Copa do Mundo

Contra a Alemanha, México obteve a vitória mais emblemática de suas 16 Copas do Mundo

O México participou de 15 das 20 Copas do Mundo realizadas anteriormente. Na Rússia, os mexicanos disputam o seu 16° Mundial, quinta maior marca na competição, abaixo apenas de Brasil, Alemanha, Itália e Argentina. No entanto, El Tri se acostumou com o papel de coadjuvante ao longo destas quase nove décadas mundialistas. Precisou entrar em campo 14 vezes até conquistar a sua primeira vitória, em 1962, e ganhou apenas 15 das 54 partidas que disputou no certame. A mais emblemática, conquistada neste domingo, em sua estreia na Copa de 2018, sobre a Alemanha. É um resultado simbólico aos mexicanos em vários sentidos.

Das 14 vitórias anteriores do México, a mais importante aconteceu em 1986. El Tri jogava diante de sua torcida no Estádio Azteca, contra a Bulgária, que possuía um elenco sem grandes nomes e ainda não preparava a famosa geração de 1994. Após deixarem Alemanha Oriental e Iugoslávia para trás nas Eliminatórias, os búlgaros passaram na fase de grupos como um dos melhores terceiros colocados, com empates contra Itália e Coreia do Sul, além da derrota ante a Argentina. Então, o México derrotou os europeus por 2 a 0, com direito a um gol espetacular de Manuel Negrete. O triunfo botou os anfitriões nas quartas de final. Naquela campanha, aliás, os mexicanos terminaram na primeira colocação de seu grupo na fase anterior. Tinham batido, além do Iraque, também a Bélgica, que alcançaria as semifinais naquela edição.

Antes disso, há outros resultados notáveis. A primeira vitória aconteceu em 1962. O México derrotou a Tchecoslováquia de Josef Masopust por 3 a 1 na rodada final da fase de grupos. O resultado, entretanto, não atrapalhou os futuros vice-campeões e nem valeu a classificação a El Tri, em chave que também tinha Brasil e Espanha. Na fase de grupos de 1970, após a goleada sobre El Salvador, o México deu um passo à frente ao superar a Bélgica por 1 a 0, antes de cair nas quartas de final contra a Itália. Teria que esperar até 1986 até ganhar de novo. Já a partir de 1994, aconteceram as vitórias que valeram as classificações na primeira fase, antecedendo as seis quedas nas oitavas. Superaram Irlanda (1994); Coreia do Sul (1998); Croácia e Equador (2002); Irã (2006); França (2010); e Camarões e Croácia (2014). Destas, um peso maior aos 2 a 0 sobre os franceses na África do Sul, em meio à bagunça dos então vice-campeões mundiais.

Contra a Alemanha, o México supera não somente os atuais detentores do título, os tetracampeões mundiais. É também um triunfo contra uma seleção de peso que foi seu pesadelo diversas vezes nas Copas do Mundo. A maior derrota sofrida por El Tri aconteceu contra o Nationalelf, na fase de grupos de 1978. Os sonhos em 1986 foram interrompidos justamente contra os alemães, nas quartas de final, em derrota que aconteceu apenas nos pênaltis, após o placar permanecer zerado ao longo de 120 minutos. E em 1998, os germânicos voltaram a ser algozes nas oitavas de final.

Ainda há um longo do caminho ao México em 2018, embora o favoritismo comece a pender ao time de Juan Carlos Osorio contra Suécia e (principalmente) Coreia do Sul. Uma vitória nos próximos compromissos já deve valer a classificação aos mata-matas. De qualquer forma, não se nega que um capítulo importante da história da seleção mexicana foi escrito neste domingo. Se Bulgária, Bélgica ou França tinham sua representatividade, ela não se compara a uma Alemanha que sustenta a sua imponência, mesmo que o momento não seja favorável. El Tri venceu e deu um baile nos alemães, na bola e na tática. Não fosse a letargia do ataque na hora de resolver as jogadas, o placar poderia ter sido bem mais elástico.

As reações, por fim, dizem muito. A emoção se escancarou dentro de campo e nas arquibancadas. Enquanto o clássico ‘Cielito lindo’ ecoava no Estádio Luzhniki, os jogadores seguraram o resultado até o apito final. Os versos da canção, inclusive, também servem para o domingo memorável. Cantando, e sem chorar mais, os mexicanos puderam se alegrar. É a vitória pela qual tanto se empenharam nos Mundiais, e que nunca vinha diante dos gigantes. Será um jogo lembrado por todos os mexicanos e por aqueles que simpatizaram com a entrega de El Tri, em uma atuação contagiante. As grandes partidas de Copa do Mundo, afinal, são aquelas que marcam uma nação e também são exaltadas além das fronteiras.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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