Copa do Mundo

Dez alemães que marcaram época na liga espanhola entre as décadas de 1970 e 1990

A liga espanhola atraiu muito talento da Alemanha durante um período especialmente vitorioso da Nationalelf, entre os anos 1970 e 1990

Durante o período particularmente vitorioso vivido pela Nationalelf entre os anos 1970 e 1990, quando esta conquistou duas Copas do Mundo e três Eurocopas, a liga espanhola abrigou alguns dos craques que se tornaram expoentes daquelas gerações do futebol alemão. O Real Madrid merece menção especial por ter mantido o maior e mais frequente vínculo, o que ainda hoje pode ser observado. Mas outros clubes – não só gigantes como Barcelona e Atlético de Madrid, também forças intermediárias (Valencia, Zaragoza e Espanyol) e até o pequeno Rayo Vallecano – ainda contaram com nomes oriundos da Bundesliga na época. Rememoramos aqui a passagem de dez nomes marcantes.

Günter Netzer

Real Madrid (1973-76)

Quando o Barcelona contratou Johan Cruyff do Ajax assim que os portos espanhóis se reabriram aos jogadores estrangeiros, a resposta do Real Madrid foi imediata e à altura: trouxe do Borussia Mönchengladbach o meia Günter Netzer. Na época, a comparação não soava exagerada: Netzer era então um dos jogadores mais aclamados do futebol alemão e europeu, armador cerebral, de ótima visão de jogo, elegante e exímio passador. E havia sido uma figura central na conquista da Eurocopa de 1972 pela seleção da Alemanha Ocidental.

Netzer era capaz de demolir sozinho um time adversário com atuações sublimes, como fez contra a Inglaterra dentro de Wembley nas Eliminatórias daquela Eurocopa e com a Internazionale na goleada de 7 a 1 do Borussia pela Copa dos Campeões, que mais tarde seria controversamente anulada. Pelos Potros, aliás, liderava um esquadrão que rivalizava acirradamente com o Bayern de Beckenbauer na Bundesliga – e em muitas vezes levava vantagem. Essa rivalidade, no entanto, custaria a ele um lugar entre os titulares da Nationalelf.

Às vésperas da Copa do Mundo de 1974 havia um racha entre os grupos de jogadores ligados aos dois clubes dentro do elenco da seleção de Helmut Schön – e os do Bayern acabariam ganhando a parada. Wolfgang Overath, do Colônia, passou a ocupar o lugar que vinha sendo de Netzer. Assim, para a posteridade, ele se tornaria um craque relativamente esquecido daquela geração. Mas em Madri, o meia rebelde de longos cabelos loiros, fã de carros esportivos e de badalada vida social também escreveria sua história com conquistas.

Na primeira temporada, a disputa com Cruyff acabou pendendo para o lado do holandês, que levou a liga com folga e brilhou no histórico 5 a 0 sobre os merengues em Madri. O Real salvou a temporada levando a copa ao golear os catalães por 4 a 0, mas sem as presenças de Cruyff e Netzer, já integrados a suas seleções para o Mundial. O troco viria mesmo em 1974/75, quando os madridistas fariam a dobradinha, tendo em Netzer o maestro de um título da liga que chegaria com fantásticas cinco rodadas de antecedência.

O tira-teima ficaria para 1975/76. E Netzer levaria a melhor, conduzindo o Real ao bicampeonato em sua última temporada com os merengues. O título europeu, porém, bateria na trave: depois de eliminar o Dínamo Bucareste, o Derby County e seu ex-clube, o Borussia Mönchengladbach, o meia não conseguiria superar seu velho rival, o Bayern de Munique, nas semifinais. Ainda assim, seria lembrado com carinho em Madri como o precursor de um longo histórico de craques de seu país a vestirem o imaculado uniforme branco.

Breitner e Netzer, símbolos de uma era no Real Madrid

Paul Breitner

Real Madrid (1974-77)

A partir de sua segunda temporada em Chamartín, Netzer ganharia a companhia de um antigo rival, o ex-Bayern, Paul Breitner. Lateral esquerdo destro e apoiador, ele desembarcou em Madri após vencer a Copa do Mundo para jogar no meio-campo merengue, formando um excelente trio com seu compatriota e com Vicente Del Bosque, no qual dava o toque dinâmico em contraste com o estilo mais clássico dos outros dois. Breitner defenderia o clube por três temporadas, e nas duas primeiras conquistaria títulos domésticos.

