Copa do MundoCopa do Mundo Feminina

Drama, zebra e gol de ouro: como foram as sete finais de Copa do Mundo feminina

A oitava edição da Copa do Mundo feminina terminará, no próximo domingo, com a final entre Estados Unidos e Holanda. Isso significa, obviamente, que o que acontecer em Lyon será acrescentado aos confrontos dramáticos, com direito a zebras e gol de ouro, que decidiram os primeiros sete Mundiais do jogo das mulheres. E são essas histórias que contamos a seguir.   

Antes que os úteros caiam 

Michelle Akers fez dez gols na Copa do Mundo de 1991 (Foto: Getty Images)

EUA 2 x 1 Noruega

Data: 30/11/1991
Local: Estádio Tianhe, em Guangzhou (CHI)
Público: 63.000
Gols: Michelle Akers (EUA); Linda Medalen (NOR)

Quando Michelle Akers interceptou o passe errado da defensora norueguesa Tina Svensson, passou pela goleira Reidun Seth e marcou o segundo gol dos EUA na final da Copa do Mundo de 1991, o cronômetro marcava 78 minutos. Qualquer um saberia que as americanas precisariam segurar a Noruega durante pelo menos mais 12 minutos pela honra de receber um troféu das mãos de João Havelange. Certo?

Errado: apenas dois foram necessários porque a primeira Copa do Mundo – que não se chamava Copa do Mundo, mas Campeonato Mundial Feminino da Fifa para a Copa M&M – foi disputada com partidas de 80 minutos, divididas em dois tempos de 40. “Eles tinham medo que nossos ovários caíssem se jogássemos 90 minutos”, disse April Heinrichs, capitã da seleção americana e integrante do trio de ataque que ficou conhecido como A Espada de Três Pontas, ao lado de Akers e Carin Jennings, à Sports Illustrated. Elas fizeram 20 dos 25 gols dos EUA no torneio.

O curioso é que os seis jogos necessários para ganhar o título foram realizados em apenas duas semanas, o que tornou a exigência física ainda maior do que a do Mundial masculino. O rótulo de Copa do Mundo foi dado àquele torneio realizado na China retroativamente, apenas depois de a Fifa se certificar de que não havia fundamentos em seu temor de que mulheres jogando futebol organizadamente seria um fracasso comercial e de público. O Mundial de 1991 foi assistido do estádio por 510 mil pessoas, com média de 19 mil por partida, e teve uma final cheia de rivalidade entre EUA e Noruega.

“Nós odiávamos a Noruega”, disse Akers, também à SI. “Sempre as odiamos. Elas eram boas, elas eram duras, elas reclamavam, elas provocavam. Eu as odiava, mas era divertido. Eu amava odiá-las. Era ótimo. Para mim, quanto mais eu as odiava, mais duro eu jogava”. Foram sete duelos entre os países antes daquela Copa do Mundo, com três vitórias americanas e quatro norueguesas, incluindo dois amistosos em solo americano na preparação para a Copa do Mundo de 1991.

As seleções trocaram gols de cabeça em cobranças de falta, por volta da metade do primeiro tempo, com uma falha da americana Mary Harvey no gol de Linda Medalen. A dois minutos do fim, o lançamento de Shannon Higgins foi forte demais. Svensson dominou sem problemas, mas Akers acreditou na jogada e continuou correndo atrás da bola. Pressionada, Svensson recuou para o chutão da goleira, mas Akers ainda não havia desistido e continuou correndo atrás da bola. Interceptou-a com a perna esquerda já driblando Seth, dominou, ainda com a canhota, e tocou ao gol vazio com a perna direita, fazendo dos EUA o primeiro país campeão do mundo no futebol feminino.

A redenção

A Noruega se recuperou da derrota para os EUA e foi campeã do mundo (Foto: Getty Images)

Noruega 2 x 0 Alemanha

Data: 18/06/1995
Local: Estádio Rasunda, em Estocolmo (SUE)
Público: 17.158
Gols: Hege Riise e Marianne Pettersen (NOR)

A Copa do Mundo de 1995 tem um lugar ingrato na história. Foi realizada entre as edições da China, por si só marcante por ter sido a primeira, e dos EUA, com um público estrondoso. Além disso, o país-sede era para ter sido a Bulgária. Com problemas na organização, o torneio foi repassado para a Suécia, que havia sediado a Eurocopa masculina, três anos antes.

