Copa do MundoFiscalize Catar 2022

Copa com 40 times? Possibilidade deve ser discutida em reunião do Conselho da Fifa

Um dos argumentos usados por Gianni Infantino para ser eleito presidente da Fifa foi falar em uma Copa do Mundo com 40 seleções. A possibilidade animou muitos países menores, atualmente sem grandes chances de chegar ao principal torneio de futebol do mundo. A ideia pareceu ter ficado adormecida, mas voltou à pauta depois do dirigente ser questionado por jornalistas sobre a possibilidade.

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Mais do que a Copa do Mundo com 40 seleções, outro ponto que foi levantado nas perguntas dos jornalistas foi a possibilidade de três países sediarem o evento. Isso porque se ventila a possibilidade do Mundial ter Estados Unidos, Canadá e México como candidatos a sede em 2026.

“Estes dois tópicos certamente estarão na mesa para discussão”, afirmou Infantino, se referindo à reunião do Conselho da Fifa nos dias 13 e 14 de outubro em Zurique. “Então, aí está, eu diria que não há limite para o que for bom para o futebol”, afirmou o dirigente. “Nós veremos, mas é verdade que a Concacaf não recebe uma Copa do Mundo há muito tempo”.

Precisamente desde 1994, quando os Estados Unidos sediaram o evento. O Canadá foi sede da Copa do Mundo feminina em 2015, enquanto o México sediou duas vezes o Mundial, em 1970 e em 1986, depois da desistência de última hora da Colômbia.

A escolha da sede da Copa de 2026 será feita em 2020. Depois de 2014, no Brasil, a Copa de 2018 volta à Europa em 2018, na Rússia, e vai para a Ásia, no Catar, em 2022. Como oficialmente não há mais o rodízio de continentes, em tese será possível que um país europeu se candidate, mas a Concacaf tem feito força para receber o evento. Os Estados Unidos pintam como principais candidatos a receberem este Mundial.

A mudança de 32 para 40 seleções teria que ser aprovada no Conselho da Fifa, que, nesta próxima reunião, em outubro, será expandido para incluir 36 novos membros eleitos pelas seis confederações continentais de futebol. O aumento de participantes no Mundial terá que ser aprovado nas reuniões do Conselho.

“No momento, eu acho que está tudo aberto. A minha opinião em relação aos 40 times não mudou”, afirmou Infantino, depoi de uma reunião com a Associação de Clubes Europeus (em inglês, ECA). Justamente uma das entidades que é veementemente contra a expansão, afinal, seus clubes não querem liberar ainda mais jogadores para o torneio de seleções.

“Nós vimos isso novamente na Eurocopa na França com oito times a mais, o tipo de entusiasmo que isso gerou em muitos, muitos países”, argumentou o dirigente. “Nós temos que perceber que este tipo de evento é mais do que apenas uma competição, eles são verdadeiros eventos sociais em todo o mundo”, continuou.

Dois membros europeus do Conselho da Fifa estão suspensos por envolvimento em escândalos. Wolfgang Niersbach, da Alemanha, não estará na reunião porque foi punido com um ano de suspensão por irregularidades na organização da Copa do Mundo de 2006. O ministro dos esportes da Rússia, Vitaly Mutko, foi envolvido na acusação da WADA sobre ter encoberto casos de doping de jogadores de futebol. Os investigadores do Comitê de Ética da Fifa afirmaram que irão analisar o caso.

“Eu não tenho preocupações com o Conselho”, declarou Infantino. “É o nosso trabalho não nos deixarmos distrair do que temos que fazer, que é implantar as reformas e mostrar que somos a nova Fifa”, explicou o presidente da entidade, que assumiu em fevereiro com promessas de melhorar o órgão que dirige o futebol mundial.

A ideia da Copa com 40 times pode ter ajudado Infantino a se eleger, mas tentar passar essa ideia será uma tarefa bem mais complicada. Considerando a dificuldade em fazer as reformas necessárias no futebol dentro da Fifa, talvez seja uma iniciativa que custe um capital político muito alto ao presidente.

Os grandes clubes europeus, através do ECA, além de associações como a Uefa, de onde ele veio, devem ser contrários à expansão. Por isso, será preciso mais do que habilidade em falar em público. E considerando o comportamento de Infantino até aqui, é possível que ele mesmo não queira a Copa co mais seleções a esta altura. Ainda mais sabendo que lhe custará caro.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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