A melhor de suas três temporadas seria a segunda, em 1975/76, na qual, embora fizesse menos partidas (25), marcou seis gols para ajudar os merengues a conquistarem o bicampeonato da liga. Sua carreira em Madri, porém, marcaria o início de um longo período afastado da seleção alemã: após a final da Copa do Mundo de 1974 contra a Holanda, ele atuaria duas vezes pela Nationalelf no ano seguinte, mas só voltaria a vestir a camisa da equipe nacional em abril de 1981, quando já estava de novo defendendo o Bayern de Munique.

Ao contrário das anteriores, a última temporada de Breitner em Madri seria mal sucedida, com os merengues fazendo uma de suas piores campanhas na história recente, terminando apenas em nono lugar na liga e ficando de fora das competições europeias, o que levou à reformulação do elenco. O alemão-ocidental retornou então a seu país para disputar uma solitária temporada com o Eintracht Braunschweig, antes de voltar ao Bayern em 1978, clube o qual defenderia até se retirar dos gramados em meados de 1983, aos 31 anos.

Uli Stielike

Real Madrid (1977-85)

Uli Stielike, do Real Madrid (Foto: Divulgação)

Netzer e Breitner deixaram o Real Madrid, mas o elo germânico-madridista permaneceu vivo com a chegada de Uli Stielike, do Borussia Mönchengladbach. Seria, aliás, a última grande contratação chancelada pelo lendário presidente merengue Santiago Bernabéu, que viria a falecer em junho de 1978. O novo reforço era um jogador vigoroso, que impunha respeito fosse como volante ou líbero, conciliando raça, combatividade e senso de liderança com talento e personalidade para organizar e distribuir o jogo a partir da defesa.

E de saída, recolocaria o Real no caminho das conquistas com um tricampeonato espanhol entre 1978 e 1980, o que, somando-se ao tri da Bundesliga que conquistara com o Borussia antes de chegar, completava um incrível hexacampeonato nacional pessoal. No entanto, a transferência o tiraria da Copa do Mundo de 1978, devido a uma exigência do presidente da federação alemã-ocidental, Hermann Neuberger, de que atletas atuando no exterior não fossem convocados. Mas o meia se redimiria conquistando a Eurocopa de 1980.

Após o tri da liga no fim dos anos 1970, porém, a fonte de conquistas merengue secou durante os primeiros anos da década seguinte. Entre as temporadas 1980/81 e 1983/84, a única nova taça levantada seria a da Copa do Rei de 1982. Os merengues ainda amargariam derrotas nas decisões da Copa dos Campeões de 1981 para o Liverpool e da Recopa de 1983 para o Aberdeen. Stielike ainda sofreria um revés com a Nationalelf na final do Mundial de 1982 para a Itália, além da queda precoce na Eurocopa de 1984 – por ironia, para a Espanha.

Mas na última de suas oito temporadas com os merengues, Stielike ajudaria o Real a conquistar a Copa da Uefa, troféu que ajudava a restaurar o prestígio continental do clube e catapultar uma nova geração de talentos formada no clube, que ficaria conhecida como a Quinta del Buitre. Em 1985, depois de 308 jogos oficiais pelo time e de ter sido eleito pela revista Don Balón o melhor estrangeiro da liga por quatro anos seguidos (de 1979 a 1982), ele sairia para o Neuchâtel Xamax, o qual levaria a seus dois únicos títulos suíços.

Rainer Bonhof

Valencia (1978-80)

Bonhof, comandante do meio-campo do Valencia

Após Netzer e Stielike, Bonhof foi mais um jogador do esquadrão do Borussia Mönchengladbach dos anos 1970 a desembarcar na liga espanhola. Mas diferentemente dos ex-companheiros de clube, ele tomaria o rumo do Valencia. Volante que gostava de se lançar ao ataque e dono de um chute poderoso em cobranças de falta, temido por goleiros de toda a Europa, além de um preciso arremesso em cobrança de lateral, ele ficaria duas temporadas no Mestalla, levantando taças em ambas: a Copa do Rei em 1979 e a Recopa em 1980.

O alemão foi decisivo na campanha do título da Copa do Rei, marcada pelas reviravoltas contra Real Sociedad e Barcelona. Contra os txuri-urdín, ele fez o terceiro na goleada de 4 a 1 em casa no jogo de volta, remontando a derrota de 1 a 0 na ida. Já diante dos catalães nas oitavas de final, ele marcou o gol dos Ches na derrota por 4 a 1 no Camp Nou na ida, antes de balançar duas vezes a rede na vitória por 4 a 0 no Mestalla. Ele voltaria a marcar nos jogos em casa pelas quartas contra o Alavés e pela semifinal diante do Valladolid.

