Não é só retranca: Como Cabo Verde ficou a detalhes de fazer história contra a Argentina
Com entrega, físico se sobressaindo e ocupação do meio-campo, seleção africana quase forçou pênaltis contra atual campeã da Copa do Mundo
Foi por pouco. Cabo Verde lutou por 120 minutos contra a atual campeã da Copa do Mundo e quase forçou pênaltis na fase 1/16 avos de final, mas acabou derrotado, 3 a 2 a favor da Argentina na prorrogação, e quem avançou às oitavas de final foi o lado sul-americano.
Os Tubarões Azuis são a grande história do Mundial de 2026 até aqui. Um pequeno arquipélago, de pouco mais de meio milhão de habitantes, que conseguiu sair invicto no tempo normal em sua primeira participação na maior competição de todo o futebol.
Quem não assistiu ao jogo pode pensar que foi apenas uma retranca que Cabo Verde fez para segurar tanto a seleção argentina. No entanto, foi bem mais do que isso.
Simulador da Copa do Mundo: Veja possível chaveamento
Primeiro de tudo, Cabo Verde entregou competitividade
O maior fator do selecionado africano, além de tática e técnica, veio no físico e no mental de competir e acreditar sempre. Sempre que um marcador era vencido, aparecia outro na cobertura para evitar o avanço argentino. Os empates com Uruguai e Espanha também são provas disso.
Se na imposição física não era possível, não teve problema em fazer faltas — só Lionel Messi cobrou quatro da entrada da área.
A entrega na recomposição de Ryan Mendes e Jovane Cabral, atacantes pelos lados, foi decisiva. Mas a luta cabo-verdiana é realmente ilustrada pela zaga formada por Diney Borges e Pico Lopes, dominante na área e capaz de afastar todo o tipo de perigo que viesse à área. Tanto que, com bola rolando, só conseguiu ser furada uma vez. Os dois gols finais vieram em escanteios.
Mesmo se doando tanto desde o primeiro minuto e mais tempo correndo atrás do adversário que dominou a posse de bola (64%), os africanos ainda tiveram mais fôlego nos dois tempos na prorrogação, quando tiveram dez chutes contra sete dos argentinos.
Entrou na Copa como um estreante, sem muitas expectativas. Sai sendo a maior história da edição.
— Trivela na Copa! 🏆🇧🇷 (@trivela) July 4, 2026
A menor nação a disputar um mata-mata em todos os tempos. Tão pequena e ao mesmo tempo tão grande.
No final, ainda nos deu a esperança de eliminar a Argentina. Não uma qualquer, a… pic.twitter.com/VWmxrJwLod
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Seleção cabo-verdiana anulou o melhor da Argentina
A estrutura defensiva montada pelo técnico Bubista foi a ideal para anular a campeã do mundo. A Argentina, por ter Messi e vários meio-campistas de qualidade, tem a filosofia de juntar muitos jogadores no centro do campo para avançar em curtas trocas de passes.
Cabo Verde, então, manteve o sistema 4-1-4-1, mas agora com três homens no meio-campo mais fortes para povoar o centro com Kevin Pina, Laros Duarte e Leroy Duarte. O trio foi capaz de fechar as linhas de passe para conectar o camisa 10 argentino e evitar as aglomerações que causam superioridade à Albiceleste. Ainda tinha o centroavante Nuno da Costa atrapalhando o primeiro volante Alexis Mac Allister.
Com uma passividade sul-americana, pelos poucos movimentos dos jogadores sem a bola para dar novas opções, a Argentina teve muito a posse nos pés da zaga ou de Rodrigo de Paul, que se comportava como um lateral-direito no momento ofensivo. Inclusive, foi nesse contexto que o zagueiro Lisandro Martínez lançou Messi nas costas da defesa para abrir o placar.
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Depois do 1º tempo, time africano viu que poderia acreditar
A primeira parte quase nula da Argentina, apesar do gol de Messi, fez o adversário mudar a partir do intervalo. Cabo Verde acreditou que poderia pelo menos empatar: colocou a bola no chão e começou a jogar. Isso que diferencia essa atuação da que foi contra a Espanha, 0 a 0 na estreia na Copa, quando praticamente só se defendeu.
Como no 2 a 2 com o Uruguai, os Tubarões Azuis perderam o medo de atacar e partiram para cima. Em uma sequência de ataques e rápidas roubadas de bola para continuar em cima, eles empataram aos 13 minutos do segundo tempo: Deroy Duarte surgiu como elemento surpresa na área para marcar em bom passe de Ryan Mendes.
Até aquele momento do segundo tempo, a Argentina não havia finalizado e tinha visto o rival chegar três vezes antes do empate.
Com a evidente queda física da seleção argentina, Cabo Verde se lançava cada vez mais ao ataque. Colocou dois centroavantes, pesou a área e o segundo empate do dia começou com uma jogadaça de pé em pé, desde o goleiro Vozinha, até o golaço de Sidny Cabral, que causou uma enorme comoção e já é um dos grandes momentos da Copa.
Pela bola parada, a Argentina conseguiu sua classificação, o que só mostra o tamanho do feito dos africanos. De cabeça erguida, deixam o primeiro Mundial de sua história com uma legião de admiradores em todo o mundo. A Copa é formada por momentos como o dos cabo-verdianos.