Copa do Mundo

Algoz do Brasil em 2022, a Croácia mudou. E agora?

Ainda sob comando de Zlatko Dalic, seleção convive com período de despedidas de pilares

Próximo à Copa do Mundo, a Croácia, adversária da seleção brasileira nesta terça-feira (31), às 21h (horário de Brasília), vive um encerramento de uma geração, que teve Luka Modric como principal líder.

Aos 40 anos, o histórico meio-campista de Tottenham, Real Madrid e, agora, Milan, disputará seu último Mundial e, ao que tudo indica, deverá se aposentar do futebol de seleções, o que traz ainda mais simbolismo para a transição de ciclos.

Apesar disso, o técnico Zlatko Dalic chega ao seu nono ano no comando técnico dos croatas e disputará sua terceira Copa do Mundo. As ótimas campanhas das últimas duas edições, com o vice-campeonato em 2018 e a terceira posição em 2022, colocam uma pressão extra para a geração que começa a ganhar espaço na seleção de Dalic.

Nomes como Josip Stanisic, Petar Sucic e Franjo Ivanovic são esperanças para a nova safra do futebol croata. E devem marcar presença no amistoso contra o Brasil.

Luka Modric em amistoso da Croácia
Luka Modric em amistoso da Croácia. Foto: Pixsell / Icon Sport

As principais mudanças nos nomes da Croácia

Ao comparar com o grupo presente na última Copa do Mundo, algumas baixas são mais relevantes, como os zagueiros Dejan Lovren e Domagoj Vida, dupla titular do vice de 2018, e o meio-campista Marcelo Brozovic, que optou por deixar a seleção logo depois de Ivan Rakitic. Os principais remanescentes desta geração, além de Luka Modric, são Ivan Perisic, Mateo Kovacic, Mario Pasalic e Andrej Kramaric, todos com idade superior a 30 anos.

A partir desta transição de gerações, Zlatko Dalic passou a apostar em jogadores que começam a entrar na mira dos grandes mercados europeus. Os mais destacados são:

  • Josip Sutalo, zagueiro do Ajax;
  • Luka Vuskovic, zagueiro do Tottenham, mas emprestado ao Hamburgo;
  • Josip Stanisic, lateral do Bayern;
  • Nikola Moro, meio-campista do Bologna;
  • Petar Sucic, meio-campista da Internazionale;
  • Lovro Majer, meio-campista do Wolfsburg;
  • Franjo Ivanovic, atacante do Benfica;
  • Igor Matanovic, atacante do Freiburg.
Gvardiol, destaque da defesa croata
Gvardiol, destaque da defesa croata (Foto: IMAGO / HANZA MEDIA)

Apesar das mudanças, a Croácia levará ao amistoso diante do Brasil no dia 31 de março 12 jogadores que estiveram no time que eliminou a Seleção na Copa de 2022: Livakovic, StanisicMartin ElicSutaloModricPasalicNikola VlasicMajerSucicPerisicKramaric e Ante Budimir.

Destes, Erlic, Stanicic, Sutalo e Sucic não atuaram naquela partida, mas os três últimos passaram a ser cada vez mais importantes no atual ciclo. Satanisic, por exemplo, se tornou uma grande arma em bolas longas e foi o segundo jogador do time com mais passes-chave por jogo (2,4) nas Eliminatórias. Sucic e Sutalo foram destaques defensivos, com mais divididas e interceptações, respectivamente.

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A Croácia mudou a forma de jogar?

Uma preocupação antes do confronto de 2022 era com a forma como os croatas mantinham a bola. Um trio de meio-campo qualificado na manutenção da posse com Brozovic, Kovacic e Modric, além de Pasalic caindo da direita para o meio, chamava a atenção. No fim, a posse no tempo normal foi equilibrada (51% a 49% para os europeus).

A ideia central do time não mudou desde então. Indo para sua terceira Copa, Dalic mantém a Croácia como uma equipe que domina a partir da posse, com zagueiros construtores, laterais que alternam entre atacantes e construtores e povoa o meio com jogadores talentosos e criativos.

Um reflexo disso são os números da equipe nas Eliminatórias: média de 70% de posse de bola, com 45% dos passes sendo no campo adversário e cinco dos oito jogos sem sofrer gols. E mais do que isso, se tornou um time mais volumoso.

A Croácia marcou 26 gols em oito jogos, uma média de 3,3 por jogo, com 5,8 grandes chances criadas por partida. Teve goleadas por 7 a 0, 5 a 1 e 4 a 0 na campanha. E uma forma de ilustrar o jogo coletivo é o número de assistências: 18 dos 26 gols foram assistidos.

A principal mudança, no entanto, passa pela perda de algumas peças cruciais. Sem Brozovic, o volante termômetro de 2022, e com constantes lesões de Kovacic, os croatas passaram a jogar mais em 4-2-3-1, com a presença de um segundo atacante — geralmente Kramaric ou Vlasic.

A forma de construir segue parecida: zagueiros com bom passe, um lateral esquerdo mais construtor, geralmente Gvardiol, e o lateral-direito mais agudo, para combinar com Pasalic, que segue como o ponta-direita que vira um quarto meia. A combinação de um atacante mais móvel atrás de um mais tradicional também tem feito sucesso.

Já teve momentos, inclusive, que a Croácia jogou com três zagueiros. Contra as Ilhas Faroé, por exemplo, teve Stanisic, Gvardiol e Vuskovic como trio em um 3-4-2-1 muito móvel.

O papel de Modric no ciclo para 2026

Croácia antes de amistoso da Data Fifa de março deste ano
Croácia antes de amistoso da Data Fifa de março deste ano. Foto: SUSA / Icon Sport

Se Luka Modric foi protagonista e titular absoluto durante toda a sua trajetória na seleção croata, o ciclo atual, principalmente durante as Eliminatórias, serviu para Dalic gerenciar o tempo de jogo de seu capitão e camisa 10.

Dos oito jogos possíveis, Modric começou jogando em quatro e só cumpriu os 90 minutos em uma oportunidade. Quem o substitui varia bastante de acordo com o adversário. Um 4-4-2 com dois centroavantes foi testado, assim como uma escolha simples por Majer como 10.

No entanto, sua recorrência como titular do Milan é consideravelmente alta. Dos 29 jogos que disputou na Serie A, Modric começou no banco em apenas uma oportunidade, além de ter contribuído com dois gols e outras três assistências.

Campanhas na Euro e Nations

Apesar das grandes campanhas nas últimas duas Copas, os desempenho aquém na Eurocopa de 2024 evidenciou ainda mais a necessidade de acelerar a transição de gerações.

Na Euro, a Croácia sequer conseguiu se classificar para o mata-mata em um grupo com Espanha, Itália e Albânia. Já na Nations League 2024/25, o rendimento melhorou, mas a queda ocorreu nas quartas de final, contra a França.

Ou seja, existe um processo de passagem de bastão e, possivelmente, a Copa do Mundo deste ano será o evento derradeiro para esse marco.

Foto de Gabriel Mota

Gabriel MotaGerente de Mercado

Nascido e criado em Petrópolis, mas 'naturalizado' carioca, é jornalista pela ESPM-Rio. Já passou por 365Scores, Lance! e Footure. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2026.
Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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