O caneco viria com vitória de 2 a 0 sobre o Real Madrid, com dois gols do argentino Mario Kempes, outro astro daquela equipe que contava ainda com nomes da seleção espanhola, como Enrique Saura e Daniel Solsona. O título levou os Ches à Recopa europeia, que também seria conquistada pelo time, agora dirigido pelo lendário Alfredo Di Stéfano. Naquela campanha, Bonhof balançou as redes nos 4 a 3 sobre o Barcelona nas quartas e abriu a goleada de 4 a 0 no Nantes na volta das semifinais, revertendo a derrota por 2 a 1 na França.

Na decisão, em Heysel, a equipe enfrentou o Arsenal. E após o empate em 0 a 0 no tempo normal e prorrogação, a decisão foi para os pênaltis. Bonhof converteu o seu – o último do Valencia na série normal, que terminou 4 a 4 – e, nas cobranças alternadas, os espanhóis levariam o título. Porém, uma lesão o impediria de atuar pela seleção na campanha vitoriosa na Eurocopa de 1980, embora integrasse o elenco. Era seu terceiro título com a Nationalelf, depois do Mundial de 1974 e da Eurocopa de 1972 (nesta, sem chegar a jogar).

Logo após a competição, ele manifestaria seu desejo de voltar a seu país e seria negociado com o Colônia, pelo qual atuaria por três temporadas, sendo vice-campeão da Bundesliga em 1982. No ano seguinte, ele se transferiria para o Hertha Berlim, mas uma séria lesão de tornozelo pouco depois de chegar acabaria encerrando sua carreira aos 31 anos.

Bernd Schuster

Barcelona (1980-88), Real Madrid (1988-90), Atlético de Madrid (1990-93)

Schuster brilhou nos três grandes

De longe o jogador alemão de maior vínculo com o futebol espanhol, Schuster atuou por 13 anos no país e pelos três maiores clubes, vindo a se estabelecer também como treinador mais tarde. Talento prodígio de rápida ascensão no futebol germânico no fim dos anos 1970, o meia surgiu no Colônia e logo chegaria à seleção, consagrando-se como um dos destaques na conquista da Eurocopa de 1980, mesmo jogando apenas duas das quatro partidas da campanha. Com apenas 20 anos de idade, regia o meio-campo com desenvoltura.

Seu talento, porém, era diretamente proporcional à sua personalidade forte: em pouco tempo se desentenderia com vários colegas de Nationalelf e com os treinadores da seleção, Jupp Derwall, e do clube, Karl-Heinz Heddergott. Quase foi parar no New York Cosmos. Mas acabou seguindo para o Barcelona pouco depois do início da temporada 1980/81, e logo no primeiro ano venceria a Copa do Rei. Na campanha seguinte, já plenamente ambientado, conduzia os azul-grenás ao topo da tabela, jogando o fino, quando veio o drama.

Em 13 de dezembro de 1981, no jogo contra o Athletic Bilbao no San Mamés, sofreria séria lesão no joelho após entrada duríssima do zagueiro Andoni Goikoetxea. Para ele, a temporada acabaria ali: ausente por vários meses, perderia inclusive a Copa do Mundo. Para o Barcelona, dirigido por seu compatriota Udo Lattek, quase acabou também: o título da liga foi perdido na reta final para a Real Sociedad. A salvação veio com a conquista da Recopa, com vitória de 2 a 1 sobre o Standard Liège no campo “neutro” do Camp Nou.

Na temporada seguinte, ele ganharia a companhia de outro jovem talento internacional: Diego Maradona. Na apresentação do elenco no Camp Nou, porém, os torcedores festejariam mais o retorno do alemão do que a chegada do argentino. E ainda que os dois formassem grande dupla em campo, o ansiado título espanhol que o Barça não conquistava desde 1974 não chegou nas duas campanhas de El Pibe na Catalunha. Por ironia, viria na temporada seguinte, com o atacante escocês Steve Archibald, ex-Tottenham, em seu lugar.

O fim do jejum foi quebrado de maneira enfática, com o time dirigido pelo inglês Terry Venables sagrando-se campeão matematicamente ainda com quatro rodadas pela frente. E deixava o Barça em posição de favorito a conquistar enfim a Copa dos Campeões na temporada seguinte. Porém, o caneco escapou numa bizarra decisão nos pênaltis contra o Steaua Bucareste em Sevilha. Para piorar, a relação de Schuster com o clube azedou: substituído ainda no tempo normal, o jogador foi embora do estádio e nem viu o restante da partida.

