Copa do Mundo

Comitê organizador estima entre “400 e 500” mortes de trabalhadores imigrantes em todas as obras relacionadas à Copa do Mundo

Antes, o Comitê Supremo para Entrega e Legado confirmavam apenas as mortes de trabalhadores diretamente envolvidos com a construção dos estádios

O secretário-geral do Comitê Supremo do Catar, responsável pela organização da Copa do Mundo, Hassan al-Thawadi, afirmou que a estimativa de trabalhadores imigrantes que morreram em todas as obras relacionadas ao Mundial de 2022, não apenas nos estádios, é entre “400 e 500”, em uma entrevista ao programa do jornalista britânico Piers Morgan, na emissora de televisão Sky.

Al-Thawadi manteve que 37 trabalhadores imigrantes envolvidos com as obras dos estádios morreram durante a preparação, apenas três, segundo ele, por causas diretamente relacionados ao trabalho que estavam fazendo, em um contexto de diversas denúncias de condições laborais precárias, como exposição a temperaturas altas e expedientes muito longos.

Uma reportagem do jornal britânico The Guardian calculou que 6.500 trabalhadores imigrantes de Índia, Paquistão, Nepal, Bangladesh e Sri Lanka morreram no Catar desde que a Copa do Mundo foi concedida ao país do Oriente Médio em 2010, sem contar operários das Filipinas e do Quênia. Esse é o número total de mortes de imigrantes no país para o período, sem causa específica.

Em agosto de 2021, a Anistia Internacional afirmou que “as autoridades do Catar falharam em investigar as mortes de milhares de trabalhadores imigrantes ao longo da última década, apesar de evidências de relações entre mortes prematuras e condições de trabalho perigosas”. Pela primeira vez, o comitê responsável pela organização da Copa do Mundo apresentou uma estimativa de mortes relacionadas a todas as obras que foram feitas para o Mundial, não apenas estádios.

Após ouvir o discurso oficial de 37 mortes em estádios, Morgan perguntou diretamente: qual a estimativa realista de trabalhadores imigrantes que morreram como resultado de trabalho que eles fizeram para a Copa do Mundo na totalidade? “Entre 400 e 500”, disse Al-Thawadi. “Não tenho o número exato. É algo que está sendo discutido. Uma morte seria uma morte a mais (do que o aceitável)”.

Ele reconheceu que, quando a preparação começou, os padrões de segurança para os trabalhadores estavam longe do ideal. “Eu acho que no geral a necessidade de reformas trabalhistas diz que, sim, melhoras tinham que acontecer. Não foram por causa da Copa do Mundo. Eram melhoras que tínhamos que realizar. A Copa do Mundo serviu como acelerador, catalizador, por causa dos holofotes, causou muitas dessas iniciativas, não apenas em termos de legislação, mas de aplicação”, disse.

Ele citou especificamente o sistema kafala, análogo à escravidão, que prendia o trabalhador ao seu “patrocinador”. Significa que eles não podem mudar de trabalho ou deixar o país sem a autorização do empregador. O Catar passou legislação em agosto para abolir esse sistema. Em novembro de 2021, porém, a Anistia Internacional denunciou que a “realidade para muitos imigrantes continua dura” e que os piores elementos do kafala estavam sendo retomados.

Al-Thawadi também comentou os protestos em solidariedade à comunidade LGBT que algumas seleções europeias haviam planejado, usando uma braçadeira de capitão com as cores do arco-íris. Após enrolar meses para dar uma resposta, a Fifa ameaçou com cartão amarelo e suspensão caso os jogadores não usassem a braçadeira padrão preparada para a Copa do Mundo. O dirigente disse que não teria problema se os europeus quisessem enviar uma mensagem genérica, mas teria se fosse especificamente ao Catar.

Ele reforçou que “todos são bem-vindos” no Catar, onde a homossexualidade é criminalizada por lei, e repetiu que “expressões de afeto em público não fazem parte da nossa cultura independente de quem você é ou sua identificação sexual. E digo dentro do bom senso. Dar as mãos em público tudo bem”. Após ser questionado diretamente se casais homossexuais também poderiam dar as mãos em público, acrescentou: “Para todo mundo”.

“O que estou dizendo é que intimidade em público não é parte da nossa cultura. É uma cultura conservadora. No Ocidente, os direitos pessoais do indivíduo se sobrepõem aos direitos da comunidade. Em outras sociedades, como a nossa, os valores da comunidade, que são fundamentalmente relacionados à religião, são de valor maior”, explicou.

Ele também afirmou estar decepcionado com a BBC, que não exibiu a cerimônia de abertura da Copa do Mundo para discutir e expor as acusações de violações de direitos humanos contra o Catar, e acha que a França vai vencer a Copa do Mundo.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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