Copa do Mundo

Por que técnico da França define amistosos com Brasil e Colômbia como ‘não ideais’

Didier Deschamps, comandante do selecionado francês, projetou partida contra a seleção brasileira

A França terá uma Data Fifa de bons testes no fim deste mês. Em dois amistosos nos Estados Unidos, primeiro enfrenta a seleção brasileira, em 26 de março, e quatro dias depois a Colômbia. Serão partidas para mostrar como os Bleus podem competir com rivais fora da Europa antes da Copa do Mundo, mas nem todo mundo ficou satisfeito com esses jogos.

O técnico Didier Deschamps, em entrevista coletiva após anunciar os convocados para os amistosos nesta quinta-feira (19), disse em duas oportunidades que os duelos não são ideais pelo curto espaço de tempo e poucos treinamentos, ainda com uma viagem a um dos países-sede do Mundial.

Ele, no entanto, destacou que as partidas ao menos servirão para lhe dar alguns recados. “Enfrentar Brasil e Colômbia, dois adversários de altíssimo nível, vai nos dar respostas adicionais“, apontou.

Não vou esconder que esses amistosos não são ideais do ponto de vista esportivo, por conta da sequência de jogos. Temos essas duas partidas com sessões de treino extremamente reduzidas. […] Não se deve tirar conclusões precipitadas sobre essa lista. Ainda há dois meses pela frente e muita coisa pode evoluir. Jules Koundé e Barcola, por exemplo, estão lesionados.

— Nós ‘conquistamos’ [ter a chance de jogar amistosos], já que não temos repescagem a disputar, mas não é o ideal do ponto de vista esportivo. Há outros fatores que entram em jogo, e eu preciso lidar com isso como treinador — completou.

Didier Deschamps em jogo da seleção francesa
Didier Deschamps em jogo da seleção francesa (Foto: Baptiste Fernandez/Icon Sport)

‘Enfrentar o Brasil é um momento especial’, diz Deschamps

O treinador da seleção francesa trata os brasileiros como um dos possíveis campeões da Copa no meio deste ano e destacou Carlo Ancelotti, que treinou Deschamps quando ele era jogador da Juventus. O francês ainda assumiu que deu uma olhada na convocação da Canarinho e exaltou a longa tradição da partida.

— O Brasil sempre está entre as grandes potências do futebol mundial. Tem um treinador que conheço bem, já que trabalhei com ele na Juventus, ainda que por pouco tempo. Vi a lista divulgada, com alguns jogadores ausentes. Enfrentar o Brasil é sempre um momento especial. Já conversamos sobre isso com os jogadores — contou.

— Fazer uma partida contra o Brasil é algo que mobiliza todo mundo. Há também a história entre as duas seleções, marcada por muito respeito. Eles estão entre os candidatos ao título mundial neste verão. Será um grande confronto — projetou.

O confronto com a Colômbia, apesar de chamar menos atenção que o clássico com o Brasil, também será um grande teste. Os Cafeteros ficaram invictos entre 2022 e 2024, foram vice-campeões da Copa América e terminaram as Eliminatórias Sul-Americanas em terceiro, tendo batido a líder Argentina em uma oportunidade.

— Embora tenha menos destaque midiático em relação ao Brasil, a Colômbia é uma das seleções muito fortes da América do Sul. Também é um prazer enfrentá-los. Em três dias, teremos dois adversários de altíssimo nível. Vamos ter desafios para resolver — espero que não muitos. Ainda assim, é melhor do que disputar amistosos que, às vezes, não acrescentam muita coisa.

A convocação da França para os amistosos contra Brasil e Colômbia

  • Goleiros: Lucas Chevalier (PSG); Mike Maignan (Milan); Brice Samba (Rennes).
  • Defensores: Lucas Digne (Aston Villa); Malo Gusto (Chelsea); Lucas Hernandez (PSG); Théo Hernandez (Al-Hilal); Pierre Kalulu (Juventus) Ibrahima Konaté (Liverpool); Willian Saliba (Arsenal); Dayot Upamecano (Bayern de Munique).
  • Meio-campistas: Eduardo Camavinga (Real Madrid); N’Golo Kanté (Fenerbahçe); Manu Koné (Roma); Rabiot (Milan); Aurelien Tchouaméni (Real Madrid); Zaïre-Emery (PSG).
  • Atacantes: Maghnes Akliouche (Monaco);  Rayan Cherki (Manchester City); Ousmane Dembélé (PSG); Desiré Doué (PSG); Hugo Ekitiké (Liverpool); Randal Kolo Muani (Tottenham); Kylian Mbappé (Real Madrid); Michael Olise (Bayern de Munique); Marcus Thuram (Inter de Milão).

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França é favorita à Copa do Mundo?

A seleção francesa, por sua geração de jogadores talentosos e nem tanto pelo trabalho de Deschamps, aparece entre as favoritas à Copa desde 2018 — venceu uma e acabou vice em outra. O técnico, claro, tem mérito de tornar o time competitivo e ter criado uma aura vencedora, com um sistema conservador e de poucos riscos. Mas, em futebol jogado, jamais empolgou.

Tem seguido assim no ciclo entre 2023 até agora, às vésperas do Mundial. A equipe se escora na qualidade técnica privilegiada que possui. Ofensivamente, nenhum país no mundo tem opções como Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé (atual Bola de Ouro), Michael Olise, Rayan Cherki, Hugo Ekitiké, Deside Doué e Bradley Barcola.

Até por isso, está no top três de favoritas ao título, à frente da seleção brasileira, em patamar parecido com o da atual campeã Argentina e só atrás da Espanha, maior força do futebol de seleções. Se culminará em outra campanha marcante, como as duas últimas, só se saberá entre junho e julho deste ano.

A França divide o difícil grupo I da Copa com Senegal, Noruega e um selecionado que vier da repescagem — Bolívia, Suriname ou Iraque.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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