Furioso, o presidente azulgrená Josep Lluis Núñez proibiu Venables de relacionar o meia por toda a temporada seguinte. Preso ao clube, Schuster não entrou em campo uma vez sequer em jogos oficiais durante 1986/87. Voltaria na temporada seguinte para ganhar mais uma Copa do Rei, mas não escaparia de ser defenestrado do clube pelo mandatário na grande reformulação do elenco. Com propostas da milionária Serie A italiana e para voltar à Bundesliga, recusou todas para seguir na Espanha e assinar com nada menos que o Real Madrid.

Na capital, encaixou como uma luva no time da célebre Quinta del Buitre e do goleador mexicano Hugo Sánchez em duas temporadas domésticas memoráveis. Em 1988/89, os merengues fizeram a dobradinha, conquistando a liga com só uma derrota em 38 partidas. E na campanha seguinte, terminaram o certame com fabulosos 107 gols marcados. Nem isso, no entanto, impediu o meia de ser dispensado ainda com um ano de contrato para cumprir: o Real havia contratado o romeno Gheorghe Hagi e teria que desocupar uma vaga de estrangeiro.

Quando a temporada 1990/91 começou, Schuster estava sem clube. Mas logo foi abordado pelo Atlético de Madrid, que acabara de vender o atacante brasileiro Baltazar ao Porto. Numa equipe colchonera muito competitiva, que incluía o zagueiro brasileiro Donato, o meia português Paulo Futre, o atacante austríaco Gerhard Rodax e o goleador espanhol Manolo, o alemão de 31 anos dava o toque de experiência. O Atleti chegou a brigar pela liga com o “Dream Team” do Barça, mas perdeu o fôlego na reta final e ficou em segundo.

Os títulos viriam na Copa do Rei, com um bicampeonato em suas duas primeiras temporadas, e ambas conquistadas no Santiago Bernabéu: em 1991 sobre o Mallorca na prorrogação e em 1992 diante dos arquirrivais merengues na casa do adversário, com Schuster abrindo o placar e Futre completando os 2 a 0. Era a primeira vez desde 1977 que o Atleti levantava títulos importantes por duas temporadas seguidas. Já na liga, num desfecho mais apertado, a equipe terminaria em terceiro, um ponto atrás do Real e dois atrás do Barça.

A terceira e última temporada não teria o mesmo brilho, entre lesões e frequentes atritos com o controverso presidente colchonero Jesús Gil y Gil. Seria a hora de encerrar seu ciclo no futebol espanhol após 13 temporadas, 316 partidas pela liga e múltiplas conquistas em cada um dos três gigantes pelos quais passou. O meia seguiria ao Bayer Leverkusen, onde penduraria as chuteiras em 1996, aos 36 anos. Mas voltaria à Espanha como técnico, dirigindo Xerez, Levante, Getafe, Málaga e Real Madrid, onde conquistaria outra liga.

Miroslav Votava

Atlético de Madrid (1982-85)

Votava, nome importante do Atleti dos anos 1980

Natural de Praga que migrou para a Alemanha Ocidental com a família aos 12 anos, Votava foi o cão de guarda do meio-campo do Borussia Dortmund numa era de vacas muito magras para os aurinegros, o fim dos anos 1970. Ainda assim, naturalizado alemão, foi chamado pela Nationalelf para a Eurocopa de 1980, integrando o elenco campeão. E após a Copa de 1982 (da qual ficou de fora), desembarcou no Vicente Calderón para ocupar a vaga de estrangeiro aberta com a saída do meia-armador brasileiro Dirceu para o Verona.

O Atleti amargara um fraco nono lugar na temporada anterior e buscava sua reconstrução sob o comando de Luís Aragonés. Em 1982/83, primeira temporada com Votava no time, ainda passaria longe das taças, mas faria campanha mais sólida na liga. Já no ano seguinte, bateria na trave na Copa da Liga, derrotado na final pelo Valladolid. Mas em sua última temporada em Madri, o meia alemão se despediria com um título, o da Copa do Rei, vencendo o Athletic Bilbao no Santiago Bernabéu por 2 a 1, gols do mexicano Hugo Sánchez.

