Copa do Mundo

Copa do Mundo com 64 seleções? Entenda pedido da Conmebol e discussão na Fifa

Dirigentes da Conmebol se reuniram com Gianni Infantino na Trump Tower para sugerir uma edição ainda maior; ideia enfrenta resistência na Uefa e na Concacaf

A Fifa voltou a discutir mudanças no formato da Copa do Mundo. Em reunião realizada na terça-feira (23), na Trump Tower, em Nova York, representantes da Conmebol e chefes de estado de Paraguai e Uruguai apresentaram formalmente a proposta de expandir o torneio de 2030 para 64 seleções -– a maior edição da história.

O encontro contou com a presença do presidente da Fifa, Gianni Infantino, e do secretário-geral, Mattias Grafstrom, além de dirigentes sul-americanos como Alejandro Domínguez (Conmebol), Robert Harrison (Paraguai), Nacho Alonso (Uruguai) e Claudio Tapia (Federação Argentina).

Os presidentes Santiago Peña (Paraguai) e Yamandú Orsi (Uruguai) também estiveram presentes. O presidente argentino, Javier Milei, não compareceu por estar em reunião com Donald Trump.

Proposta de ‘Copa do Mundo gigante’ para marcar o centenário

Domínguez, que também é vice-presidente da Fifa, defendeu que o torneio de 2030, que marcará os 100 anos da primeira Copa, disputada no Uruguai, seja especial. A sugestão de aumentar o número de seleções de 48 para 64 foi inicialmente feita por Ignacio Alonso, presidente da federação uruguaia, em reunião do Conselho da Fifa em março, e desde então vem sendo trabalhada pela Conembol.

Não pode ser apenas mais um evento, não pode ser uma Copa normal. É uma oportunidade única em 100 anos”, afirmou Domínguez em vídeo publicado nas redes sociais.

Infantino, presidente da Fifa (Foto: Imago)

A proposta inclui a possibilidade de Paraguai, Uruguai e Argentina sediar ao menos um grupo cada, aumentando o protagonismo da América do Sul na edição centenária.

Atualmente, o formato definido prevê apenas três jogos inaugurais no continente, antes de a maior parte da competição ser disputada em Espanha, Portugal e Marrocos.

Os sul-americanos argumentam que essa participação limitada pode afastar a região de futuras edições devido à política de rotação da Fifa, que impede que a mesma confederação sedie o torneio novamente em um curto intervalo de tempo.

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Resistência da Uefa e Concacaf sobre ideia da Conmebol

Apesar do entusiasmo da entidade do futebol sul-americano, a ideia enfrenta oposição. O presidente da Uefa, Aleksander Čeferin, classificou a proposta como “ruim”, alegando que uma edição tão inflada prejudicaria a competitividade da fase de qualificação e o prestígio do torneio.

“Nem sequer demos o pontapé inicial no formato de 48 seleções. Estudar é válido, mas não parece certo”, reforçou Victor Montagliani, presidente da Concacaf e vice da Fifa.

Desde 1982, a Copa do Mundo tem passado por expansões: de 16 para 24 seleções, depois para 32 em 1998 e agora para 48 a partir de 2026, que será sediada por EUA, Canadá e México. Se aprovada, a nova mudança para 64 times colocaria mais de 30% das 211 seleções filiadas à Fifa na disputa.

Decisão ficará com o Conselho da Fifa

Qualquer mudança precisa ser aprovada pelo Conselho da Fifa em reunião futura. A entidade afirmou que tem “o dever de analisar toda proposta apresentada em seu Conselho”, mas destacou que nenhuma decisão foi tomada até o momento.

A Copa do Mundo de 2030 já será histórica por reunir seis países-sede em três continentes. A expansão para 64 equipes, caso seja aprovada, pode transformar a edição na mais abrangente da história do futebol –- e reacender o protagonismo sul-americano em um torneio que nasceu no continente há um século.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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