Alemanha x Curaçao: Por que Wirtz é a grande arma de Nagelsmann para a estreia na Copa?
Apesar da irregularidade apresentada no Liverpool, meia é grande esperança alemã no Mundial
A Copa do Mundo 2026 já começou e, neste domingo (14), uma das gigantes do futebol europeu entra em campo. A seleção da Alemanha faz a sua estreia no Grupo E contra a seleção de Curaçao, no Houston Stadium.
Sob o comando de Julian Nagelsmann, os alemães buscam apagar as campanhas decepcionantes dos Mundiais de 2018 e 2022. Para isso, o ex-treinador do Bayern de Munique conta com um elenco talentoso e capaz de deixar sua marca no torneio.
O setor ofensivo da equipe é um dos mais qualificados do planeta. Nomes como Jamal Musiala e Florian Wirtz chegam com a missão de ditar o ritmo dos tetracampeões mundiais nesta Copa. Wirtz, em especial, costuma crescer de rendimento em partidas internacionais, apresentando um futebol superior ao que demonstrou no Liverpool de Arne Slot ao longo da temporada 2025/26.
A Trivela te mostra por que o jovem de 23 anos é a peça-chave do esquema tático da Alemanha e os motivos de seu rendimento ser mais vistoso defendendo o seu país.
A importância de Florian Wirtz no esquema de Julian Nagelsmann
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Florian Wirtz ganhou destaque no futebol mundial atuando na Bundesliga. Ele se tornou o marcador de gol mais jovem da história da competição antes de colecionar prêmios de melhor jogador do ano, liderando a histórica campanha invicta do Bayer Leverkusen na temporada 2023/24.
Embora muitos torcedores da Premier League enxerguem o atleta — contratado por cerca de 130 milhões de euros (aproximadamente 839 milhões de reais, de acordo com a cotação da época) — como um meia armador centralizado, ele construiu a maior parte da carreira caindo pelo lado esquerdo do ataque. Com Xabi Alonso, Wirtz tinha a função de abastecer centroavantes como Patrik Schick e Victor Boniface, conduzindo a bola pelo corredor esquerdo antes de infiltrar na grande área.
Essa característica faz com que ele se encaixe perfeitamente no sistema 4-2-3-1 de Nagelsmann. Na seleção, ele atua aberto pela esquerda em um trio de meias que tem Musiala centralizado e Leroy Sané na direita, servindo o atacante Kai Havertz. O posicionamento permite ao camisa 10 encontrar espaços nas costas dos volantes adversários, ligando a defesa ao ataque ou cortando para o meio para finalizar e cruzar com perigo.
O impacto do jogador na equipe nacional é evidente. Em março, ele foi o grande nome da vitória de virada por 4 a 3 sobre a Suíça, anotando dois gols e duas assistências. Antes disso, já havia servido Sané em duas oportunidades na goleada por 6 a 0 diante da Eslováquia, no encerramento das Eliminatórias.
Se Nagelsmann conseguir manter seu principal criador em alto nível, a capacidade de Wirtz de ditar o ritmo e decidir confrontos em um lance de magia será o fator determinante para as ambições alemãs nos Estados Unidos, México e Canadá.
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Os desafios no Liverpool sob o comando de Arne Slot
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Apesar das exibições de gala pela seleção, o meia ainda não conseguiu repetir o mesmo impacto em seu clube. Na Inglaterra, torcedores e analistas frequentemente questionavam o alto valor de nove dígitos investido pelos Reds.
Em seu último ano no Leverkusen, Wirtz somou 16 gols e 14 assistências. Embora estatísticas de gols e passes não sejam as únicas métricas para avaliar um armador, o desempenho de sete gols e sete assistências por todas as competições em 2025/26 ficou abaixo das expectativas no Anfield.
Uma das críticas mais comuns da imprensa britânica dizia respeito ao vigor físico do alemão, um atributo fundamental para o sucesso na Premier League. O próprio jogador admitiu a necessidade de um período de adaptação, revelando ter ganho cerca de quatro quilos de massa muscular nos primeiros meses na Inglaterra.
Por outro lado, o empenho do atleta nunca foi um problema. Wirtz terminou a última liga inglesa entre os dez meio-campistas com maior distância percorrida em alta intensidade por partida. Diante disso, a expectativa em Anfield é que o novo treinador do clube, Andoni Iraola, consiga potencializar o futebol do alemão.
O modelo de jogo de Slot apresentava sérias dificuldades na transição ofensiva a partir do campo de defesa, o que isolava o meia em diversas partidas de 2025/26. Na seleção da Alemanha, esse problema deixa de existir, já que a equipe conta com a qualidade de passe de defensores como Joshua Kimmich e Nico Schlotterbeck para qualificar a saída de bola.
O fator psicológico e o apoio da comissão técnica a Wirtz
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Outro diferencial para o sucesso de Wirtz com a camisa alemã é a gestão humana de Julian Nagelsmann. O treinador fez questão de defendê-lo publicamente em entrevistas coletivas, classificando como injustas as críticas feitas por comentaristas locais — como o ex-jogador Gary Neville, que chegou a dizer que o meia atuava “como um garotinho”.
Após ser eleito o melhor em campo no amistoso contra os suíços, o jovem revelou que os diálogos com o técnico da seleção foram fundamentais para superar o início oscilante no futebol inglês. Nagelsmann pontuou que momentos de instabilidade são normais na carreira e servem para fortalecer o atleta.
A condução de grupo de Arne Slot foi questionada em seus dois anos de Liverpool e relatos de bastidores apontaram que o relacionamento do antigo comandante com o elenco era distante. Receber o apoio irrestrito na seleção renova a confiança de Wirtz, um jogador técnico e criativo que precisa estar seguro para arriscar os dribles e passes verticais que caracterizam o seu futebol.