Titular indiscutível em suas três temporadas com os colchoneros e símbolo de garra, aplicação e dinamismo, sem recorrer a pontapés (nunca foi expulso na longa carreira, que se estenderia até depois dos 40 anos de idade), “Mirko” retornaria ao futebol alemão em seguida para viver a fase mais vitoriosa da carreira no Werder Bremen, com o qual conquistou por duas vezes a Bundesliga (em 1988 e 1993) e por duas vezes a copa nacional (em 1991 e 1994), além capitanear os Verdes em seu único título europeu: a Recopa de 1992.

Wolfram Wuttke

Espanyol (1990-91)

Wuttke, o talentoso e genioso meia do Espanyol

Franz Beckenbauer descreveu Wuttke como “tão genial quanto selvagem”. Günter Netzer, que o levou ao Hamburgo, o considerava um dos maiores talentos do futebol alemão em todos os tempos. Era um tipo peculiar. Baixinho, bigodudo, de pernas arqueadas, genioso, beberrão e fumante inveterado (conta-se que chegou a jogar com um cigarro escondido no meião), o meia-armador teve passagem curta, porém marcante por um Espanyol que oscilava entre a primeira e a segunda divisão naquele início dos anos 1990.

Wuttke já era um jogador rodado, beirando os 30 anos, quando chegou à Catalunha em fevereiro de 1990. Revelado pelo Schalke, passou ainda por Borussia Mönchengladbach, Hamburgo (pelo qual enfrentou o Grêmio na final do Mundial Interclubes em Tóquio, em 1983) e Kaiserslautern. Em 1988 viveu seu auge: foi chamado para a Nationalelf que disputou a Eurocopa e, logo depois, levou a medalha de bronze vestindo a camisa 10 da equipe olímpica nos Jogos de Seul (após ter tido seu pênalti defendido por Taffarel nas semifinais).

Era também um jogador polêmico: saiu do Hamburgo após inúmeras brigas com o técnico Ernst Happel e teve seu contrato cancelado pelo Kaiserslautern por “comportamento antiprofissional”. Foi quando conseguiu, no meio da temporada 1989/90, o contrato com o Espanyol, o qual levou de volta à elite espanhola ao fim daquela campanha após superar o Málaga nos pênaltis pelos playoffs. Na temporada seguinte, sua única completa, ajudou o time a fugir do descenso, ficando só um ponto e uma posição acima da zona de playoffs.

Na reta final daquela campanha, em abril de 1991, teve atuação de destaque na vitória por 3 a 1 sobre o Real Madrid no Sarriá, quando marcou dois gols a favor (um de pênalti e outro em jogada individual) e um contra. Em dezembro, atuaria pela última vez com a camisa blanquiazul, voltando logo depois à Alemanha para defender o recém-promovido Saarbrücken, onde, aos 31 anos, teve de encerrar a carreira por uma lesão no ombro. Em 2015, abandonado pela esposa, na pobreza e vencido pelo alcoolismo, morreria aos 53 anos.

Andreas Brehme

Zaragoza (1992-93)

Brehme, com passagem discreta pelo Zaragoza

Dono da lateral esquerda da Nationalelf por cerca de dez anos (1984 a 1994), e autor do gol de pênalti que deu o título mundial à Alemanha Ocidental em 1990, Brehme teve passagem pouco lembrada de uma temporada pelo Zaragoza, que serviu de ponte entre seu vitorioso período na Internazionale e o retorno ao Kaiserslautern, primeiro clube em que se destacara na Bundesliga. Casado com uma nativa da cidade, ele assinou com o clube aragonês após a Eurocopa de 1992, depois de não acertar com Barcelona e Atlético de Madrid.

Brehme marcou um gol de pênalti em sua estreia, na vitória sobre o Espanyol por 2 a 1. Mas a equipe dirigida por Víctor Fernández sucumbiria a problemas defensivos ao longo da temporada, terminando num modesto nono lugar. O próprio alemão afirmaria mais tarde que naquela altura, aos 32 anos, já não tinha condições físicas de atuar como lateral. Mesmo assim, os aragoneses chegariam à final da Copa do Rei, batidos – sem Brehme – pelo Real Madrid. E cairiam nas oitavas da Copa da Uefa para um alemão, o Borussia Dortmund.

Bodo Illgner

Real Madrid (1996-2001)

Illgner levou o Real Madrid a reconquistar a Champions

Quando chegou ao Real Madrid, contratado no fim de agosto de 1996, aos 29 anos, Illgner já era um goleiro consagrado. Seu currículo incluía duas Copas do Mundo como titular da Alemanha, tendo sido campeão na primeira, em 1990. Aliás, ele já havia se aposentado da Nationalelf – um tanto precocemente – após o Mundial dos Estados Unidos. Também já havia feito quatro partidas pela temporada 1996/97 da Bundesliga no gol do Colônia, seu único clube da carreira até ali, no qual sucedera um nome lendário: Harald Schumacher.

