Copa do Mundo

Menos robô, mais magia: Como Cherki, fã de Ronaldinho, quer trazer o futebol de rua ao topo

Meia do Manchester City é uma das armas de Didier Deschamps em amistoso contra o Brasil nesta quinta-feira, em preparação para a Copa do Mundo

A música da seleção francesa para a Copa do Mundo destaca Ousmane Dembélé, atual Bola de Ouro é melhor jogador do mundo no The Best, da Fifa, logo em seu primeiro verso. O atacante do Paris Saint-Germain é acompanhado por Rayan Cherki, da nova geração da França, e que tenta fugir do “habitual” no futebol moderno — e uma das esperanças de Didier Deschamps na Copa do Mundo de 2026.

Meio-campo do Manchester City, Cherki é a principal aposta, juntamente com Desiré Doué, para o Mundial do Canadá, Estados Unidos e México. Ele tem apenas quatro partidas pela França até aqui, mas que foram suficientes para convencer Deschamps de que ele já está pronto para assumir a responsabilidade no ataque francês, seja como titular ou como um reserva imediato durante a Copa.

O habilidoso Cherki, com apenas 22 anos, já almeja o estrelato na Inglaterra. Depois de ser revelado pelo Lyon em 2020, se tornou a aposta do Manchester City para substituir o ídolo Kevin de Bruyne, que não renovou seu contrato para a temporada 2025/26. Pep Guardiola aprovou a chegada do francês, com o investimento de 40 milhões de euros (R$ 255 milhões à época).

Rayan Cherki, do Manchester City (Foto: Imago/News Images)
Rayan Cherki, do Manchester City, durante final da Copa da Liga InglesFoto: Imago/News Images)

Cherki quer se aproximar de Ronaldinho Gaúcho e do ‘futebol raiz’

Por que Cherki tem se destacado nos últimos anos? Pelas suas características em campo, principalmente. Ele é um jogador criativo — assim como De Bruyne foi, em seus anos na Inglaterra — e com uma “pitada” de irreverência.

Os vídeos de melhores momentos do jogador no Lyon eram repletos de dribles desconcertantes, finalizações potentes e passes magistrais, que rompem com o futebol pragmático que tem sido adotado na Europa nos últimos anos.

No próprio Manchester City, isso já lhe rendeu “problemas”. Ainda não conquistou a titularidade absoluta com Pep Guardiola, e foi cornetado pelo treinador em algumas ocasiões ao longo de seu primeiro ano na Inglaterra. No episódio mais recente, fez três embaixadinhas na final da Copa da Liga Inglesa, contra o Arsenal, e recebeu olhares de reprovação do treinador espanhol à beira do gramado.

Também nesta temporada, fez um cruzamento de letra na vitória do Manchester City sobre o Sunderland, por 3 a 0. Guardiola classificou o francês como um “dos mais talentosos que já viu em campo”, apesar de se opor a alguma dessas decisões individuais que ele tem tomado durante sua passagem na Inglaterra. Decisões estas que têm um propósito: trazer de volta o futebol “raiz”, de quando Cherki ainda era uma criança.

Pep Guardiola fala com Rayan Cherki (Foto : IMAGO / Nigel Roddis)

— Tenho um objetivo: trazer o futebol à moda antiga de volta. Não sou fã de tudo no futebol de hoje. Robôs são bons, mas a magia é melhor. Fazer um jogo com 99% de passes certos é bom, mas um jogo com cinco ou seis lances geniais… — declarou o meia-atacante, ao “L’Équipe”, neste mês.

O sonho do craque francês era de ter nascido na mesma era que Ronaldinho Gaúcho — mesmo que isso fizesse, como consequência, que ele tivesse menos destaque por seus lances mais plásticos. “Gostaria de ser o melhor nessa era. Devia ser mágico ir ao estádio”, refletiu.

É comum, no entanto, que Guardiola coloque aos poucos suas principais contratações em campo. Cherki, por exemplo, disputou 25 partidas nesta temporada da Premier League, mas apenas 14 destas como titular. O mesmo ocorreu com Riyad Mahrez em seu início no Manchester City, logo após deixar o Leicester, em 2018.

Além de encantar o treinador com um “futebol de rua” no Mundial de Clubes de 2025, Cherki já disputou 41 jogos pelo Manchester City nesta temporada. São nove gols e dez assistências desde então.

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Cherki busca estrelato no futebol

É com esse estilo “sincerão” que Cherki tem ganhado destaque nos últimos meses. Sem falsa modéstia, ele se assemelha ao que o ator Timothée Chalamet afirmou ao ser premiado com o prêmio de melhor ator no Screen Actors Guild, em 2025, por seu papel interpretando Bob Dylan em “Um Completo Desconhecido”.

— Sei que estamos em um ramo subjetivo, mas a verdade é que estou realmente em busca da excelência — afirmou o ator, em 2025.

O mesmo pode ser dito sobre Cherki. Aos 22 anos, prestes a disputar sua primeira Copa do Mundo, o francês já acumula performances de destaque que podem credenciá-lo a prêmios de melhor jogador da Premier League e à seleção do campeonato. Isso, assim como em uma produção de Hollywood, também passa pelo desempenho coletivo, e da relação treinador-jogador (ou diretor-ator).

— Com o Pep vemos isso cada vez mais. A forma dele jogar é a minha forma de ver o futebol. Muitas vezes estou sozinho nos espaços livres. Como ele diz, não preciso correr muito para estar no lugar certo — disse Cherki, sobre sua sintonia com o “diretor” do Manchester City.

Cherki celebra gol do Manchester City
Cherki celebra gol do Manchester City (Foto: IMAGO / Sportimage)

Assim como outros atores de Hollywood, Cherki foi criticado no início de sua carreira por suas decisões em campo. Seja por driblar demais ou até por enfeitar jogadas que poderiam ser feitas de forma “menos exagerada”. O que poderia ser visto como “dores de crescimento”, até amadurecer e se enquadrar no futebol moderno, Cherki tomou como lição para a vida: se tornar um artista da bola.

— Existem muitos jogadores com talento extraordinário, mas poucos artistas. Acho que sou um deles. Porque faço coisas que às vezes nem eu mesmo entendo — brincou, em entrevista ao jornal francês.

Se Cherki será titular contra o Brasil nesta quinta-feira (26), no Gillette Stadium, na região de Boston, apenas Deschamps poderá dizer. Mas fato é que, caso seja confirmada sua convocação, o francês irá se tornar mais uma estrela em busca do tricampeonato mundial dos “Le Bleus”.

Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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