Copa do Mundo

12 destaques das seleções eliminadas que podem almejar mais pelo que fizeram na Copa

A Copa do Mundo é um sonho a jogadores, mas não se encerra em si. Há muitos que aproveitam a oportunidade como uma vitrine para mostrar serviço e, quem sabe, arranjar uma transferência para um centro maior, buscar um salário mais poupudo. A fase de grupos pode não ter sido feliz às equipes que ficaram pelo caminho. Ainda assim, vários jogadores apareceram bem na competição, independentemente da falta de sorte com as suas seleções. Talvez descolem algo a mais nos próximos meses, pela atenção que chamaram nos gramados russos.

Abaixo, destacamos 12 jogadores das seleções eliminadas na Copa do Mundo, pegando um por elenco. Jogadores que não são exatamente badalados, embora alguns deles fossem já reconhecidos e idolatrados em seus países. No entanto, a forma exibida na Rússia pode valer bastante à sequência de suas carreiras. Confira:

Mohamed El-Shenawy

O goleiro do Egito, ao que tudo indicava, seria o veterano Essam El-Hadary. El Shenawy ganhou uma oportunidade apenas nos amistosos preparatórios, mas se tornou titular. Justificou a chance com uma atuação magnífica na estreia contra o Uruguai, embora não tenha ajudado tanto assim a sua equipe no confronto com a Rússia, no qual não teve muita culpa no baile. Titular do Al-Ahly na última temporada, quase sempre defendeu clubes modestos no Campeonato Egípcio. Aos 29 anos, pode se tornar ídolo do gigante africano ou virar a solução a clubes endinheirados do Oriente Médio.

Salem Al-Dawsari

Salem foi um dos jogadores que participaram do frustrado projeto da federação saudita que integrou convocáveis ao Campeonato Espanhol. O meia disputou míseros 33 minutos pelo Villarreal, embora tenha tentado arriscar nesta parca chance. Mas, convocado à Copa, pôde apresentar suas virtudes no Mundial. Anotou um dos gols da equipe e era o mais incisivo em uma equipe que administrava a posse de bola, mas não agredia. Antigo ídolo do Al-Hilal, pode voltar com moral ao maior clube saudita. Qualidade ele tem.

Ramin Rezaeian

O lateral direito do Irã mostrou atitude e muita entrega ao longo do Mundial. Sua melhor atuação aconteceu contra a Espanha, na qual ofereceu bastante combate ao ataque adversário, por mais que Isco o incomodasse com frequência. O gol saiu em sua rebatida nas pernas de Diego Costa, é verdade, mas nada que anulasse suas ótimas aparições na competição. Aos 28 anos, chegou à Europa na última temporada, defendendo o belga Oostende. Aliás, não é o único persa que pode ambicionar mais. O goleiro Alireza Beiranvand, do Persepolis, e o meio-campista Saeid Ezatolahi, do Amkar Perm, são outros que ganham exposição. Mais jovens, viram alvos no mercado.

Nordin Amrabat

Aos 31 anos, Amrabat possui uma carreira bastante tarimbada. Já passou por clubes da Holanda, da Turquia, da Espanha e da Inglaterra. Sua última temporada foi boa, vestindo a camisa do Leganés. Mas nada como o que se viu na Copa do Mundo. O ponta marroquino partiu para cima dos marcadores, mostrou personalidade e foi uma das principais válvulas de escape dos Leões do Atlas. Não seria exagero dizer que viveu o grande momento de sua carreira. Conhecido pelo empenho e pela velocidade, deve almejar mais. O Watford, com quem ainda tem contrato, provavelmente repensará a situação do medalhão para a próxima temporada.

Daniel Arzani

A principal referência da Austrália é Aaron Mooy, de partidas interessantes no meio-campo. Contudo, quem chamou mesmo a atenção foi Daniel Arzani. O garoto de 19 anos, o mais jovem da Copa do Mundo, virou titular em seu clube apenas em janeiro e ganhou a primeira convocação na pré-lista do Mundial. Agradou tanto que ficou. Podendo jogar nas duas pontas ou como segundo atacante, possui muita facilidade nos dribles e não se furta em usar o recurso, como bem se viu no jogo diante da Dinamarca. Atualmente pertence ao Melbourne City, mas deve arrumar as malas em breve para além da Oceania.