Era, portanto, a aposta na experiência de um Real Madrid que, agora sob o comando do italiano Fabio Capello, buscava se reerguer após uma desastrosa temporada 1995/96, quando terminou em sexto na liga e fora das competições europeias. E além de mais uma vez chegar para suceder um nome histórico do clube na posição (o veterano Paco Buyo, prestes a se aposentar), Illgner concorreria com um jovem ascendente, Santiago Cañizares. Mas em seu primeiro ano no clube, ele se firmaria como titular absoluto.

Na liga, o Real Madrid faria campanha muito sólida, sofrendo a primeira derrota só na 25ª rodada e a segunda na 37ª, com Illgner de titular em 40 das 42 partidas. Capello, porém, deixou o clube logo após o título, e o alemão Jupp Heynckes assumiu o cargo. Ironicamente, de início ele preteriu Illgner, trazendo Cañizares ao posto de titular. A partir de fevereiro de 1998, porém, o ex-arqueiro do Colônia reassumiu a posição, justamente no mata-mata da Liga dos Campeões, a qual o Real conquistaria, pondo fim a um jejum de 32 anos.

Com Cañizares vendido ao Valencia, Illgner permaneceria como dono da posição pela turbulenta temporada 1998/99, na qual o Real Madrid enfrentou troca de treinador durante a campanha e só conquistou o Mundial Interclubes. Mas naquele momento surgia na base merengue um jovem destinado a fazer história no clube: Iker Casillas, de apenas 18 anos, suplantou não só o alemão experiente como também o recém-contratado argentino Albano Bizzarri ao longo da temporada 1999/00, quando o Real reconquistou a Champions.

Illgner faria apenas sete partidas de competição naquela temporada e não chegaria a entrar em campo na seguinte, após a qual decidiria pendurar as luvas aos 34 anos. Mas sua carreira no clube recebeu o reconhecimento em novembro de 2013, quando o site do jornal espanhol Marca o apontou como o goleiro da seleção histórica de estrangeiros do Real Madrid a partir de uma enquete feita com torcedores merengues.

Gerhard Poschner

Rayo Vallecano (1999-2001)

Poschner, destaque num folclórico Rayo Vallecano

Meia-armador do célebre Rayo Vallecano da “camisa da abelhinha”, Poschner nasceu na Romênia e migrou com a família para a Alemanha Ocidental aos cinco anos. No futebol, foi revelado pelo Stuttgart, mas pouco jogou pelos suábios em sua primeira passagem. Só depois de se transferir ao Borussia Dortmund em 1990 e passar quatro temporadas como titular dos aurinegros é que ele voltaria ao Neckarstadion para agora sim figurar com frequência no time e ajudá-lo a levantar o caneco da Copa da Alemanha em 1997.

Na janela de inverno da temporada 1998/99, ele deixaria o clube para sua primeira experiência no exterior, juntando-se ao Venezia, pelo qual acabou entrando em campo apenas uma vez em seis meses. E de lá seguiria ao Rayo para duas campanhas inesquecíveis para os franjirrojos. Na primeira, o clube chegou a liderar a liga e registrou vitórias históricas sobre Atlético de Madrid, Athletic Bilbao, Barcelona (todas fora de casa) e o futuro campeão Deportivo La Coruña, além de arrancar um 0 a 0 com o Real Madrid no Santiago Bernabéu.

Além de obter sua melhor colocação – nono lugar – na história da liga até ali, o Rayo ganhou uma vaga na Copa da Uefa ao ser indicado pelo prêmio Fair Play, dado às equipes mais disciplinadas. E Poschner, com seu visual que remetia a Antonio Banderas no filme “A Balada do Pistoleiro”, seguiria como uma das peças centrais do time numa campanha europeia histórica que só pararia nas quartas de final. “Poschi” deixaria o clube logo depois rumo ao Rapid Viena, mas ainda voltaria à Espanha para defender o pequeno Poli Ejido.

Foto de Emmanuel do Valle

Emmanuel do Valle

Além de colaborações periódicas, quinzenalmente o jornalista Emmanuel do Valle publica na Trivela a coluna ‘Azarões Eternos’, rememorando times fora dos holofotes que protagonizaram campanhas históricas.
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