Contos Russos #30: Kanté, Modric e Hazard
Os três melhores jogadores do Mundial são os três que dão título à coluna de hoje. Claro que outros caras podem ter o maior domingo da vida e decidir uma final de Copa, fazendo com que todos, inclusive eu, reverenciem o grande nome da conquista. Claro também que é uma opinião extremamente pessoal, e para que serveria essa conversa se não o fosse, e assistimos futebol também para discordar dos outros. Então, vamos lá:
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Kanté é um assombro. Correu tanto quanto os croatas que mais correm, mesmo os rivais da final tendo três prorrogações no caminho – ou seja, um jogo a mais. Está em todos os lugares do campo e limpa a barra, de forma discreta e voluntariosa, como ninguém na Rússia. É tão presente que por inércia ainda melhora o futebol de Pogba e Matuidi. Claro que é um volante e tem como maiores atributos o preparo físico e a inteligência tática, e é compreensível que não chame tanta atenção e acabe ofuscado por alguém do ataque francês. Faz parte da cultura do jogo. Sem essa de Kanté injustiçado ou subestimado por causa de um prêmio oficial ou de uma capa de revista.
Modric é craque no significado completo da palavra. Não bastasse jogar muita bola, veste a faixa de capitão e cresce ao ser dono do time. Faz o jogo absoluto do meio do campo, dá um passo para trás quando precisa, chega na área quando é necessário, protege, toca, lança, acelera, segura. Um camisa 10 em plena forma e, se não havia muito questionamento técnico, foi à prova no jogo mental e físico – um leão nas longas prorrogações vividas pelo time da Croácia.
Hazard jogou demais nos dois jogos para a história do time belga. Não é normal um cara ter um aproveitando de dribles tão alto contra rivais tão fortes como Brasil e França. Não que tenha sido novidade a capacidade técnica, claro que o Hazard é bola e não é de hoje. Mas o que ele foi para cima na última semana é brincadeira. Passou por quem quis e não foi encontrado na vitória contra os brasileiros, e repetiu a dose partindo no mano a mano e dando a vida contra os franceses. O rendimento foi tanto que até o colega de clube Kanté, tão preciso até então, precisou agarrá-lo por trás numa falta de cartão amarelo.
Independente do final de semana derradeiro, foram os três jogadores que mais gostei de ver na Copa, três atuações individuais que valeram a cerveja (às vezes o café). Para domingo, daria também para falar da linha de defesa da França, de Pogba, e acho que, entre Mbappé e Griezmann, se sair gol e título, sai também o craque do torneio eleito pelo Fifa. Do outro lado, Subasic é um destaque revelante e provável herói, assim como a possibilidade de mais um grande jogo de Lovren e Vida, ou de Rakitic, Rebic, Perisic e Mandzukic, mesmo com menos apelo midiático que os citados atacantes franceses para efeito dessas honrarias individuais.
Ainda que depois que Oliver Kahn soltou a bola no pé de Ronaldo, talvez a melhor coisa seja fechar a boca – ou, no caso, ir de ponto final e desistir desse texto prévio.



