Bélgica x Egito: Por que o legado de Salah pela seleção é intocável
Craque precisa marcar apenas mais dois gols para ser o maior artilheiro da história do país
Mohamed Salah lidera o Egito na estreia da seleção na Copa do Mundo 2026, em confronto contra a Bélgica no Seattle Stadium, em um duelo do Grupo G amplamente aguardado.
Nesta segunda-feira, o atacante completa 34 anos, e a esperança é de que os problemas físicos enfrentados no fim da temporada 2025-26 tenham ficado completamente para trás. Esta será apenas a segunda vez que o egípcio leva sua seleção ao palco mundial e, embora seja um feito notável, alguns ainda questionam o seu legado pela seleção.
Salah ainda não conquistou a Copa Africana de Nações com o Egito, e comentaristas — mais polêmicos — sugerem que isso é uma mancha em sua carreira.
Essas críticas estão equivocadas, e às vésperas da estreia do Egito no Mundial, vale a pena explicar por que o legado de Salah pela seleção é intocável, apesar do que dizem seus detratores.
Mohamed Salah e o Egito: uma história de sucesso
O ex-jogador e atual comentarista Jamie Carragher chegou a diminuir as conquistas de Salah pelo Egito em dezembro de 2025. No entanto, as declarações do inglês foram extremamente injustas em relação ao impacto do atacante na seleção, e ignoraram um contexto importante por trás do seu legado.
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O Egito pode ser a seleção mais vitoriosa da história da Copa Africana de Nações, mas falhou em se classificar para as edições de 2012, 2013 e 2015 do torneio. Salah estreou pela seleção em 2011, aos 18 anos. Era difícil imaginar que ele tirasse o seu país do abismo ainda enquanto jovem.
À medida que o atacante amadureceu e se transformou no jogador que o mundo conhece hoje, ele ajudou os Faraós a se classificarem para as edições de 2017, 2019, 2021, 2023 e 2025 da Copa Africana de Nações.
Salah é o único jogador a ter marcado contra 11 seleções diferentes na história da competição, e atualmente ocupa o posto de maior artilheiro da história das Eliminatórias africanas para a Copa do Mundo, com 20 gols.
O atacante também levou a seleção a duas Copas do Mundo. Embora o Egito tenha perdido todos os três jogos da fase de grupos em 2018, vale lembrar que Salah lidava com problemas físicos naquele momento.
Antes da chegada de Salah ao cenário de seleções, os Faraós só haviam disputado duas Copas do Mundo, com a última participação no torneio de 1990 na Itália.
O Egito nunca venceu um jogo de Copa do Mundo, e o duelo desta segunda-feira contra a Bélgica, seleção que os Faraós venceram em três dos quatro confrontos, oferece a Salah mais uma chance de se imortalizar nos livros de história do país.
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Mo Salah na Copa do Mundo: uma figura unificadora para o Egito
Mohamed Salah se tornou uma das figuras mais inspiradoras do Egito, transcendendo o status de astro do futebol em parte porque ele foi o farol de esperança do país em um período de instabilidade.
A agitação política marcou a nação por vários anos, especialmente na década de 2000 e no início da década de 2010, com manifestações em massa contra o presidente egípcio Hosni Mubarak.
Além disso, o tumulto no Estádio de Port Said, em fevereiro de 2012, foi um episódio extremamente desmoralizante, com 74 mortos após uma partida do Campeonato Egípcio entre Al Masry e Al Ahly. Esse desastre teve consequências significativas no futuro do futebol no país, com o campeonato nacional suspenso por dois anos.
O então diretor de mídia da Federação Egípcia de Futebol (EFA), Azmi Megahed, alertou que a interrupção da elite ameaçava o futuro da seleção, e não foi surpresa que o desempenho da equipe tenha caído.
Salah foi o responsável por tirar a seleção da beira do abismo, com 67 gols em 116 partidas pelos Faraós, e precisa marcar apenas mais dois para alcançar o posto de maior artilheiro da história do país.
Seus companheiros nem sempre estiveram à altura do seu nível de excelência, mas ele ainda conseguiu carregar o país nas costas. Marcou, por exemplo, um pênalti aos 95 minutos para vencer Congo por 2 a 1, em outubro de 2017, garantindo a vaga da seleção egípcia na Copa do Mundo de 2018.
Embora alguns insistam em criticar a ausência de títulos de Salah pela seleção, ele superou obstáculos e desafios sem precedentes. O legado dele pelo Egito permanecerá intocável, independentemente do resultado contra a Bélgica.