Depois de ser tão criticado (e com razão), Rabiot liderou a reação da França e agora merece ser exaltado
Rabiot fez grande partida na goleada contra a Austrália, especialmente pelos dois gols que iniciaram a virada
A escalação de Adrien Rabiot como titular da seleção francesa fez muita gente torcer o nariz. E não dá para tirar a razão de quem questiona o meio-campista: ao longo da carreira, ele pareceu receber mais chances do que seu futebol merecia. Não acrescentava tanto ao Paris Saint-Germain e também não deslanchou em seus primeiros anos na Juventus. O comportamento de sua mãe e empresária, além do mais, gerava antipatia ao jogador. A escolha por Rabiot nesta estreia de Copa do Mundo, porém, se explicava. O volante atravessa seu melhor momento pela Juve e, com tantos desfalques, parecia a melhor alternativa para acompanhar Aurélien Tchouaméni na cabeça de área. Uma escolha que se justificou na bola: Rabiot não apenas teve ótima atuação nos 4 a 1 sobre a Austrália, como também liderou a virada francesa. Os questionamentos sobre seu nome diminuem.
A convocação de Adrien Rabiot, por si, já representava uma volta por cima em relação ao que aconteceu em 2018. Vale lembrar que a ausência do meio-campista no Mundial da Rússia causou tumulto. Didier Deschamps preferiu deixar o jogador do PSG na lista de suplentes e o atleta não gostou nada. Enviou um e-mail para o treinador, dizendo que não seguiria o programa de treinos para se manter em forma durante a preparação dos Bleus, caso houvesse alguma emergência e precisasse ser chamado. Não à toa, o volante deixaria as convocações por mais de dois anos.
A anistia para Rabiot aconteceu em setembro de 2020. Paul Pogba sofria com os problemas físicos e, num setor no qual as opções da França não são tão abundantes assim, Rabiot até reapareceu como titular. O volante compôs uma trinca com Pogba e N’Golo Kanté durante a Eurocopa, além de ser improvisado até na ala. Também esteve presente na conquista da Liga das Nações, embora seu desfalque na decisão tenha sido conveniente, pela maneira como Aurélien Tchouaméni se encaixou no time. Nada, porém, que custasse o lugar de Rabiot nas convocações dos Bleus.
O chamado para a Copa do Mundo soava natural para Rabiot. Se em outros momentos no qual o meio-campista não vinha bem ele continuou convocado, dessa vez a oportunidade era plenamente justificável. Por mais que a Juventus não faça boa temporada, o volante é dos raros que se salvam no time e garantiu algumas vitórias recentes. Dá até para dizer que é a melhor sequência de sua carreira. Além do mais, a longa lista de desfalques da França o respaldava. Sem Pogba e Kanté, sobretudo, Rabiot era mesmo uma das principais opções. Tinha mais qualidade que Matteo Guendouzi, mais experiência que Eduardo Camavinga, mais encaixe que Youssouf Fofana. Poderia ser um operário ao lado das verdadeiras estrelas, e parece ter amadurecido desde o chilique em 2018.
O esteio no meio-campo da França se chama Aurélien Tchouaméni. Contra a Austrália, o cabeça de área foi um leão na proteção e na distribuição. Os Bleus se valeram bastante também da capacidade de armação de Dayot Upamecano em seus lançamentos. Enquanto isso, Rabiot foi um ótimo elo entre o setor defensivo e o ofensivo. Movimentou-se por todo o campo, se apresentou em vários cantos, mordeu bastante. E fez a diferença para a construção da goleada, em especial no momento de maior provação. Os Bleus não começaram bem e dependeram dos serviços do camisa 14 para a virada.
Primeiro, Rabiot estava na área para a bola parada. Seu gol de cabeça, para empatar o jogo, virou a chavinha da França. Depois, na crescente da equipe, fez de tudo um pouco no segundo tento. Roubou a bola, recebeu o passe de calcanhar de Kylian Mbappé, cruzou para Olivier Giroud concluir. Rabiot contribuiu nos dois lados do campo, esquerdo e direito, e também nas duas metades, ofensiva e defensiva. Desta vez merece elogios, mesmo que a Austrália não seja tanto parâmetro.
Obviamente, o histórico de Rabiot não permite elogios tão rasgados assim. Ainda dá tempo para que a França quebre a cara com o meio-campista, especialmente contra times mais difíceis. Porém, num momento em que os Bleus precisam de respostas depois de muitos problemas, o meio-campista trabalhou brilhantemente pelo coletivo. Segurou as pontas e também foi premiado por lances decisivos. Pode fazer mais durante o Mundial. Sua mãe, Véronique, certamente está orgulhosa.



