4 coisas para ficar de olho no amistoso entre Brasil x Panamá, penúltimo teste antes da Copa
Carlo Ancelotti aproveita jogo no Maracanã para avaliar opções, dar ritmo a titulares e ampliar repertório do elenco
A contagem regressiva para a Copa do Mundo já começou, e o amistoso entre Brasil e Panamá, neste domingo (31), no Maracanã, carrega um peso maior do que aparenta. Penúltimo compromisso da Seleção antes da estreia diante do Marrocos, e último jogo em solo brasileiro antes do embarque rumo aos Estados Unidos, a partida servirá para os ajustes finais de Carlo Ancelotti.
Ainda que o adversário não imponha o mesmo grau de dificuldade encontrado contra seleções europeias, o duelo no Rio de Janeiro oferece pistas importantes sobre o estágio da equipe às vésperas da Copa.
Mais do que o caráter simbólico de despedida da torcida brasileira, o amistoso também representa uma oportunidade valiosa para alguns jogadores ganharem confiança, ritmo e espaço dentro do grupo. Entre observações táticas e individuais, quatro pontos merecem atenção especial.
Léo Pereira e Bremer: zaga reserva ganha oportunidade
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A ausência de Gabriel Magalhães e Marquinhos abre uma brecha importante para Bremer e Léo Pereira iniciarem o amistoso como dupla de zaga. Os defensores titulares se juntarão à delegação apenas após a final da Champions League entre Arsenal e PSG, marcada para sábado (30), em Budapeste, o que transforma o jogo contra o Panamá em uma oportunidade rara para os reservas mostrarem serviço.
No caso de Léo Pereira, a expectativa gira principalmente em torno da sua capacidade de construção. Contra adversários mais fechados — cenário provável para este domingo — o zagueiro costuma se destacar justamente pela qualidade na saída de bola e pelos lançamentos longos com alta precisão. É uma característica que o tornou peça importante no Flamengo e que pode agregar uma alternativa diferente ao sistema defensivo da Seleção.
Ainda pouco testado com a camisa da Amarelinha, Léo fará sua terceira partida pelo Brasil. O amistoso aparece como uma chance importante para demonstrar que pode ser uma opção confiável não somente em emergências, mas também como peça útil em contextos específicos da Copa.
Bremer, por outro lado, chega em situação diferente. Mais experiente no ambiente da Seleção e prestes a disputar sua segunda Copa do Mundo, o zagueiro da Juventus busca recuperar sequência e confiança após uma temporada marcada por problemas físicos. Estar em campo, ganhar minutos e voltar a atuar sem limitações talvez seja tão importante quanto qualquer desempenho técnico neste momento.
Além disso, o amistoso também serve para fortalecer o entrosamento defensivo da equipe. Com jogadores de ataque que tendem a pressionar alto, a coordenação da linha defensiva será fundamental para o modelo de jogo de Ancelotti. Mesmo diante de um Panamá mais retraído, detalhes como posicionamento, cobertura e saída sob pressão serão observados com atenção pela comissão técnica.
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Alisson de volta ao gol da Seleção
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Outro ponto de atenção no Maracanã será o retorno de Alisson como titular da seleção brasileira. Dono da posição nas Copas de 2018 e 2022 durante a Era Tite, o goleiro do Liverpool segue como favorito para começar o Mundial entre os titulares também sob o comando de Ancelotti. A preocupação, porém, estava relacionada às suas condições físicas.
A Seleção recebeu uma notícia importante no último domingo (24), quando Alisson voltou a ser relacionado pelo Liverpool após quase dois meses afastado. O goleiro começou como titular diante do Brentford, na rodada final da Premier League, encerrando um longo período de recuperação.
Sua última atuação havia acontecido em 18 de março, no confronto contra o Galatasaray, pela Champions. Na ocasião, sofreu uma lesão no músculo posterior da coxa direita, problema que gerou apreensão na reta final da temporada europeia e colocou em dúvida seu ritmo de jogo antes da Copa.
Mesmo assim, Ancelotti sempre demonstrou tranquilidade nos bastidores. O treinador italiano optou por manter a confiança no camisa 1 e valorizou o cuidado tomado durante o processo de recuperação. Internamente, a avaliação é de que Alisson chega fisicamente recuperado, ainda que precise readquirir ritmo competitivo.
Por isso, o amistoso contra o Panamá ganha importância estratégica. Além de avaliar o desempenho técnico do goleiro — já consolidado há anos em alto nível — a comissão técnica quer observar sua resposta física em situação real de jogo. Movimentação, explosão, tempo de reação e confiança após a lesão entram no radar.
