Copa do Mundo 2026

‘Talento sem movimento não é nada’: Bruno Guimarães domina ideia de Ancelotti no Brasil

Camisa 8 lidera faz vezes de maestro da equipe neste Mundial e atua também como garçom, com três assistências até aqui

Vinicius Júnior é a grande estrela do Brasil na Copa do Mundo, mas não é a única. Eleito melhor jogador em campo nas três partidas da fase de grupos, o atacante do Real Madrid é quem mais se destaca no esquema de Carlo Ancelotti — montado a seu favor contra a Escócia. Por trás do camisa 7, é outro nome responsável por carregar o “piano” da seleção brasileira: Bruno Guimarães.

Volante do Newcastle, Bruno Guimarães disputa sua segunda Copa do Mundo neste ano, depois de fazer parte do elenco comandado por Tite no Catar, em 2022. O jogador, no entanto, se tornou alvo de críticas nas duas últimas eliminações do Brasil, no Mundial e na Copa América de 2024, por jogar em um time de “menor expressão” da Inglaterra — ainda que o Newcastle tenha recebido investimentos bilionários nos últimos anos.

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Com Ancelotti, Bruno Guimarães continuou sendo peça fundamental da equipe e atingiu uma maturidade na Copa do Mundo até então inédita, seguindo a linha de pensamento do treinador: “Talento sem movimento não é nada”, como o próprio volante explicou à “CazéTV” após vitória sobre a Escócia nesta quarta-feira (24), por 3 a 0. É assim que o camisa 8 soma três assistências em três partidas até aqui.

Bruno Guimarães e Vinícius Júnior comemora gol do Brasil contra a Escócia
Bruno Guimarães e Vinícius Júnior comemoram gol do Brasil contra a Escócia. Foto: IMAGO / Craig Mercer

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Maestro Bruno Guimarães conduz meio-campo da seleção brasileira

Antes do Mundial, Ancelotti tentava reproduzir na seleção brasileira uma formação próxima ao 4-2-4, com apenas dois homens no meio-campo e quatro no ataque. As ausências de Estêvão e Rodrygo na lista final, cortados por lesão, fizeram com que o treinador tivesse de recalcular a rota para fortalecer o setor intermediário.

Bruno Guimarães, mesmo lesionado nos amistosos de março, contra França e Croácia, nunca perdeu a titularidade com Ancelotti. Enquanto Casemiro chega a ser um quinto defensor, se alinhando próximo a Gabriel Magalhães e Marquinhos nas partidas, o volante do Newcastle tem a liberdade de flutuar entre as linhas, e atuar até como um meia de criação.

Essa liberdade de Bruno Guimarães também passa pela presença de Lucas Paquetá. O meio-campista do Flamengo ganhou a titularidade com Ancelotti e reforçou defensivamente o setor. Contra a Escócia, teve sua melhor partida no Mundial, e permitiu, defensivamente, que Bruno Guimarães avançasse à frente.

Posicionamento e mapa de calor de Bruno Guimarães, camisa 8, contra a Escócia
Posicionamento e mapa de calor de Bruno Guimarães, camisa 8, contra a Escócia (Foto: Reprodução/Sofascore)

Contra a Escócia, Bruno Guimarães deu duas assistências, uma para Vini Jr e outra para Matheus Cunha. Em ambas, esteve próximo à área — na segunda, inclusive, entregou o passe de bandeja para o atacante do Manchester United, de cara com o goleiro. Ele já havia assistido o camisa 7 contra Marrocos e lidera como maestro da seleção nesta Copa do Mundo.

Ofensivamente, Bruno buscou o lado esquerdo do campo, para se somar à função de Rayan, substituto de Raphinha, e dar apoio a Vini Jr, que tem a liberdade, dada por Ancelotti, para se movimentar pelo setor. O volante acertou 22 dos 29 passes que tentou no campo adversário.

Meio-campo reforçado favorece desempenho de Bruno Guimarães na seleção brasileira

Não é só a entrada de Paquetá que potencializou Bruno Guimarães. Com Matheus Cunha como titular — algo que o Brasil não teve na estreia, contra Marrocos —, a seleção ganha um quarto homem no meio-campo, já que o atacante do Manchester United atua, na maior parte do tempo, como um falso 9.

Quando Guimarães avança além de Casemiro, Paquetá e Cunha, também podem reforçar a defesa para evitar contra-ataques. Além disso, podem acompanhar os avanços do volante do Newcastle — como ocorreu no terceiro gol, já no segundo tempo.

— Em três no meio, você fica com o time mais móvel, o Cunha ali também ajuda muito vindo como falso nove. A defesa estava sempre na dúvida em quem marcar — analisou Guimarães, à “CazéTV”, após a partida.

Bruno Guimarães, meio-campo da seleção brasileira, em duelo com a Escócia
Bruno Guimarães foi um dos destaques da seleção brasileira contra a Escócia (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Se não houver desfalques, a tendência é que, pela primeira vez nesta Copa do Mundo, Ancelotti consiga repetir uma escalação, depois dos testes no meio-campo e no ataque ao longo da fase de grupos. Classificado como primeiro lugar no Grupo C, o Brasil aguarda os resultados do Grupo F para conhecer seu adversário nos 16-avos de final.

A seleção brasileira volta a campo nesta segunda-feira (29) no Estádio de Houston, no Texas, contra o segundo colocado do Grupo F. Japão, Países Baixos e Suécia são os possíveis adversários do Brasil e definirão ainda nesta quinta-feira (25), a partir das 20h (de Brasília), o próximo compromisso da equipe de Ancelotti no Mundial.

Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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