Copa do Mundo

Courtois salvou quando a Bélgica mais precisou – e provavelmente não será a última vez

O melhor goleiro do mundo não fez tantas defesas, mas apareceu em momentos críticos do jogo para garantir a vitória belga

A Bélgica envelheceu. Alguns dos pilares da geração que tanto chamou a atenção ao longo da última década se aposentaram ou não estão mais em grande fase. Em sua estreia na Copa do Mundo nesta quarta-feira, Romelu Lukaku estava machucado, Eden Hazard não produziu e até Kevin de Bruyne teve um jogo ruim. O único que manteve a excelência foi o goleiro Thibaut Courtois, decisivo quando a seleção belga mais precisou para garantir a vitória apertada por 1 a 0 sobre o Canadá.

Uma noite infeliz não apaga o brilhantismo de De Bruyne, que chegou em forma para o Mundial. Courtois, porém, está ainda melhor, provavelmente em seu auge. Foi o principal goleiro do mundo na última temporada e merecidamente levou o prêmio Lev Yashin da revista France Football pelas defesas que contribuíram para o Real Madrid ganhar a Champions League. Decisivo ao longo de todo o mata-mata e o craque da final contra o Liverpool em Istambul.

Grande goleiro ele sempre foi. Desde que começou a aparecer pelo Atlético de Madrid emprestado pelo Chelsea. Precisou esperar o ocaso de Petr Cech para ganhar chances em Stamford Bridge e foi contratado para resolver uma carência que o Real Madrid achava que tinha: um goleiro badalado e com grife. Por pura qualidade, Keylor Navas era mais do que adequado para defender a meta merengue, mas isso não diminui a competência de Courtois.

Ele está na seleção desde 2011 e é apenas o sétimo do elenco de Roberto Martínez em jogos (98), embora tenha entrado em campo sempre que possível nesse período. Se a Bélgica repetiu o melhor resultado da sua história na Rússia (na prática, ficou até uma posição à frente do time de 1986, em terceiro lugar), foi também por causa dele. As defesas naquelas quartas de final ainda estão marcadas na memória do torcedor do Brasil.

Trabalhou menos contra o Canadá. Três vezes. Começou com pênalti de Alphonso Davies, aos 10 minutos. Pouco depois, espalmou um chute muito forte e de frente de Alistair Johnston. Depois do intervalo, estava bem posicionado para agarrar a cabeçada de Cyle Larin. É verdade que contou com a falta de pontaria dos canadenses, mas apareceu com defesas importantes em momentos críticos do jogo e não deve ser a última vez que isso acontecerá no Catar.

A defesa da Bélgica, o setor mais preocupante e menos renovado da seleção, nem fez uma partida ruim. Toby Alderweireld, Leander Dendoncker e Jan Vertonghen foram relativamente seguros. Ainda assim, Courtois teve que trabalhar. E quando não forem? A terceira colocada da última Copa do Mundo terá que contar com o seu goleiro e a boa notícia é que ele costuma sempre corresponder.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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