Brasil

Para ajudar vítimas no RS, Nenê faz rifa de camisa histórica e questiona CBF

Camisa que comemora os 1000 jogos da carreira de Nenê foi colocada em rifa solidária; toda a renda será destinada para as vítimas de tragédia no RS

Há pouco mais de um mês, Nenê foi homenageado e recebeu uma camisa do Juventude para celebrar os 1000 jogos de uma carreira vitoriosa, com passagens por Santos, Vasco, São Paulo, PSG, Monaco, dentre outros clubes. O jogador decidiu se desfazer da peça histórica por um motivo bastante nobre.

Por meio de suas redes sociais na última terça-feira (8), o meia do Juventude anunciou uma rifa solidária para doar todo o dinheiro arrecadado às vítimas das enchentes que atingem o Rio Grande do Sul.

Na descrição, o jogador de 42 anos informa que o objetivo é levantar R$ 50 mil, e que o sorteio só será realizado quando todos os números forem vendidos. Até o fechamento desta nota, restavam 2270 dos 5000 números disponibilizados. Para participar da rifa solidária e poder concorrer, basta acessar este link.

Falta de consenso entre clubes inspirou ideia

A ideia de fazer uma rifa da camisa, que é uma peça única, veio logo após a decisão da CBF, que acatou o pedido da Federação Gaúcha de Futebol e adiar apenas os jogos envolvendo clubes gaúchos em todas as competições organizadas pela entidade, mantendo o calendário nacional. O que ajudou essa decisão foi a falta de consenso entre os clubes. Por mais que a maioria fosse a favor, alguns outros se posicionaram publicamente e nos bastidores contra o adiamento geral.

– Eu achei que a CBF iria paralisar o campeonato para todos. Como teve essa votação hoje [com os clubes] e não teve um consenso, a partir disso eu pensei fazer algo. É uma coisa muito urgente o que está acontecendo aqui. Tem cidades que estão sendo inundadas agora. Teve gente que teve tempo de sair e muitas pessoas não. Não tem clima nenhum [para jogar futebol] – disse, em entrevista à TNT Sports, na noite de ontem (7).

Capitães podem se unir para conversar com a CBF

Nenê ainda revelou que está conversando com os capitães dos outros 19 clubes do Brasileirão, em uma tentativa de que a influência dos jogadores faça a CBF repensar o assunto – ou, ao menos, criar novas maneiras de arrecadar fundos para ajudar ainda mais pessoas.

– Infelizmente o futebol para mim está em segundo plano. Felizmente nossos familiares estão mais seguros porque estamos na serra [em Caxias do Sul]. O problema é mais nas outras cidades. É um momento em que deveria ter uma consciência de todos. O Brasileirão deveria ser paralisado. Uma vida vale mais que um gol. Funcionários dos clubes estão desabrigados, sem comida, sem água. Eu não estou com clima nenhuma para trabalhar. Por mais que a gente tente fazer algo para ajudar, ainda nos sentimos impotentes.

Atletas vão se posicionando

Ainda antes do depoimento de Nenê e da própria decisão da CBF, Giuliano, do Santos, já havia sugerido a paralisação dos campeonatos organizados no Brasil. Após a vitória do time alvinegro por 4 a 1 sobre o Guarani, o meia disse, no programa Boleiragem, do Sportv, que é preciso um pouco mais de consciência dos organizadores das competições.

– Qual o preço de uma vida? Será que um gol paga o preço de uma vida? Estádio cheio e as outras pessoas sofrendo. É um momento de reflexão para nós, o povo brasileiro ama futebol. Mas até que ponto vale você não parar o futebol e deixar as pessoas sofrerem?

– Somos influência e exemplos. A partir do momento que nos posicionamos e nos juntamos, nós temos força, o país nos olha. A gente tem a capacidade, por meio da nossa imagem, de mandar uma mensagem positiva, um recurso. Juntar cestas básicas, dinheiro, doações. É um momento em que precisamos. A gente fica se colocando no lugar dessas pessoas. Imagina a dor, quando a água baixar, como é que vai ser?

Foto de Vanderson Pimentel

Vanderson Pimentel

Jornalista formado em 2013, e apaixonado por futebol desde a infância. Em redações, também passou por Estadão e UOL.
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