A um ano da Olimpíada de Atlanta, onde pela primeira vez foi realizado um torneio feminino de futebol, a Copa do Mundo também serviu como classificatório para os Jogos. A outra novidade foi a introdução de dois pedidos de tempo por equipe, um em cada tempo. Pelo menos, as partidas voltaram a ter 90 minutos e não foram vistas menções a doces de chocolate.

Em um país muito menos populoso do que a China, e em estádios mais modestos – o maior foi o Rasunda, palco da final, para 36 mil pessoas -, a média de público despencou para 4,3 mil pessoas por partida. Mas houve boas histórias, especialmente a revanche da seleção norueguesa, que passou da fase de grupos fazendo 17 gols, com goleadas por 8 a 0 sobre a Nigéria e 7 a 0 contra o Canadá, e se reencontrou com os EUA na semifinal.

As americanas tiveram dificuldades para defender o título. Michelle Akers saiu machucada aos 18 minutos do primeiro jogo, contra a China, um thriller no qual os EUA venciam por 3 a 1 até os 29 minutos do segundo tempo e levaram o empate, e retornaria apenas na semifinal contra a Noruega. Um gol solitário de Ann-Kristin Aarones garantiu a vaga na decisão.

A adversária seria a Alemanha de Silvia Neid e da jovem Birgit Prinz, então com apenas 18 anos. Os dois gols do título norueguês foram marcados antes do intervalo. Hege Riise fez uma linda jogada individual, passando por duas adversárias antes de soltar um chute colocado no canto da goleira Manuela Goller. Mariane Pettersen aproveitou a desatenção da defesa alemã para completar um rebote de Goller que ficou milhares de anos parado dentro da pequena área: 2 a 0 e a redenção para a Noruega.

Uma final de Hollywood

O Rose Bowl, com 90 mil pessoas, recebeu o público recorde para um jogo de futebol feminino (Foto: Getty Images)

EUA (5) 0 x 0 (4) China

Data: 10/07/1999
Local: Estádio Rose Bowl, em Pasadena (EUA)
Público: 90.185
Gols: nenhum

Rocky Balboa havia aceitado enfrentar Apollo Creed novamente, depois de uma luta épica que o campeão vencera por detalhes. O elemento surpresa, porém, não existia mais, junto com parte da sua visão. Apollo iria com tudo para cima de Rocky para provar que o equilíbrio do primeiro embate havia sido fruto do acaso. Tanto que Mickey, em um primeiro momento, não quis treinar seu pupilo para o que todos imaginavam que seria um massacre. Eventualmente topou, mas exigiu que Rocky mudasse seu estilo de lutar boxe.

“Para você conseguir esse milagre, precisa mudar tudo. Precisa aprender a lutar com a mão direita. Isso confundirá Apollo e protegerá o seu olho ruim”, disse. Rocky hesitou: “Eu não consigo mais aprender a lutar com a mão direita”. E Mickey respondeu: “Não consegue? Não existe não conseguir. Ele baterá mais feio do que você está agora. Mas ouça, você começa lutando com a mão direita e de repente mudará para a esquerda, e isso entrará para a história”.

No último round, encurralado no canto do ringue, Mickey grita “agora!” (5min25s no vídeo abaixo), e Rocky começa a bater em Apollo com a mão esquerda, castigando o campeão até que os dois beijam a lona. Rocky é o primeiro a levantar, antes do fim da contagem, e vence a revanche contra Apollo, virando campeão mundial dos pesos pesados.

Uma analogia com o cinema americano parece apropriada, uma vez que a final da Copa do Mundo de 1999 foi realizada no Rose Bowl de Pasadena, arredores de Los Angeles, e porque a protagonista da história, tão dramática quanto os melhores indicados do Oscar, tinha o apelido de “Hollywood” entre as companheiras da seleção americana que venceu a China, nos pênaltis, em um dos jogos mais marcantes do futebol feminino.

O interesse pelo esporte havia crescido ao longo da década de noventa, especialmente nos EUA, graças à conquista da medalha de ouro, em casa, nos Jogos de Atlanta, o primeiro torneio olímpico de futebol feminino da história. O número total de espectadores nos estádios chegou a 660 mil, maior do que a edição inaugural na China, com média de 37 mil pessoas por partida, e todas os 32 jogos foram transmitidos ao vivo. A final, diante de 90 mil pessoas na Califórnia, recorde para a modalidade, alcançou estimadas outras 40 milhões de almas pela televisão.

