Brasil

Como joga Lerma, alvo especulado no Vasco, e o que pode oferecer a Diniz

Volante do Crystal Palace e da seleção colombiana é alvo para o mercado de 2026

O grande momento vivido pelo Vasco no Brasileirão abre brechas para sonhar alto — no que diz respeito ao desempenho em campo e no mercado de transferências. E um nome como o de Jefferson Lerma simboliza essa situação.

Jogador importante da seleção colombiana e com seis temporadas na Premier League, o volante de 31 anos teria sido sondado pelo clube carioca, segundo o portal “NTVASCAÍNOS”. A ideia seria contratá-lo para 2026.

Lerma tem contrato até o fim da atual temporada no Crystal Palace — ou seja, junho de 2026. Titular nas últimas temporadas pela equipe londrina, o meio-campista perdeu espaço na atual campanha, justamente quando o Palace viveu grande sequência. Mas o que ele poderia levar ao time de Fernando Diniz?

Como Lerma impactaria a defesa do Vasco

Apesar da melhora defensiva se comparada com outros trabalhos, o grande calcanhar de Aquiles de Fernando Diniz segue sendo a defesa. O Vasco tem o quarto melhor ataque de todo o Brasileirão, mas a pior defesa entre os 11 primeiros na tabela.

Lerma comemora título da Community Shield
Lerma comemora título da Community Shield (Foto: Imago)

Lerma seria um reforço com impacto imediato nesse sentido. O volante do Palace tem números que o colocam entre os melhores do mundo no que diz respeito à proteção da própria área. Entre meio-campistas das cinco principais ligas nos últimos 365 dias, Lerma:

  • É superior a 94% dos jogadores em interceptações por 90 minutos;
  • Está acima de 99% dos atletas em bolas afastadas por 90 minutos;
  • Vence mais duelos aéreos do que 83% dos jogadores a cada 90 minutos.

Colocando-o no contexto do Campeonato Brasileiro, as 1,58 interceptações de Lerma fariam com que fosse o terceiro entre os meias de todo o campeonato — levando em conta jogadores que atuaram em pelo menos 15 rodadas na temporada. E nenhum jogador do Vasco chega perto desse número: Hugo Moura é o mas próximo, com apenas 0,85.

Curiosamente, Rayan, o ponta habilidoso e artilheiro, é o segundo em todo o Brasileirão em duelos aéreos vencidos por jogo (1,7) entre meias, mas, depois dele, nenhum outro vascaíno chega perto de vencer ao menos um. Lerma seria o quarto em todo o campeonato no quesito (1,63).

Mais do que um jogador de grande ímpeto físico para duelos, Lerma seria crucial para diminuir o número de chutes a gol que o Vasco sofre. No último ano, teve 1,32 chute bloqueado a cada 90 minutos — número que o colocaria na liderança isolada do Campeonato Brasileiro entre jogadores do seu setor.

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Lerma encaixaria no estilo de jogo de Fernando Diniz?

O upgrade defensivo parece evidente. Mas é necessário mais do que isso para jogar em uma equipe de Fernando Diniz. O treinador historicamente valorizou volantes ágeis, que conseguissem progredir através da pressão e que transitassem de lado para manter a posse.

Apesar de boas valências em alguns desses quesitos, o colombiano nunca foi o estereótipo do volante desejado por Diniz. Os times em que Lerma jogou ao longo da carreira também pouco tiveram relação com o estilo do treinador vascaíno.

Em termos de comparação, o Crystal Palace de Oliver Glasner é um dos times mais diretos e menos pacientes da Premier League. O volante, por sua vez, tentou mais passes longos do que 78% de todos os meio-campistas no último ano.

Fernando Diniz durante Vasco x Vitória (Foto: Icon Sport)
Fernando Diniz durante Vasco x Vitória (Foto: Icon Sport)

Em uma análise fria dos números, a estatísticas envolvendo passes são ruins para Lerma e não casam com o modelo de jogo do Vasco:

  • É pior do que 94% dos meio-campistas em termos de sucesso nos passes (74%);
  • 98% dos jogadores têm mais sucesso em passes longos;
  • Tenta menos passes curtos do que 77% dos meias;
  • Seus 0,31 passes-chave por 90 minutos são menores do que 96% dos jogadores na comparação.

Mais do que passes, a segurança com a bola

Por outro lado, há outros números que podem ser mais animadores, principalmente no que diz respeito à forma como o colombiano consegue manter a posse. Forte e com condições de passar da marcação conduzindo, Lerma pode, sim, ser impactante na construção do Vasco.

Apenas 2% dos meio-campistas do mundo têm mais toques na sua própria área do pênalti do que o volante, e ele também está entre os 89% com mais toques no terço defensivo. Isso indica que é um jogador crucial para a saída de bola.

Lerma não é um grande jogador em termos de conduções: 95% dos meio-campistas das cinco grandes ligas conduzem a bola por maiores distâncias e 97% chegam ao último terço conduzindo com mais frequência do que ele. Ainda assim, o colombiano compensa de outras formas.

Seu primeiro toque para dominar é um dos mais seguros do mundo: apenas 9% dos meias têm menos erros do que ele nesse fundamento. E suas 5,59 recuperações de bola por jogo o fazem um volante de grande valia para uma equipe que busca manter a bola com frequência.

Jefferson Lerma seria um reforço que, caso faça sentido em termos financeiros, promoveria uma melhora no meio-campo vascaíno. O desafio de estar em um time fluido e de grande interesse na bola seria novidade, mas o volante definitivamente tem condições de ajudar a equipe de Diniz em pontos de dificuldade.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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