Copa do Mundo

Canadá joga melhor, mas chances perdidas custam caro e Bélgica vence sem jogar bem

Contra um adversário difícil, Canadá mostrou um excelente futebol, mas a eficiência foi muito baixa, o time não conseguiu marcar e perdeu em uma das poucas chances da Bélgica

O Canadá voltou à Copa do Mundo pela primeira vez desde 1986 com uma grande partida diante da Bélgica, mas saiu frustrado. Embora tenha jogado bem, criado chances e dominado a partida, os canadenses perderam da Bélgica por 1 a 0, graças a um gol de Michy Batshuayi, na única bola que o atacante acertou no jogo. A derrota veio diante de uma Bélgica que não foi nem sombra do que já vimos em outros momentos, como na Copa 2018, mas o time conquistou uma vitória apertada por ter ao menos feito um gol, o que o Canadá não conseguiu nem de pênalti.

O goleiro Thibaut Courtois acabou sendo mais uma vez sendo fundamental à Bélgica, com a defesa do pênalti e sempre muito seguro diante de diversas tentativas feitas pelo Canadá ao longo do jogo. Foram 21 chutes a gol do Canadá, mas apenas três delas no alvo, com 11 indo para fora. Em termos de futebol e mesmo de chances jogadas, foi um massacre canadense. Só que foi também um desperdício de chances.

Escalações

A Bélgica não tinha Romelu Lukaku, machucado, então o técnico Roberto Martínez escolheu Michy Batshuayi, um veterano de seleção belga, para comandar o ataque. No mais, o time foi o mesmo que estamos acostumados a ver na Bélgica, com Eden Hazard como titular e capitão atuando pelo lado esquerdo. Kevin De Bruyne, o melhor do time em fase recente, também foi titular.

No Canadá, o técnico John Hardman montou o time com três zagueiros e soltou Alphonso Davies como ala pela esquerda. Colocou no ataque Jonathan David, atacante que vive ótimos últimos anos no Lille, inclusive com título da Ligue 1. Aos 39 anos, o meio-campista Atiba Hutchinson foi titular no meio e um dos responsáveis pelo bom jogo do time.

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Primeiro tempo: Canadá pressiona e perde pênalti

Aos seis minutos, em uma boa jogada pela direita, Jonathan David conseguiu finalizar, mas foi travado e a bola foi para escanteio. Na cobrança do escanteio, a defesa conseguiu tirar, mas sobrou para Buchanan, que finalizou. A bola tocou no braço de Carrasco, que estava aberto.  O árbitro não viu, mas o VAR o chamou e, após ver na tela o lance, foi marcado o pênalti.

Quem pegou a bola para a cobrança foi Alphonso Davies, o grande craque do time. Só que o goleiro do outro lado era simplesmente Thibaut Courtois. Davies bateu colocado no canto direito do goleiro belga, que caiu e fez a defesa. Nada de gol para o Canadá, que continuava sem nunca ter feito um gol sequer em Copas do Mundo.

Mesmo com o pênalti perdido, quem levava mais perigo era o Canadá. O time norte-americano conseguia emplacar ataques rápidos o tempo todo, invertendo a jogada de um lado para o outro e causando perigo. A marcação canadense não era de pressão total e deixava os zagueiros ficarem com a bola.

Houve ainda um lance que os canadenses têm do que reclamar: em uma bola recuada por Eden Hazard, Buchanan fica com a sobra, faz o corte e Vertonghen faz o pênalti no jogador do Canadá. Só que o assistente marcou impedimento, o árbitro seguiu e o VAR não chamou o árbitro para revisar.

Os belgas pareciam que conseguiriam quebrar a marcação canadense em uma bola de Kevin De Bruyne, mas incrivelmente ele errou o domínio. Era uma boa chance, que acabou desperdiçada. A Bélgica conseguiu reagir aos 22 minutos, quando Hazard, pela esquerda, conseguiu escapar da marcação, fazer o passe para o meio, Youri Tielemans não conseguiu fazer o domínio para ficar de frente, tocou para Batshuayi, que tentou finalizar e foi travado.

O Canadá voltou à carga graças a uma grande jogada de Alphonso Davies, que passou por dois jogadores pela esquerda, tocou para Junior Hoillett, que devolveu e Davies rolou para o capitão Atiba Hutchinson finalizar, mas errar o alvo.

A bola ficava com o Canadá, que trabalhava alternando os lados e sempre colocando os belgas em bastante dificuldade. Em uma dessas jogadas mudando de lado, o zagueiro Alistair Johnston apareceu pela direita, aos 30 minutos, e finalizou com violência, exigindo defesa de Courtois.