Endrick, Rayan e Igor Thiago: reservas do ataque podem ganhar espaço
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Se a base do time titular parece relativamente definida, o banco ofensivo ainda oferece disputas interessantes. E o amistoso deste domingo pode ser determinante para aumentar a confiança de algumas peças importantes do elenco. A tendência é que Ancelotti utilize parte do segundo tempo para observar Endrick, Rayan e Igor Thiago.
Dos três, Endrick talvez seja o nome que mais desperte expectativa entre os torcedores. Em sua primeira Copa, o atacante chega após meses importantes no futebol francês. Sem espaço suficiente no Real Madrid, optou por uma mudança de rota em janeiro ao aceitar empréstimo para o Lyon.
A decisão rapidamente se mostrou acertada: em menos de seis meses, a cria do Palmeiras recuperou protagonismo, ganhou sequência e terminou o período com oito gols em 21 partidas.
Mesmo antes da chegada de Ancelotti, o atacante já vinha acumulando participações importantes saindo do banco da Seleção. E o primeiro reencontro com o técnico italiano — que o treinou no Real Madrid —, no amistoso diante da Croácia, reforçou esse cenário. Endrick entrou na reta final, sofreu um pênalti e ainda deu assistência para Gabriel Martinelli marcar o terceiro gol brasileiro nos acréscimos.
Rayan também chega valorizado. Depois de chamar atenção no Vasco em 2025, o atacante conseguiu rápida adaptação ao futebol inglês e encerrou sua primeira temporada no Bournemouth em alta. Velocidade, agressividade atacando profundidade e finalização potente fizeram dele um dos jogadores mais elogiados pelos torcedores dos Cherries.
Apesar do pouco tempo de Seleção — soma apenas 15 minutos com a Amarelinha —, o jovem já aparece como uma alternativa interessante para jogos mais físicos e verticais. Contra defesas desgastadas, sua aceleração pode se tornar uma arma importante ao longo da Copa.
E Igor Thiago?
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Já Igor Thiago oferece um perfil diferente e talvez até raro dentro do atual ciclo da Seleção. O atacante do Brentford viveu a melhor temporada da carreira e terminou 2025/26 como o brasileiro com mais gols em uma única edição da Premier League: 22 ao todo.
Centroavante de referência, forte fisicamente e muito presente dentro da área, Igor adiciona ao elenco características que o Brasil nem sempre teve nos últimos Mundiais. É um jogador capaz de sustentar a marcação, abrir espaços para pontas velozes e oferecer presença aérea em cenários de jogo mais travados.
Sua estreia aconteceu no amistoso contra a França, e ele já marcou o primeiro gol pela Canarinho no duelo seguinte, diante dos croatas. Ganhar mais minutos agora pode ser importante para aumentar seu entrosamento com os demais jogadores ofensivos.
Possíveis improvisações de Ancelotti
Os primeiros treinos de Ancelotti na Granja Comary também começaram a indicar caminhos alternativos que podem aparecer ao longo da Copa do Mundo. A formação testada entre os titulares manteve a estrutura com quatro atacantes, uma das bases do trabalho do treinador italiano até aqui, com Luiz Henrique, Matheus Cunha, Raphinha e Vinícius Junior formando o setor ofensivo.
Provável escalação do Brasil para enfrentar o Panamá
Alisson; Wesley, Bremer, Léo Pereira e Alex Sandro; Casemiro e Bruno Guimarães; Luiz Henrique, Matheus Cunha, Raphinha e Vinícius Junior.
Mas foi justamente entre os reservas que apareceram algumas das observações mais curiosas da comissão técnica. Diante das ausências de Marquinhos e Gabriel Magalhães, Ancelotti precisou testar soluções improvisadas durante as atividades. Em determinado momento, Fabinho chegou a atuar improvisado entre os zagueiros.
Outra movimentação chamou atenção no setor ofensivo. Sem Gabriel Martinelli — também a serviço do Arsenal para a final da Champions League —, Lucas Paquetá foi utilizado aberto pela ponta esquerda em parte das atividades. A mudança mostra a intenção de Ancelotti em ampliar o leque de possibilidades ofensivas do elenco, utilizando jogadores de meio-campo em funções mais móveis e abertas pelos lados do campo, dependendo do contexto das partidas.
Segundo a “ESPN”, a equipe reserva utilizada nos trabalhos contou com Ibañez, Danilo, Bruno Ribeiro (sub-20 do Vasco chamado para compor os treinamentos) e Douglas Santos; Fabinho e Danilo; Rayan, Endrick, Igor Thiago e Paquetá.
Em um amistoso que servirá como despedida da torcida brasileira antes da Copa, o resultado talvez seja o menos importante. A ideia da comissão técnica é aproveitar o duelo contra o Panamá para rodar o elenco, observar alternativas e testar cenários.