Copa do Mundo

As Copas em 29 de junho: Da calma à explosão, dia em que o Brasil reinou pela primeira vez

A cena ocorrida aos cinco minutos de jogo no Estádio Rasunda ganhou ares lendários. É um dos momentos transformadores da seleção brasileira, afinal. Nils Liedholm acabara de abrir o placar na decisão da Copa do Mundo de 1958 e deixava as arquibancadas em polvorosa. Parecia que o sonho brasileiro ruiria outra vez. Então, veio a calma. Veio a sabedoria daquele que orquestrava o meio-campo, mas também controlava os nervos do time. Complexo de vira-latas? Não com a bola sob os braços de Didi, que a buscou no fundo das redes e caminhou lentamente ao círculo central, pedindo calma aos companheiros. Foi correspondido, e não só com calma, mas também com muita vontade.

O que se viu a partir de então, foi o Brasil mais fulminante do que nunca, um dos mais arrasadores da história. E a paciência de Didi, logo na saída de jogo, virou um lançamento fabuloso a 40 metros de distância para Garrincha, se projetando na ponta direita. Resultou em arrancada de Mané e chute pelo lado de fora da rede. Só um aviso para o empate que viria com Vavá, responsável também pela virada antes do intervalo. Uma Seleção magnífica, que ainda teve Zagallo voando pela esquerda e Pelé botando a coroa de Rei pela primeira vez, com direito a um dos melhores gols já ocorridos em uma decisão de Mundial. Goleada por 5 a 2, em que o tento de Agne Simonsson mal serviu para interromper o assombro provocado por aqueles craques de azul.

Gosto é gosto, mas a seleção de 1958 pode ser considerada a maior da história. Contava com monstros em praticamente todas as posições, e também no banco de reservas. Mais do que isso, ainda entre aqueles que, por um motivo ou outro, não foram à Suécia. Esquadrão que serve de ponto inicial a uma história marcante nas Copas. A uma história vitoriosa que tenta se recontar na Rússia. O que aconteceu naquele 29 de junho no Rasunda, ainda assim, é inigualável.

1950: Estados Unidos 1×0 Inglaterra

Fase de grupos
Estádio Independência, em Belo Horizonte
Gol: Gaetjens

1958: Brasil 5×2 Suécia

Final
Estádio Rasunda, em Estocolmo
Gols: Pelé [2], Vavá [2], Zagallo | Liedholm, Simonsson

1982: Itália 2×1 Argentina

Segunda fase
Estádio Sarrià, em Barcelona
Gols: Tardelli, Cabrini | Passarella

1986: Argentina 3×2 Alemanha Ocidental

Final
Estádio Azteca, na Cidade do México
Gols: Brown, Valdano, Burruchaga | Rummenigge, Völler

1994: Arábia Saudita 1×0 Bélgica

Fase de grupos
Estádio RFK, em Washington
Gol: Al Owairan

1998: Alemanha 2×1 México

Oitavas de final
Estádio de la Mosson, em Montpellier
Gols: Klinsmann, Bierhoff | Hernández

2002: Turquia 3×2 Coreia do Sul

Decisão do terceiro lugar
Estádio da Copa do Mundo de Daegu, em Daegu
Gols: Sükür, Mansiz [2] | Lee, Song

https://www.youtube.com/watch?v=AAyWTgCp_SQ

2010: Espanha 1×0 Portugal

Oitavas de final
Estádio Green Point, na Cidade do Cabo
Gol: Villa

https://www.youtube.com/watch?v=UM_XR17IMss

2014: Costa Rica 1×1 Grécia (5×3 nos pênaltis)

Oitavas de final
Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata
Gols: Ruiz | Sokratis

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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