Os esportes americanos têm aqueles momentos especiais. Quarta descida para cinco jardas na linha de 12 do campo de ataque em um grande jogo de futebol americano. Último arremesso da parte de baixo da nona entrada da World Series, a final do beisebol. Os torcedores do Rose Bowl, entre eles o então presidente Bill Clinton, e aqueles que ficaram diante das TVS tiveram um desses momentos de respiração cortada quando Brandi Chastain caminhou do círculo central à grande área, no mesmo estádio onde Roberto Baggio havia perdido o pênalti que deu o título da Copa do Mundo masculina para o Brasil.

A goleira Briana Scurry havia defendido a cobrança de Liu Ying. Era Chastain contra Gao Hong pelo título da Copa do Mundo. Em um amistoso no mês de março daquele ano, a goleira chinesa havia conseguido desestabilizar Chastain, com aquela catimba típica dos goleiros que se aproximam do batedor e dizem qualquer coisa provocativa. Na ocasião, Chastain carimbara o travessão com a perna direita.

Quando o assistente técnico dos EUA fez a lista de batedoras, colocou Chastain em sexto lugar. O treinador Tony DiCicco, no entanto, modificou a ordem para que a defensora cobrasse o quinto pênalti, que poderia ser decisivo (e foi), porque tinha um plano. Havia feito Chastain treinar pênaltis com a perna esquerda na preparação para a final e, no breve intervalo entre a prorrogação e a disputa de pênaltis, entregou a sua própria versão de “agora!” para uma de suas jogadoras mais importantes.

“Eu não pensei em nada no momento”, disse Chastain, ao Guardian. “Eu sempre fui ambidestra então sempre foi normal usar os dois pés. Foi tudo em câmera lenta entre meu pé e a rede. Eu já sofri um acidente de carro, nada sério, e antes de ele acontecer, tudo fica mais lento, mas não há nada que você possa fazer para mudar. Pareceu que demorou muito e, enquanto a bola viajava, tudo ficou tão quieto, e parado, e lento. Quando a bola acertou a rede: uma explosão! Barulho, gritos, câmeras, meus companheiros, tudo”.

Ao acertar o pênalti do título americano em casa, Chastain deu início à comemoração mais famosa da história do futebol feminino. Tirou a camisa e a girou acima da cabeça, mostrando um sutiã esportivo todo preto. Ajoelhou-se no gramado e levantou os dois punhos fechados, com o uniforme firme na mão direita, enquanto aguardava a chegada das companheiras para celebrar um momento icônico do esporte que ama.

O último gol de ouro

A Alemanha derrotou a Suécia na final de 2003 graças ao gol de ouro (Foto: Getty Images)

Alemanha 2 x 1 Suécia

Data: 12/10/2003
Local: Estádio Home Depot Center, em Carson (EUA)
Público: 26.137
Gols: Maren Meinert e Nia Künzer (ALE); Hanna Ljungberg (SUE)

A edição de 2003 seria realizada na China, mas um surto de Síndrome Respiratória Aguda Grave em Guangzhou, no começo daquele ano, fez com que a Fifa transferisse a competição para os EUA, que não teriam dificuldades de realizar o evento duas vezes seguidas. A organização colocou os jogos em estádios menores.

Os EUA eram evidentemente favoritos novamente, mas pararam nas semifinais, cortesia de uma arrasadora Alemanha liderada pela artilheira Birgit Prinz. A final seria contra a Suécia, que havia eliminado o Canadá na fase anterior e, nas quartas de final, o Brasil que contava com uma garota de 17 anos chamada Marta. E a grande decisão, em Carson, também na Califórnia, teve novamente muita emoção, desta vez à frente de apenas 26 mil pessoas.

Hanna Ljunberg saiu nas costas da defesa alemã e tocou colocado na saída da goleira Rottenberg para fazer 1 a 0, a quatro minutos do fim do primeiro tempo. Assim que o jogo foi retomado, Maren Meinert dominou e esperou a bola cair no chão para completar e empatar o jogo. O momento mais importante do tempo regulamentar, porém, foi aos 43 minutos da etapa final, quando Nia Künzer entrou no lugar de Pia Wunderlich.

A treinadora da Alemanha, Tina Theune-Meyer, não fez a substituição pensando no poder ofensivo da sua defensora. Muito pelo contrário. “Eu coloquei Nia para ter mais proteção à frente da defesa porque ela seria a jogadora mais fresca em campo”, disse, logo depois do jogo. Künzer, porém, perdeu uma grande chance cara a cara com a goleira Caroline Jonsson pouco antes de se posicionar na marca do pênalti para uma cobrança de falta.