Pedro Aquino

Apenas cinco jogadores da seleção peruana atuam na Europa. Assim, não será surpresa se alguns tiverem chamado atenção no Velho Continente, ante as boas atuações da Blanquirroja – apesar da eliminação precoce. Pedro Aquino não foi titular o tempo todo, mas se destacou quando teve espaço. O volante de muita intensidade apareceu principalmente contra a França, quando quase anotou um golaço de fora da área. Aos 23 anos, pertence ao Monterrey, mas defendeu o Lobos BUAP na última temporada e em maio foi cedido ao León.

Hördur Magnússon

Uma das raras novidades na Islândia em relação à Eurocopa, o lateral esquerdo foi um dos destaques em sua posição. Ajuda principalmente pelo trabalho defensivo, como bem se viu contra a Argentina, dono de um porte físico privilegiado. Permite que a equipe mude o esquema para uma formação com três zagueiros, se juntando ao trio, e leva perigo quando sobe ao ataque, bom no jogo aéreo. Aos 25 anos, passou pela base da Juventus, mas nunca foi aproveitado. Nas duas últimas temporadas, atuou pelo Bristol City.

Oghenekaro Etebo

O meio-campista de 22 anos teve uma ascensão meteórica nos últimos anos. Surgiu no Warri Wolves, do Campeonato Nigeriano, antes de se transferir ao Feirense em 2016. De lá, passou pelo Las Palmas na metade final do Campeonato Espanhol. E já experiente na seleção, foi titular absoluto na Copa. Versátil, pode atuar no meio-campo ou no ataque. Pressionou bem na marcação, ofereceu velocidade nas transições e também rabiscou com os seus dribles. Ainda tem fundamentos a melhorar, mas é promissor. Se não teve vida longa no Mundial, ao menos já sabe qual será seu desafio na próxima temporada. No início de junho, havia sido vendido ao Stoke City.

Cho Hyun-woo

Dois gols de pênalti e outro em que o atacante adversário pegou errado na bola. O saldo de Cho na Copa do Mundo é positivo. Se a Coreia do Sul manteve as esperanças no Mundial, foi muito graças ao arqueiro, com defesas importantes nas três partidas. Inclusive aquelas que terminam como amarga lembrança à Alemanha, operando seus milagres para eliminar os atuais campeões do mundo. Ganhando o posto de titular na seleção recentemente, o arqueiro de 26 fez toda a sua carreira no Daegu. O arrojo é um de seus pontos fortes.

Édgar Bárcenas

O Panamá possui diversos medalhões entre os seus protagonistas, mas Bárcenas, de 24 anos, aproveitou a vitrine do Mundial. O meio-campista de muita força e chegadas ao ataque ajudou a equipe em alguns de seus lampejos. Poderia ter marcado um dos gols mais bonitos do torneio até aqui, em chutaço anulado apenas por uma falta de seu companheiros na origem do lance. Ainda assim, dá para ir além dos Cafetaleros de Tapachula, time que conquistou o acesso no Campeonato Mexicano, mas não subirá por não atender os requisitos mínimos da liga.

Mouez Hassen

Foram os 14 minutos mais espetaculares de um goleiro na Copa do Mundo. Tudo bem, a Inglaterra marcou o seu gol, mas não por culpa de Hassen. O tunisiano realizou três defesas impressionantes, e a melhor delas mesmo depois de ter lesionado o ombro em uma saída de gol. Uma pena que as dores não deram trégua, mas dá para buscar um pouco mais em sua carreira por clubes. Recém-integrado à seleção, o jovem de 23 anos disputou a última temporada com o Châteauroux, na segundona francesa.

Moussa Wagué

O rótulo de mais jovem africano a marcar um gol em Copas do Mundo já valeria para colocar Wagué em evidência. Mais do que isso, o lateral teve boas aparições na campanha efêmera de Senegal. Aos 19 anos, possui potência física e capacidade no apoio, por vezes concentrando as ações dos Leões de Teranga pelo seu setor. E pode ter pretensões maiores, defendendo atualmente o Eupen, do Campeonato Belga. É um dos jogadores formados pela Academia Aspire, que investe e prospecta jovens promessas na África.

* Ainda nesta sexta, teremos uma matéria sobre os melhores jogadores da fase de grupos

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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