Americanos tomam a frente e EUA, Canadá e México oficializam candidatura para Copa 2026
Estados Unidos, México e Canadá vão concorrer juntos como sede da primeira Copa do Mundo com 48 seleções, em 2026. Nesta quinta-feira, as federações de futebol dos três países anunciaram a criação de um comitê da candidatura, que cuidará de todos os aspectos para a inscrição, daqui a nove meses. Será a primeira vez que três países concorrerão juntos para sediar o principal torneio de futebol do mundo.
LEIA TAMBÉM: Mudar sede das Copas de 2018 e 2022? Secretária-geral diz que não há base sólida para mudança
“Estamos empolgados em começar o processo de candidatura com nossos parceiros do Canadá e México. Esta é uma oportunidade especial para a América do Norte se unir pelo nosso esporte e uma jornada para sediar a Copa do Mundo Fifa de 2026”, afirma Sunil Gulati, presidente da US Soccer, a federação de futebol dos Estados Unidos, e presidente da candidatura conjunta.
“O Comitê da Candidatura Unida tem experiência e recursos para entregar uma candidatura de sucesso, mas será preciso um enorme esforço em conjunto nos próximos oito meses e meio para demonstrarmos à Fifa o potencial total de nossas três nações e parceiros na Concacaf para fazer a melhor Copa do Mundo da história”, diz ainda o dirigente americano no comunicado.
“A Canada Soccer está satisfeita de dar este importante passo na nossa colaboração com o México e Estados Unidos pela nossa candidatura conjunta para sediar a Copa do Mundo 2026 com a formação do Comitê de Candidatura Unida”, afirmou Steven Reed, presidente da Canadian Soccer Association. “Nós estamos confiantes que o expertise coletivo e a experiência dos membros do comitê irá resultar em uma candidatura no mais alto nível para o esporte mais popular do mundo”.
“Para o meu país hoje é um dia muito importante”, afirmou Decio De Maria, presidente da Federación Mexicana de Fútbol Asociación. “Estes três países ficarão muito felizes em receber o resto do mundo e validar que o futebol nos permite unir países, essa é a celebração, e nós iremos receber todos que quiserem aproveitar esta grande festa. Oferecer a possibilidade ao México de organizar uma terceira Copa do Mundo é muito especial”, analisou ainda o dirigente mexicano.
Foram confirmados os nomes de 10 executivos que fazem parte da diretoria da candidatura. São cinco americanos, três canadenses e dois mexicanos – o que já indica um pouco sobre a influência americana sendo a maior nesta candidatura. Veja quem são os membros da diretoria:
Sunil Gulati, americano, presidente da US Soccer e membro do Conselho da Fifa;
Steven Reed, canadense, presidente da Canadian Soccer Association, a Federação Canadense de Futebol;
Peter Montopoli, canadense, secretário-geral da Canadian Soccer Association, que será também responsável pela candidatura do Canadá;
Decio De Maria, mexicano, presidente da Federación Mexicana de Fútbol Asociación (Femexfut ou FMF);
Guillermo Cantu, mexicano, secretário-geral da Femexfut;
Carlos Cordeiro, americano, vice-presidente da US Soccer;
Donna Shalala, americana, membro independente da US Soccer, ex-secretária de saúde de serviços humanos no governo Clinton e atual presidente da Fundação Clinton;
Dan Flynn, americano, deputado estadual no Texas e empresário;
Don Garber, americano, Comissionário da MLS e membro do conselho da US Soccer;
Victor Montagliani, canadense, presidente da Concacaf e membro do Conselho da Fifa.
Além deles, Yon De Luisa, vice-presidente da Televisa, foi nomeada diretora da candidatura mexicana, embora não seja parte da diretoria da candidatura conjunta.
Fica clara a direção americana dentro da candidatura. Não só porque tem o mesmo número de representantes na diretoria que os outros dois países somados, mas porque é quem leva à frente o projeto. Há um acordo para que os Estados Unidos recebam 60 dos 80 jogos que serão disputados na Copa. Canadá e México sediariam 10 jogos cada. Este, porém, é um acordo informal.
A Fifa colocou como prazo final de 11 de agosto para que os países se manifestem com intenção de sediar a Copa do Mundo de 2026. A partir daí, as candidaturas precisam preparar o seu material e montar o planejamento para que a candidatura seja inscrita até o dia 16 de março de 2018. Por isso Gulati falou em oito meses e meio de preparação até submeter a candidatura à Fifa. As candidaturas serão avaliadas no Congresso da Fifa em junho de 2018.
É preciso lembrar que o processo para a escolha de Copa do Mundo ainda irá mudar. Os requerimentos da Fifa, com acordos de estádios e garantias governamentais, ainda será publicado. Não se sabe se a entidade que dirige o futebol mundial irá mexer muito ou pouco no modo como faz a Copa do Mundo, mas diante de tudo que aconteceu para as candidaturas das últimas Copas, incluindo 2018 e 2022, que ainda nem aconteceram, além do escândalo Fifagate, é bem possível que o chamado “Padrão Fifa” seja bastante modificado.
A candidatura americana para a Copa do Mundo de 2022 tinha acordo com 20 estádios de 18 cidades, que ainda seriam escolhidas. Só que desde então, já surgiram novos estádios no país e a expectativa é que hajam ainda outros, inclusive para times da MLS. O grande trunfo dos americanos, especialmente, é uma estrutura muito adiantada. Este é um ponto que a Fifa vinha descartando nas candidaturas. Ou melhor: era um ponto pouco considerado no processo corrupto do sistema de seleção da Fifa.
Três datas, então, definirão a sede da Copa do Mundo de 2022. No dia 11 de agosto saberemos quem são os países interessados em sediar a competição; no dia 16 de março de 2018 saberemos quem, de fato, entregou a candidatura (é comum que países desistam ao longo do processo, por mudança de política ou por considerar o caderno de encargos da Fifa pesado demais); e 13 de junho de 2018, quando as candidaturas que tiverem os requerimentos técnicos necessários serão apresentadas no Congresso da Fifa.
Esta última data é uma crucial, porque será a primeira vez que a escolha da sede da Copa não será feita pelo Comitê Executivo, que foi substituído pelo Conselho da Fifa. Desta vez, a votação será aberta e todos os 211 membros da Fifa irão votar. Foi uma das mudanças que a entidade fez para inibir e dificultar a troca de favores e corrupção que acontecia no processo – como o Relatório Garcia deixou claro.
Com tudo que vimos desde dezembro de 2010, quando Rússia e Catar foram escolhidas para sediar as Copas de 2018 e 2022, respectivamente, é bem possível que a candidatura da América do Norte seja a grande favorita. Talvez marque o fim de escolha de sedes que apenas deem à Fifa possibilidades de acordos e barganhas e privilegie mais o aspecto esportivo. Está na hora da Copa do Mundo ser mais sustentável, gastar menos em construções inúteis. Isso tudo passa pelos requerimentos que a Fifa fará e de ter um processo mais limpo e transparente. Só que isso é só uma esperança por enquanto. Até porque nós sabemos que nesse jogo de xadrez dos dirigentes, não há inocentes.