O ataque canadense geraria outra chance, desta vez pela esquerda, quando Jonathan David recebeu pelo meio, girou e foi fominha: ele tinha uma opção aberta livre pela direita, mas resolveu finalizar e errou o alvo. Mesmo assim, foi um lance bastante perigoso.

Só que a superioridade do Canadá não se traduziu em gol. E a Bélgica puniu. Aos 43 minutos, Toby Alderweireld fez o lançamento longo para Batshujayi, que dominou, em meio à passividade da marcação canadense, e finalizou cruzado:  1 a 0 para os belgas.

Os canadenses não desistiram. Jonathan David caiu pela direita, recebeu, cruzou rasteiro e Tajon Buchanan pegou de primeira, mas mandou para fora, pressionado pela marcação. A seleção do Canadá tentava, mas foi para o intervalo perdendo um jogo que foi claramente melhor.

Para se ter uma ideia da superioridade do Canadá, o time finalizou 14 vezes a gol e é o time que mais finalizou em um tempo sem ter feito um gol desde a Inglaterra contra Trinidad e Tobago, em 2006, que finalizou 17 vezes.

Segundo tempo: Bélgica se defende e Canadá insiste

Para a segunda etapa, Roberto Martínez mexeu duas vezes na Bélgica: saíram Youri Tielemans e Yannick Carrasco e entraram Amadou Onana e Thomas Meunier. O jogo voltou mais equilibrado, sem que o Canadá conseguisse complicar tanto a saída de bola do time belga.

Aos 13 minutos, o Canadá fez duas mudanças. O técnico John Hardman colocou em campo o artilheiro Cyle Larin e o meia Ismael Koné nos lugares de Junior Hoillett e Atiba Hutchinson. O Canadá voltou a tentar pressionar a saída de bola.

A Bélgica mexeu novamente. Entrou Leandro Trossard no lugar de Eden Hazard, que não fez um bom jogo. Esteve pouco participativo e não conseguiu escapar da marcação. A Bélgica não conseguia manter a posse de bola e optava por tentar se armar para contra-ataques. Os canadenses buscavam achar os espaços, mas já não tinham a mesma intensidade do primeiro tempo. Aos 34 minutos, em cruzamento da direita, Cyle Larin cabeceou bem, mas Courtois estava bem posicionado e defendeu com segurança.

Vieram mais duas mexidas no time canadense: entraram Jonathan Osorio e Liam Millar no time, tentando dar um gás final e buscar ao menos o empate. O time foi valente, insistiu, tentou se impor, mas não conseguiu vencer. Os cruzamentos para Cyle Larin não saíram precisos e o atacante nunca teve muito espaços para finalizar.

A Bélgica sai com uma vitória maior do que a sua atuação. O placar é muito positivo para os Diabos Vermelhos, que fizeram uma partida medíocre. Só que foi ao menos eficiente em aproveitar uma chance, teve um grande goleiro defendendo o pênalti mal batido por Alphonso Davies e sai com três pontos, que é o que conta no fim.

No próximo domingo, dia 27, a Bélgica enfrenta Marrocos na segunda rodada. O Canadá enfrenta a Croácia. Marroquinos e croatas empataram por 0 a 0 nesta primeira rodada.

Ficha técnica

Bélgica 1×0 Canadá

Local: Estádio Ahmed bin Ali, em Al Rayyan
Árbitro:
Janny Sikazwe (Zâmbia)
Gols:
Michy Batshuayi (Bélgica)
Cartões amarelos:
Yannick Carrasco, Thomas Meunier, Amadou Onana (Bélgica), Alphonso Davies, Alistair Johnston (Canadá)

Bélgica: Thibaut Courtois; Leander Dendoncker, Toby Alderweireld e Jan Vertonghen; Timothy Castagne, Youri Tielemans (Amadou Onana), Axel Witsel e Yannick Carrasco (Thomas Meunier); Kevin De Bruyne e Eden Hazard (Leandro Trossard); Michy Batshuayi (Lois Openda). Técnico: Roberto Martínez

Canadá: Milan Borjan; Alistar Johnstone, Steven Vitória e Kamal Miller; Richie Laryea, Atiba Hutchinson, Stephen Eustáquio (Jonathan Osorio) e Alphonso Davies; Tajon Buchanan (Liam Millar) e Junior Hoillett; Jonathan David. Técnico: John Hardman

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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