Copa do Mundo 2026

Ancelotti revive noites de Champions League para afastar nervosismo da Seleção

Treinador promove mudanças táticas no intervalo e mantém confiança na equipe em vitória sobre o Japão

Demorou 95 minutos para o Brasil ficar à frente do placar contra o Japão nesta segunda-feira (29). Tensão e ansiedade no Estádio de Houston, tanto nas arquibancadas quanto dentro de campo. Depois de Rayan roubar a bola na pressão individual, Bruno Guimarães encontrou Gabriel Martinelli, livre, na área, e o atacante do Arsenal finalizou à esquerda de Zion Suzuki, nos acréscimos, para assegurar a vaga nas oitavas de final.

Delírio para os mais de 70 mil presentes no Texas, 25 jogadores da seleção brasileira e a dezena de profissionais da comissão técnica brasileira. Todos eufóricos com a primeira virada em Copas desde o triunfo sobre a Inglaterra, pelos mesmos 2 a 1 nas quartas de final de 2002. Todos, com exceção de um: Carlo Ancelotti, o arquiteto do triunfo na Copa do Mundo, não esboçou sequer um sorriso.

  
Quem o Brasil pode enfrentar no mata-mata?
  
    Copa do Mundo 2026     

Quem o Brasil pode enfrentar no mata-mata?

  
  
Read →

Enquanto mascava seu chiclete, se dirigiu à direção contrária da massa brasileira para promover a entrada de Danilo Santos no lugar de Bruno Guimarães, para fechar a defesa e confirmar o triunfo da seleção japonesa. É por este motivo, além da experiência, que a CBF escolheu Ancelotti. Diante das adversidades em campo, o treinador consegue se manter inerte, confiante de que seus 11 jogadores serão capazes de reverter o resultado.

Ancelotti antes de Brasil x Japão
Ancelotti antes de Brasil x Japão (Foto: IMAGO / DeFodi Images)

A ideia inicial de Ancelotti não deu certo. Ele mesmo reconheceu isto após a partida. O meio-campo do Brasil não conseguiu se sobressair diante da superioridade numérica do Japão no setor. “O movimento entre linhas não funcionou”, afirmou o treinador, em entrevista coletiva. Com um gol atrás do marcador no intervalo, cenário que o Brasil viveu em todas as últimas Copas, desde 2006, e não conseguiu reverter, o italiano manteve a confiança.

Eu sofri menos. Estava confiante. O time estava jogando bem. Depois do gol, tivemos dificuldades pela força do rival. (O Japão) É um time respeitável, muito bem organizado e perigoso. Não foi um time perdido como no primeiro tempo contra o Marrocos — afirmou o treinador, em entrevista coletiva.

Ancelotti buscou mudanças no intervalo depois de erros contra o Japão

“Não falei com Casemiro porque ele estava em campo”, brincou Ancelotti, após o volante ter entrado fora de ritmo no início do primeiro tempo. Enquanto a torcida clamava pela saída do meio-campista, amarelado, o treinador o manteve em campo após o intervalo.

É normal errar. “Vamos errar”, disse Ancelotti. Além de Casemiro, a defesa brasileira como um todo falhou no gol de Kaishu Sano. Atrás do marcador, e chegando ao vestiário, a postura do treinador não mudou: Lucas Paquetá foi substituído por Endrick, com uma lesão muscular. Não fosse por isso, talvez o treinador nem faria alterações no time que foi a campo.

Com dificuldades para superar a defesa japonesa, com a bola no chão, o Brasil adotou a bola aérea como estratégia. Sem mudanças de peça, mas na postura em campo. “Podemos ajustar como nos recuperar dos erros. Ninguém pensava que o time não iria pensar. Ninguém pensava que esse time não ia fazer gol“, reforçou o treinador.

Gabriel Martinelli comemora gol pela seleção brasileira (Foto: IMAGO / Xinhua)
Gabriel Martinelli comemora gol pela seleção brasileira (Foto: IMAGO / Xinhua)

Não demorou para o Brasil criar chances. Ao todo, foram 40 cruzamentos na área japonesa, em direção ao goleiro Suzuki. Aos 11 minutos, Casemiro, criticado na primeira etapa, igualou o marcador. E Ancelotti, que manteve o volante, foi recompensado. Outra alteração, para chegar ao triunfo, foi a entrada de Martinelli na vaga de Cunha.

— Ele só deu confiança para a gente. Disse que íamos empatar e virar. Independentemente do minuto em que fizéssemos o gol, era para continuarmos na partida, confiantes. O ‘body language’ dele, o quão tranquilo ele é… é surreal — disse o atacante do Arsenal, à “CazéTV”, após a partida.

Se fosse para a prorrogação, Ancelotti também já tinha um plano montado: Neymar, que reestreou com a seleção na última partida, seria utilizado nos 30 minutos finais para trazer um ar novo à equipe. Não foi necessário, com as 20 finalizações do Brasil em direção à seleção japonesa.

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e fique por dentro do melhor conteúdo de futebol!

Um conteúdo especial escolhido a dedo para você!

Aoa se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Ancelotti recupera ‘noites mágicas’ do Real Madrid em sua primeira Copa do Mundo com a seleção

Quando ainda era presidida por Ednaldo Rodrigues, a CBF tinha Carlo Ancelotti na sua lista de prioridades para suceder Tite na seleção brasileira. Para além da filosofia do jogo, a ideia era de que o italiano poderia impulsionar o sucesso na Copa do Mundo com sua postura à beira do campo.

Antes desta Copa do Mundo, Ancelotti destacou o trabalho psicológico do elenco em um torneio. Essa era uma das suas forças no período em que treinou Vinicius Júnior no Real Madrid. Nas “noites mágicas do Bernabéu”, a equipe espanhola conseguiu viradas que marcaram a carreira do treinador na Champions League.

Em 2021/22, dois gols de Rodrygo contra o Manchester City, nos acréscimos, garantiram sobrevida do Real Madrid à prorrogação — e a consequente classificação para a decisão naquela temporada. No mesmo ano, Karim Benzema marcou três vezes, nas oitavas de final, para eliminar o Paris Saint-Germain na campanha até o título.

A seleção brasileira conseguiu, pela primeira vez, reimprimir as noites mágicas que Ancelotti teve sob o comando do Real Madrid. Agora, se prepara para mais um duelo no caminho até o hexa. No próximo domingo (5), no MetLife Stadium, em East Rutherford, o Brasil enfrenta Costa do Marfim ou Noruega, às 14h (de Brasília), pelas oitavas de final.

Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo