Mesmo rival, diferente arrependimento: A eliminação que vai deixar marcas em Marrocos
Zero chutes no alvo em 83 minutos e sem centroavante titular: o Marrocos que se frustrou a si mesmo e saiu sem tentar de verdade contra a França nas quartas.
Assim como em 2022, o Marrocos cruzou o caminho da França na Copa do Mundo em 2026. E, como há quatro anos, os Leões do Atlas foram eliminados pelos Tricolores, desta vez nas quartas de final nesta quinta-feira (9), em Boston, por 2 a 0.
Em 2022, o Marrocos podia se arrepender do gol rápido de Théo Hernández e do pênalti que não foi marcado em Sofiane Boufal. De maneira geral, havia a sensação de que aquela seleção francesa poderia ser batida.
Quatro anos depois, é outro tipo de arrependimento que vai assombrar os Leões do Atlas: o de nunca terem se entregado completamente nesta quinta-feira em Boston e de terem preferido limitar o estrago em vez de jogar com tudo o que tinham.
Um dado é particularmente revelador: foi preciso esperar até o minuto 83 e a finalização colocada de Azzedine Ounahi de fora da área, em combinação com Achraf Hakimi numa cobrança de falta, para ver o primeiro chute no alvo do Marrocos neste duelo das quartas de final.
Simulador da Copa do Mundo: Veja possível chaveamento
Sim, os Leões do Atlas resistiram aos Bleus durante uma hora, com grande ajuda dos milagres realizados por Yassine Bounou no gol, mas em troca nunca chegaram a preocupá-los de verdade. Uma atuação muito aquém do esperado para o que deveria ser a “revanche” de 2022.
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O vazio ofensivo do Marrocos diante da França
Organizados defensivamente, os marroquinos conseguiram por muito tempo tampar os espaços entre as linhas e aplicar o plano do técnico Mohamed Ouahbi. Por outro lado, foi no uso da bola que a atuação foi mais decepcionante. Um total de 0,22 xG (gols esperados), apenas oito toques na área adversária e 62,6% dos passes realizados na própria metade de campo traduzem bem as dificuldades do Marrocos, que pareceu jogar com o freio de mão acionado, hesitando em tentar quando as situações apareciam.
— Eles nos haviam acostumado com outra coisa: belo futebol, transições rápidas. Criavam bastante chances em cada jogo. Esta noite, parece que recusaram jogar. Ficaram defendendo e jogando na baballe. Preferiria um Marrocos que tentasse de tudo. Você pode perder, mas da melhor forma e sem arrependimentos — lamentou o ex-Leão do Atlas Jaouad Zaïri no estúdio da “beIN Sports”.
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Os Leões do Atlas podiam realmente fazer melhor?
Se essa timidez incomum irritou muitos torcedores, surge uma questão: o Marrocos tinha realmente condições de fazer mais diante da armada ofensiva adversária? Cada vez que se expuseram, os Leões do Atlas foram punidos: o pênalti cometido por Noussair Mazraoui e defendido por Yassine Bounou veio de um contra-ataque relâmpago dos Bleus, e os dois gols sofridos no segundo tempo saíram de situações de transição.
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Um problema de profundidade de elenco
Em sua defesa, este Marrocos sofreu muito com a ausência de uma referência fixa na área adversária. Consequência da lesão de Ismaël Saibari e de Soufiane Rahimi ficar no banco, a seleção jogou sem um centroavante de ofício: Chemseddine Talbi, Bilal El Khannous, Azzedine Ounahi e Brahim Díaz foram se revezando na ponta de lança ao longo da partida até a entrada de Rahimi.
Essa situação ilustra um problema levantado pelo próprio Ouahbi ao microfone do canal transmissor após o jogo: a falta de profundidade no elenco.
— É preciso fortalecer a base, garantir que, quando há lesionados ou jogadores menos prontos, possamos ter um grupo maior para escolher — defendeu o sucessor de Walid Regragui.
Com a Copa das Nações Africanas de 2027 chegando em um ano e a Copa do Mundo de 2030 co-organizada em casa daqui a quatro anos, o Marrocos precisa continuar crescendo. Provavelmente com Ouahbi como arquiteto, apesar de esta quinta-feira ter representado sua primeira derrota em onze partidas à frente da seleção marroquina.