‘A Argentina não preocupa. Somos melhores’: Ídolos ingleses elevam temperatura antes da semifinal
Declarações de Terry, Neville e Joe Cole esquentam duelo cercado por décadas de rivalidade entre ingleses e argentinos
A semifinal entre Inglaterra e Argentina, marcada para esta quarta-feira (15), em Atlanta, já ganhou contornos de decisão muito antes da bola rolar. Se dentro de campo estará em jogo uma vaga na final da Copa do Mundo 2026, fora dele a temperatura aumentou por causa das declarações de alguns dos principais ex-jogadores da seleção inglesa.
John Terry, Gary Neville e Joe Cole não esconderam a confiança na equipe comandada por Thomas Tuchel e adotaram um tom que certamente reverberou no lado albiceleste.
As falas resgatam um dos confrontos mais carregados de simbolismo do futebol mundial. Inglaterra e Argentina construíram uma rivalidade que ultrapassa as quatro linhas, alimentada por capítulos históricos em Copas do Mundo e pelo contexto político da Guerra das Malvinas. Cada novo encontro entre as seleções inevitavelmente desperta lembranças, provocações e narrativas que tornam o duelo maior do que uma simples semifinal.
Inglaterra x Argentina: um confronto que nunca é apenas futebol
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Poucas rivalidades internacionais carregam tanto peso histórico quanto Inglaterra e Argentina. Embora o futebol seja o palco principal, é impossível dissociar o confronto da Guerra das Malvinas, conflito travado em 1982 entre argentinos e britânicos pela soberania das ilhas. Quatro anos depois, na Copa do Mundo de 1986, o reencontro esportivo ganhou contornos quase cinematográficos.
Naquele duelo pelas quartas de final, Diego Maradona marcou dois dos gols mais famosos da história do futebol. O primeiro ficou eternizado como a “Mão de Deus”, após tocar deliberadamente na bola com a mão antes de vencer Peter Shilton. Minutos depois, o camisa 10 argentino arrancou do campo de defesa, deixou vários adversários para trás e anotou aquele que seria eleito o “Gol do Século”. A Argentina venceu por 2 a 1 e caminhou até o título mundial.
Os capítulos seguintes mantiveram a rivalidade viva. Em 1998, já sem Maradona, os argentinos eliminaram os ingleses novamente, desta vez nos pênaltis, em um jogo lembrado pela expulsão de David Beckham após reação a um entreveiro com Diego Simeone.
Quatro anos depois, veio o troco inglês: vitória por 1 a 0 na fase de grupos da Copa de 2002, graças ao pênalti convertido justamente por Beckham. O confronto voltará a acontecer em Mundiais apenas em 2026, agora valendo um lugar na decisão.
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Terry, Neville e Joe Cole elevam confiança inglesa antes da decisão
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O ex-capitão John Terry foi direto ao avaliar o duelo e descartou qualquer sentimento de inferioridade diante da atual campeã mundial. A declaração reforça um discurso que tem ganhado força entre antigos atletas ingleses: o de que a atual geração reúne qualidade suficiente para encerrar um longo jejum e disputar novamente uma final de Copa do Mundo.
— A Argentina não me preocupa. Eu não olho para a Argentina e penso: “eles são melhores que nós”. Não. Jogador por jogador, nós somos melhores que a Argentina.
Gary Neville preferiu direcionar sua análise para um setor específico da equipe argentina. O ex-lateral acredita que a dupla de zaga formada por Cristian Romero e Lisandro Martínez alterna momentos brilhantes com falhas graves — algo que, na visão dele, poderá ser decisivo diante do poder ofensivo inglês.
— Não vejo nenhuma maneira de não marcarmos pelo menos dois gols. Eu os chamo de melhor-pior par de zagueiros centrais do mundo. Eles passam do sublime ao ridículo. Você tem Cristian Romero e Lisandro Martínez que parecem que entre os dois dão um gol de presente por partida. Depois você os vê de novo e aí estão eles marcando gols, ganhando todos os cabeceios e aparecendo por todos os lados.
Neville reconhece o alto nível técnico dos dois defensores, mas entende que a irregularidade da dupla pode abrir espaços para um ataque inglês que chega embalado pela boa campanha no torneio.
Já Joe Cole foi além das análises táticas e apostou em uma atuação dominante da Inglaterra, inclusive diante de Lionel Messi. O ex-meia demonstrou convicção de que a velocidade inglesa será suficiente para neutralizar o principal jogador argentino.
— Será a primeira vez do Messi enfrentando a Inglaterra? Bem, vamos apagá-lo do jogo. Vamos neutralizá-lo completamente. Sim, 100%. Estou dizendo isso agora: vamos chegar à final da Copa do Mundo. Temos velocidade demais para explorar os pontos fracos da Argentina, e vamos vencê-los. Eu sinto isso nos meus ossos.
As declarações ajudam a aumentar a expectativa para um confronto que, por si só, já mobilizaria atenções em todo o planeta. De um lado estará uma Inglaterra tentando voltar à final de uma Copa do Mundo após décadas de frustrações. Do outro, uma Argentina acostumada a crescer em jogos decisivos e que busca defender o status de campeã mundial.