Canadá x Bósnia reforça como a Copa começou com os ‘piores exemplos’ do futebol europeu
No continente conhecido pelo alto nível, seus primeiros representantes mostraram as ideias mais simplistas no início do Mundial
O Canadá abriu a participação de mais um país-sede na Copa do Mundo de 2026 enfrentando a Bósnia e Herzegovina nesta sexta (12), no BMO Field, em Toronto. A equipe começou perdendo diversas chances e atrás no placar, mas conseguiu o empate para encerrar o jogo em 1 a 1.
A Bósnia foi a segunda seleção europeia a entrar em campo no Mundial. Depois de latinos e africanos em México x África do Sul, Coreia do Sul e Tchéquia, na última quinta-feira (11), marcaram a abertura do futebol do Velho Continente na Copa. E esses dois times não poderiam representar menos o continente.
Bósnia, Tchéquia e um futebol europeu completamente diferente
Se nos últimos anos ficou marcado o argumento sobre o futebol europeu ser muito desenvolvido em termos técnicos e táticos, obviamente muito se deve às grandes ligas do continente. E, claro, algumas das principais seleções nacionais.
O que a Copa do Mundo de 2026 mostrou nos dois primeiros dias do torneio, no entanto, é outra visão: a dos europeus “brutamontes” que não gostam da bola no pé e a preferem no alto.
Os 11 iniciais dos tchecos contra os coreanos formavam uma média de altura de 1,87cm. Os titulares da Bósnia tinham média de 1,85m, longe das alturas dos gigantes no banco, como Edin Dzeko (1,93m), Haris Tabakovic (1,96m) e Stjepan Radeljic (2,01m).
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Quem marcou os gols de Tchéquia e Bósnia foram, também, dois gigantes: Ladislav Krejci tem 1,91m e Jovo Lukic é um centímetro mais baixo. E ambos os casos foram em bolas paradas.
No primeiro caso, um famoso “latereio”, que se tornou curiosamente popular nas grandes ligas europeias. No empate entre Canadá e Bósnia, um escanteio — marca registrada do campeão da Premier League, o Arsenal.
O crescimento dessas estratégias tem ligação com o fluxo da evolução tática do futebol. Para combater times que se fecham muito e, por isso, se tornam difíceis de serem furados com a bola no pé, priorizou-se a bola parada.
Essa caminho, no entanto, não é regra. Há diferentes vertentes dessa evolução: times mais abertos, que priorizam menos o controle e mais a verticalidade; equipes que constroem menos pelo meio para esvaziá-lo e atacá-lo de surpresa; e times que ainda querem controlar os jogos, mas buscam ser mais diretos e convidar a pressão adversária.
Krejčí opens the scoring ‼️#FIFAWorldCup pic.twitter.com/e3UD4XGCuK
— FIFA World Cup (@FIFAWorldCup) June 12, 2026
A grande questão sobre o estilo mais burocrático ilustrado por Tchéquia e Bósnia é mais profunda: envolve conceitos quase filosóficos de “beleza” do jogo e senso de justiça.
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O juízo de valor sobre o que é ‘jogar bonito’ no futebol
Para o brasileiro, há uma óbvia resposta para o que é jogar bonito. É um jogo de passes curtos, tabelas, aproximação, dribles e improviso. É uma resposta também cultural — e evidentemente diferente se perguntada em outro contexto.
É justo dizer que uma parcela considerável dos amantes do futebol, independente de sua nacionalidade, prefere um jogo com características semelhantes. Organização, domínio e posse de bola envolvente e ofensiva são tópicos quase universais nesse sentido.
Mas o que um evento tão global quanto a Copa do Mundo pode ilustrar é que existem diferentes formas de se jogar futebol.
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No jogo entre Coreia do Sul e Tchéquia isso ficou evidente. O primeiro gol coreano foi um golaço que envolveu uma sequência de mais de 20 passes, mais de um minuto de posse, um drible no meio da área e uma cavadinha. O gol tcheco veio com um lateral cobrado na área e uma cabeçada. Um lance de três segundos de duração.
O jogo do Canadá também foi um contraste. Enquanto o time de Jesse Marsch, um aluno do sistema Red Bull, tentava implementar seu estilo agressivo, frenético e de verticalidade para buscar o gol de forma constante, sofreu um gol de escanteio.
É possível entender como é frustrante para coreanos e canadenses. A tentativa de consolidar seu estilo mais técnico e naturalmente mais complexo enquanto sofre com um lance tão simples que beira o injusto.
Há também o argumento de que no futebol, o importante é vencer. Em uma Copa do Mundo, ainda mais. E, no fim, o Mundial começou com dois europeus que quebram completamente o estereótipo do jogo “avançado” do continente. Resta saber se os seus vizinhos vão sustentar ou danificar ainda mais a imagem que foi imposta inicialmente.