa, a seleção uruguaia possui dois títulos de Copa do Mundo. A diferença é que a própria entidade autoriza a presença das quatro estrelas no uniforme, entendendo que os ouros olímpicos conquistados antes de 1930 possuem um valor histórico singular dentro do futebol internacional.
A controvérsia ganhou força em 2021, quando dirigentes da Associação Uruguaia de Futebol revelaram que a Fifa havia solicitado à Puma, fornecedora de material esportivo da seleção celeste, a retirada de duas das quatro estrelas presentes no escudo. A mudança, porém, nunca foi colocada em prática. O Uruguai disputou a Copa do Mundo de 2022 com os quatro símbolos e segue utilizando-os até hoje.