BrasilBrasileirão Série A

Vasco, Chapecoense e o redemoinho que suga boa parte dos jogos do Brasileirão

Daria vontade de escrever sobre a reação do Vasco. Da grande campanha que o time faz com Jorginho nos últimos jogos do Brasileirão, ensaiando o milagre de escapar do rebaixamento. Daria vontade de escrever sobre o momento especial da Chapecoense. Do time que faz história na Copa Sul-Americana, enquanto luta bravamente para não cair na Série A, se agigantando contra os clubes mais tradicionais. Daria. Mas, no fim das contas, o assunto principal após o empate por 1 a 1 é o mesmo que se discute há 30 rodadas do campeonato. Que se cobra por melhoras faz tempo.

Não dá muita vontade de escrever sobre os erros recorrentes, que tanto prejudicam o andamento do Brasileiro. Sobre a arbitragem que, acima das teorias da conspiração, prova em quase todos os jogos como está despreparada. Vasco e Chapecoense empataram por 1 a 1 no Maracanã. Mas poderia ser 0 a 0. Ou 2 a 1, 1 a 0, 1 a 2, 0 a 1. Até 2 a 2. Depende qual falta de critério você vai querer apontar. Qual problema de interpretação do árbitro Ricardo Marques Ribeiro em diversos lances capitais.

Foi falta de Rodrigo no gol do Vasco? Então não foi falta de Túlio de Melo em tento anulado da Chape? E o pênalti anotado contra os cruz-maltinos, um absurdo? Mas, do outro lado, eles tinham razão em outra penalidade que poderia ser marcada a seu favor? A balança pende muito. Basta escolher onde distribuir os pesos.

Há bons e maus profissionais na arbitragem, como em qualquer área “profissional” – aspas aqui exatamente para a categoria dos árbitros, que deveria ser, mas não é. Todavia, o excesso de problemas no apito do futebol brasileiro neste ano, mais do que é comum em qualquer parte do mundo, aponta para cima. Para questões de preparação e de alinhamento dos árbitros. Já se discute a implantação dos recursos eletrônicos, o que pode ser interessante. Porém, é só para o ano que vem. Para o agora, nada parece ser feito, nem mesmo a criação de um critério comum.

Daria vontade de falar sobre futebol. Daria. Até porque a maioria das discussões sobre este Brasileirão parece fadada ao mesmo assunto. Há muita coisa legal rolando em campo, é claro. Questões táticas e técnicas. Que parecem sugadas por um redemoinho, sempre levando para o mesmo lugar. Mesmo os momentos mais épicos tendem a ser rebatidos pelo argumento do apito. Uma pena, quando haveria tanta coisa mais interessante para se tratar.

PS: Este texto é completamente pessoal. Eu adoro contar boas histórias. Quase sempre atrapalhadas por esse Dia da Marmota infinito que se tornou o Brasileirão.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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