Aos oito minutos do primeiro tempo da prorrogação, Renate Lingor jogou a bola na área pela direita, e Künzer, bem marcada, conseguiu o cabeceio alto por cima de Jonsson e fez 2 a 1 para a Alemanha. Com um detalhe importantíssimo: era a última final de Copa do Mundo com a regra do gol de ouro.

“Eu fiquei confusa e não fazia ideia do que havia acontecido”, disse, ao site da Fifa. “Eu realmente não percebi o que havia feito porque minha cabeçada não foi muito forte. Depois de dois ou três segundos, eu senti a primeira das nossas jogadoras me agarrando pelo pescoço e percebi que éramos campeãs mundiais”.

Clique para ver no YouTube

A rainha se apresenta ao mundo

Marta brilhou na China, mas o título ficou com a Alemanha (Foto: Getty Images)

Alemanha 2 x 0 Brasil

Data: 30/09/2007
Local: Estádio Hongkou, em Xangai (China)
Público: 31.000
Gols: Birgit Prinz e Simone Laudehr (ALE)

A China recebeu automaticamente o direito de sediar a Copa do Mundo de 2007, depois de ser obrigada a ceder a edição anterior para os Estados Unidos. Novamente, sucesso de público, superando a marca de um milhão de torcedores nos estádios e uma média de 37,2 mil pessoas por partidas. Muitas delas podem se gabar de terem visto o nascimento de uma lenda. Aquele Mundial foi o momento em que Marta explodiu.

A melhor jogadora da história terminou o Mundial como artilheira, com sete gols, e foi eleita a melhor jogadora do torneio. O Brasil treinado por Jorge Barcellos impressionou com um futebol ofensivo que rendeu goleadas sobre Nova Zelândia (5 a 0) e China (4 a 0) na fase de grupos. Nenhuma mais importante do que a por 4 a 0 que as brasileiras impuseram aos Estados Unidos na semifinal, fazendo do Brasil o primeiro time sul-americano a disputar a final da Copa do Mundo Feminina.

No entanto, no outro lado estava a própria representação da famosa frase de Gary Lineker de que o futebol é um jogo em que, no fim das contas, a Alemanha vence. Comandada por Silvia Neid, a detentora do título abriu a campanha fazendo 11 a 0 na Argentina e passeou rumo à final, com vitórias folgadas por 3 a 0 sobre Coreia do Norte e Noruega no mata-mata.

Aos 18 minutos do segundo tempo da final em Xangai, quando o Brasil teve um pênalti a seu favor para empatar a partida cujo placar havia sido aberto por Birgit Prinz, a goleira Nadine Angerer ainda não havia sofrido um gol sequer na Copa do Mundo. E assim continuou. Angerer defendeu a cobrança da craque brasileira, e nos minutos finais, Simone Laudehr selou a vitória com uma cabeçada perfeita.

Foi a primeira e única vez que um time se tornou campeão do mundo sem levar nenhum gol. E, para o Brasil, ficou uma campanha histórica, mas o lamento de que faltou muito pouco.

A zebra veste azul

O Japão surpreendeu os EUA e foi campeão de 2011 (Foto: Getty Images)

Japão (3) 2 x 2 (1) EUA

Data: 17/07/2011
Local: Commerzbank-Arena, em Frankfurt (Alemanha)
Público: 48.817
Gols: Aya Miyama e Homare Sawa (JAP); Alex Morgan e Abby Wambach (EUA)

Estados Unidos e Japão haviam se enfrentado duas vezes na Copa do Mundo, com um placar agregado de 7 a 0 a favor das americanas. As japonesas nunca haviam passado das quartas de final, fase que alcançaram em 1995 e na qual perderam contra as mesmas adversárias que reencontrariam na final de Frankfurt. Os EUA estavam com sangue nos olhos, fora das decisões das últimas duas edições, e precisando do título para reinar novamente como as maiores campeãs do Mundial feminino, depois que a Alemanha igualou os seus dois títulos.

Organizada pela Alemanha, a Copa do Mundo de 2011 teve um público total de 845 mil pessoas, com média de 26,4 mil por partida. A abertura, no Olímpico de Berlim, reuniu 73 mil torcedores para a vitória da dona da casa contra o Canadá, por 2 a 1. As detentoras do título, porém, pararam nas quartas de final, assim como o Brasil, então vice-campeão. Outra potência, a Noruega foi eliminada ainda na fase de grupos.

