Brasil

Quem é William Rogatto, acusado de manipulação que diz ter rebaixado 42 times

Investigado pela CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas, 'rei do rebaixamento' confessou os crimes e revelou detalhes do esquema

A CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas investiga as denúncias e suspeitas de manipulação de resultados em jogos de futebol envolvendo jogadores, dirigentes, árbitros, presidentes de clubes e empresas de apostas.

Nesta semana, a CPI ganhou um novo capítulo e um novo personagem: William Pereira Rogatto.

Rogatto foi apontado pelo Ministério Público do Distrito Federal como o chefe de um esquema de manipulação no Estadual. O empresário confessou que fez parte do esquema ilegal de apostas que rebaixou o Santa Maria da primeira para a segunda divisão, em 2024.

Já que não mora no Brasil, William confessou os crimes, mesmo sem apresentar provas, por meio de uma videoconferência.

Mas quem é William Rogatto?

William Rogatto é conhecido como ‘rei do rebaixamento’

Aos 34 anos, William Rogatto é um empresário que ficou conhecido no ramo de apostas esportivas. Autointitulado ‘Rei do rebaixamento’, ele afirma ter influenciado no descenso de 42 equipes no futebol brasileiro.

A mais recente delas é o Santa Maria, que caiu da primeira divisão do Campeonato Brasiliense. É por esse rebaixamento, inclusive, que William Rogatto virou alvo do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) como chefe de um esquema de apostas, na CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas.

Romário, ex-jogador e Senador. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
Romário é o relator da CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Rogatto é acusado pelo MPDFT, junto de outros dois jogadores que atuaram no Santa Maria, de agir deliberadamente para interferir no resultado de duas partidas da equipe no Candangão.

O lateral-direito Nathan Henrique Gama da Silva e o zagueiro Alexandre Batista Damasceno agiram de forma suspeita em duas goleadas sofridas.

A primeira, na 4ª rodada, por 6 a 0 contra o Ceilândia, e na 6ª rodada por 5 a 0 para o Gama. Os dois jogadores foram titulares nas partidas citadas.

Mas, antes mesmo da CPI atual, o nome do empresário já havia aparecido em outra investigação. Em 2020, a Polícia Civil de São Paulo acusou William de manipulação de jogos da Série A3 do Campeonato Paulista.

Foragido, William Rogatto mora atualmente em Portugal e é alvo de ordens de busca e apreensão e de prisão preventiva.

— Basicamente, eu engano o presidente do clube. Vou pagar ele para colocar os meus atletas, aquele time vai perder, ele vai me beneficiar nas minhas apostas. Alguns presidentes sabiam e aceitavam. Eu rebaixei 42 clubes no Brasil. Eu só posso ganhar dinheiro com eles caindo […] O que me dá dinheiro é rebaixar time. Se o presidente do time não está preocupado com o time dele, eu vou estar? Eu ganho dinheiro perdendo jogo, entregando jogo. É por isso que eles me chamavam de rei do rebaixamento desde 2009.

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e junte-se à nossa comunidade. Receba conteúdo exclusivo toda semana e concorra a prêmios incríveis!

Já somos mais de 4.800 apaixonados por futebol!

Ao se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Carioca, Paulista, Goiano… onde William Rogatto atua

Entre os 42 times alegadamente rebaixados, William Rogatto citou apenas um: o Coruripe, de Alagoas, rebaixando duas vezes no Campeonato Alagoano, em 2012 e 2021. Rogatto, porém, não cita em qual ano influenciou no rebaixamento.

Além do time alagoano, o empresário cita que tem participação no descenso de clubes nos principais campeonatos estaduais do Brasil, incluindo o Paulista e Carioca, que classificou como o melhor da sua vida.

— Eu sempre rebaixei clube, e clube grande, viu? O Coruripe, de Alagoas, e um time muito forte do Maranhão eu rebaixei. O melhor campeonato da minha vida é o carioca. Em São Paulo eu rebaixei alguns, também em Goiás, mas o maior alvo hoje são os clubes pequenos — disse o investigado.

John Textor e as acusações de manipulações em jogos do Palmeiras

Durante o depoimento, Rogatto chegou a citar as acusações feitas por John Textor, dono da SAF do Botafogo.

Sem citar nomes ou detalhes que confirmem as manipulações nos jogos do Palmeiras citados pelo mandatário estadunidense, o empresário disse não estar seguro sobre a sua proteção caso “falasse tudo que sabe”, mas garantiu que o CEO botafoguense “não está totalmente errado”.

— Vocês falaram do John Textor. Não sei as provas que ele têm, mas uma coisa posso te falar: as pessoas que trabalharam para mim também trabalharam contra ele neste campeonato. Leila, não quero te enfrentar jamais. Não estou falando que você fez ou não. Mas eu te garanto que o John Textor não está totalmente errado — disse.

Foto de Márcio Júnior

Márcio JúniorRedator de esportes

Baiano formado pela Faculdade Regional da Bahia. Cobriu de carnaval a Copa do Mundo na TVE Bahia, onde venceu o prêmio de reportagem do mês. Passou pela ALBA, Rádio Educadora, Superesportes e Quinto Quarto antes de se tornar repórter na Trivela.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo