Copa do Mundo 2026

Costa do Marfim x Noruega: Qual o melhor adversário para o Brasil nas oitavas da Copa do Mundo

Seleção brasileira espera seu adversário do próximo domingo (5), mas seria 'prudente' torcer por um deles

O Brasil se classificou para as oitavas de final da Copa do Mundo vencendo o Japão por 2 a 1 nesta segunda-feira (29). Agora, espera o confronto entre Costa do Marfim e Noruega para descobrir seu adversário do próximo domingo (5).

Após um jogo difícil contra os japoneses, que exigiu mudança de proposta tática para Carlo Ancelotti, a Seleção pode enfrentar equipes que têm propostas distintas e exigem cuidados diferentes.

  
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Costa do Marfim e Noruega oferecem perigos diferentes ao Brasil

Se o Japão era uma equipe muito disciplinada defensivamente e com grande capacidade de furar a pressão brasileira através de sua construção com três zagueiros, os possíveis adversários das oitavas são diferentes.

A Costa do Marfim é um time ligeiramente mais propositivo. Montada a partir de um 4-3-3 clássico, a equipe de Emerse Faé é bastante adaptável na forma de construir, mas tem uma base sólida com um volante de imposição física, mas bom passe, atrás de uma dupla de meias que misturam força e habilidade.

No entanto, a ideia central marfinense é simples: isolar seus pontas pelos lados para os colocar constantemente em situações de um contra um. E o foco do time é claramente Yan Diomande.

Yan Diomandé em ação pela Costa do Marfim
Yan Diomandé em ação pela Costa do Marfim (Foto: Terence Lewis / Icon Sportswire / Imago)

O atacante do RB Leipzig é cobiçado por gigantes no mercado de transferências e é o principal jogador do time. Forte, veloz, explosivo e habilidoso, é um ponta que causa dor de cabeça para qualquer lateral e já teve atuações muito elogiadas na Copa do Mundo.

Com uma linha de defesa capaz de construir, um meio-campo que mistura força e habilidade e um ataque veloz para jogadas individuais e em transição, a Costa do Marfim tem diferentes armas para ferir seu adversário.

Já a Noruega, por outro lado, é um time mais direto: usa a “gravidade” que Erling Haaland causa para acelerar o jogo e buscá-lo em velocidade atacando a profundidade.

A equipe de Stale Solbakken tem jogadores de grande nível europeu, mas é menos paciente para manter a bola. Também em 4-3-3, o time tem Julian Ryerson, lateral-direito, sendo o responsável pela amplitude pela direita para Alexander Sorloth, um centroavante “troglodita” que é escalado como ponta-direita, cair pelo meio como outro atacante de área.

Martin Odegaard é o principal criador do time e o responsável quase único pelos passes que rompem linhas para chegar à área. Na esquerda, os noruegueses ainda contam com Antonio Nusa como um ponta habilidoso, mas é um time focado em transições e bolas na área para seus jogadores com média de 1,88m de altura no time titular.

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Quem é melhor a seleção brasileira enfrentar nas oitavas da Copa do Mundo?

Erling Haaland comemora após marcar gol pela Noruega (Foto: IMAGO / ZUMA Press Wire)
Erling Haaland comemora após marcar gol pela Noruega (Foto: IMAGO / ZUMA Press Wire)

Em uma disputa entre um time mais criativo, que gosta mais da bola e é perigosa pelos lados, e uma equipe muito forte em transição e que se defende baixo e compacto, a história recente tem dado a resposta. A tendência é que a seleção brasileira sofra mais contra a Noruega — por isso, espera-se que seja melhor o Brasil enfrentar a Costa do Marfim nas oitavas de final.

O Brasil sofreu contra Marrocos e mesmo nos 16 avos, contra o Japão, justamente porque enfrentava times defendendo em bloco baixo e de forma muito compacta. Sem espaço nas costas da defesa e no entrelinhas, o time de Ancelotti teve muita dificuldade.

A Noruega se defende baixo em 4-1-4-1, negando espaços na área e contando com uma linha defensiva alta que impediria cruzamentos. Se o Brasil não conseguir movimentos de manipulação de opositores com Matheus Cunha, Bruno Guimarães e Vinicius Júnior, por exemplo, seria difícil pensar que consiga entrar na área com facilidade.

E sendo um time suscetível a erros na construção, como mostrou no gol sofrido para os japoneses, enfrentar uma equipe com transição forte e liderada por um criador de alto nível em Odegaard e o centroavante mais letal do planeta, Haaland, pode resultar em perigo.

Mesmo que seja “preferível” enfrentar a Costa do Marfim, não significa que também seria um jogo fácil. Ver Diomande enfrentando Danilo, por exemplo, também é a receita para chances de grande perigo no lado africano. Mas é uma equipe que pode ser bem marcada antes disso acontecer e que provavelmente não aceitará a pressão brasileira com a bola de forma tão passiva — o que pode deixar brechas pra a Seleção.

O Brasil espera seu adversário para o jogo do próximo domingo, às 17h no horário de Brasília, sair do confronto entre marfinenses e noruegueses nesta terça (30), às 14h.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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