Copa do Mundo

Copa do Mundo: Fifa recebeu 145 denúncias sobre direitos humanos no Mundial nos EUA

Preocupações sobre políticas migratórias, calor extremo e discriminação chamaram atenção e podem impactar Copa do Mundo de 2026

A Fifa confirmou ter recebido 145 denúncias relacionadas a direitos humanos durante o último Mundial de Clubes, realizado nos Estados Unidos. Os relatos foram feitos por torcedores através do portal oficial de reclamações da entidade, por e-mail e até presencialmente em estádios.

O maior número de queixas envolveu preocupações com políticas do governo dos EUA ou sua aplicação, incluindo relatos de torcedores incomodados com a presença de agentes do Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) e do ICE, órgão de fiscalização de imigração.

A segunda categoria mais numerosa envolveu reclamações sobre o calor extremo, que afetou a experiência de torcedores e jogadores em várias sedes do torneio.

Políticas migratórias e ambiente de tensão lideram preocupações para a Fifa

Apesar do discurso otimista de Gianni Infantino, presidente da entidade, que declarou que o torneio ocorreu em uma “atmosfera alegre” e sem incidentes, documentos obtidos pelo “The Athletic” mostram que a entidade abriu dezenas de investigações para lidar com os relatos.

Das 145 denúncias, 37 estavam ligadas a políticas federais dos EUA ou sua aplicação. Algumas delas questionavam se o país deveria receber o Mundial de Clubes e até mesmo a Copa do Mundo de 2026, considerando as ações e discursos do governo de Donald Trump.

Trump e Palmer na final do Mundial de Clubes
Trump e Palmer na final do Mundial de Clubes (Foto: Imago)

Em alguns estádios, torcedores relataram desconforto com suposta presença de agentes federais, embora o Departamento de Segurança Interna (DHS) tenha negado qualquer operação de fiscalização migratória durante o torneio.

“Nem o ICE nem o CBP realizaram qualquer ação de fiscalização. Este é mais um caso de propagação do medo”, disse um porta-voz ao “The Athletic”.

Outro ponto de tensão foi o calor extremo. Partidas em cidades como Cincinnati registraram temperaturas tão altas que reservas do Borussia Dortmund assistiram à parte do jogo em ambientes internos. Torcedores reclamaram de filas longas para bebedouros e preços altos para água, o que levou a Fifa a abrir 25 investigações sobre possíveis riscos à saúde.

Além disso, mais de 20 reclamações estavam relacionadas a problemas de acessibilidade e discriminação. Ativistas criticaram a decisão da entidade de reduzir a visibilidade de campanhas contra o racismo e de inclusão nos estádios, o que, para eles, estaria alinhado a cortes promovidos pela administração Trump em políticas de diversidade.

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Preparativos para a Copa do Mundo de 2026

As lições da Copa do Mundo de Clubes chegam em um momento crucial, já que os Estados Unidos, ao lado de México e Canadá, se preparam para sediar a Copa do Mundo de 2026. A preocupação com segurança é tão grande que várias cidades-sede já anunciaram planos de mobilização especial de policiais.

Departamentos de polícia em cidades como Kansas City e Dallas informaram que oficiais não poderão tirar férias durante o torneio, que vai de 28 de maio a 26 de julho de 2026. Em Santa Clara, sede de jogos no Levi’s Stadium, a decisão foi voluntária, mas todo o efetivo estará de prontidão para garantir a segurança.

Com o torneio coincidindo com o 250º aniversário da Declaração de Independência dos EUA, as autoridades esperam uma operação de segurança sem precedentes. Escoltas policiais serão fornecidas para equipes, árbitros, autoridades da Fifa e convidados VIP, de acordo com os contratos de cidade-sede obtidos pelo “The Athletic”.

A Fifa declarou que considera o recebimento de denúncias um sinal de que seu sistema de devida diligência em direitos humanos está funcionando, e promete dar atenção aos problemas levantados. Para a entidade, o desafio será garantir que o Mundial de 2026 ocorra em um ambiente seguro, inclusivo e sem repetir os problemas relatados por torcedores no torneio deste ano.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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