Nenhuma zebra, porém, seria maior do que a da final, com um significado especial para o Japão que havia sido devastado por um tsunami alguns meses antes. Os EUA de Hope Solo, Carli Lloyd, Megan Rapinoe, Abby Wambach e Alex Morgan foram para cima desde o início. Lauren Cheney quase abriu o placar, completando cruzamento de Rapinoe da esquerda, e Wambach acertou um petardo no travessão.

O Japão se segurava. No segundo tempo, Heather O’Reilly cruzou rasteiro da direita, e Morgan apareceu na primeira trave. A bola bateu na trave, nas costas da goleira Ayumi Kaihori e flutuou na pequena área antes de ser cortada. Wambach quase marcou de cabeça, por cobertura, mas Kaihori fez uma linda defesa. Apenas aos 24 minutos, o placar foi aberto. Lançamento de Rapinoe do campo de defesa encontrou Morgan, que havia vencido a marcadora no jogo de corpo. A atacante bateu cruzado com a canhota para fazer 1 a 0.

A nove minutos do fim, porém, a defesa americana bateu cabeça, a começar pelo passe errado da capitã Christie Rampone que cedeu a posse às japonesas. A dividida com Karina Maruyama ficou ao pés de Rachel Buehler, que cortou para o lado, em cima de Ali Krieger. Krieger não conseguiu pegar bem na bola e acertou Aya Miyama, que dominou e levou o jogo à prorrogação.

Cabeceadora exemplar, Abby Wambach voltou a colocar os EUA à frente com uma testada firme, ao fim do primeiro tempo do tempo extra, após cruzamento de Morgan. O Japão, porém, não sabia desistir. A três minutos do apito final, Homare Sawa, artilheira e craque do torneio, completou escanteio na primeira trave e contou com um desvio na defesa para enganar Solo.

Os mesmos pênaltis que deram o título de 1999 aos EUA tirariam a glória das suas mãos, 12 anos depois. E com requintes de crueldade porque Shannon Boxx, Carli Lloyd e Tobin Heath desperdiçaram as três primeiras cobranças das americanas. O erro de Yuki Nagasato manteve parcas esperanças, mas Saki Kumagai executou o chute decisivo, e o Japão se tornou o primeiro time asiático e não-europeu a conquistar a Copa do Mundo feminina.

Recuperando a coroa, com estilo

Carli Lloyd anotou três gols na final da Copa de 2015 (Foto: Getty Images)

EUA 5 x 2 Japão

Data: 05/07/2015
Local: BC Place, em Vancouver (Canadá)
Público: 53.341
Gols: Carli Lloyd, três vezes, Lauren Holiday e Tobin Heath (EUA); Yuki Nagasato e Julie Johnston, contra (JAP)

A Copa do Mundo do Canadá teve algumas novidades. Foi a primeira com 24 participantes, a primeira vez que a tecnologia da linha do gol foi utilizada e também a primeira disputada em gramados artificiais, o que gerou muita polêmica no aquecimento para o torneio. O fim, porém, foi bem comum: 16 anos depois de da última vez, os EUA voltaram a conquistar o título.

O caminho das americanas não foi fácil. A vitória por 3 a 1, na primeira rodada, contra a Austrália foi seguida por um empate sem gols contra a Suécia e um triunfo magro, por 1 a 0, contra a Nigéria. As bicampeãs passaram tranquilas pela Colômbia nas oitavas de final, e um gol de Lloyd contra a China valeu vaga nas semifinais. O grande clássico contra a Alemanha terminou 2 a 0 a favor das americanas que reencontrariam o Japão diante de 53 mil pessoas em Vancouver.

Desta vez, porém, não houve papo. Aos cinco minutos do primeiro tempo, estava 2 a 0 para os EUA, gols de Carli Lloyd, craque da competição que reuniu 1,3 milhão de pessoas em todos os seus jogos, com média de 26 mil. Total recorde graças ao número inflado de partidas. Holiday ampliou para 3 a 0, aos 14, e Lloyd completou a sua tripleta, dois minutos depois.

Haja força de vontade para acreditar em uma virada após estar perdendo por 4 a 0 em coisa de 15 minutos. O Japão chegou a descontar, com Nagasato e um gol contra de Johnston, no começo do segundo tempo, mas Tobin Heath fechou o caixão da final de Copa do Mundo feminina com mais gols da história. E os EUA voltaram a reinar na primeira prateleira de títulos do torneio.

Mostrar mais

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo

Bloqueador detectado

A Trivela é um site independente e que precisa das receitas dos anúncios. Considere nos apoiar em https://apoia.se/trivela para ser um dos financiadores e considere desligar o seu bloqueador. Agradecemos a compreensão.