Um orgulho que todo vascaíno para sempre carregará é o de ter feito Dinamite se sentir eterno em seus últimos meses de vida
A inauguração da estátua de Dinamite em São Januário é um dos momentos mais sublimes do futebol brasileiro já dedicados a um ídolo
São incontáveis os momentos de Roberto Dinamite que a torcida do Vasco levará com carinho dentro do peito. A quem superou as mil partidas pelo clube e os 700 gols, sobram histórias a serem recontadas. E elas não foram vividas apenas dentro de campo, afinal. Estão nas emoções compartilhadas por cada torcedor no concreto das arquibancadas, diante da televisão, nas ondas do rádio, na comemoração entre amigos e familiares. Dentre tantos dias sublimes, ainda assim, uma noite permanecerá na memória como talvez a mais especial: a última grande noite de Roberto em São Januário. Um orgulho que todo cruzmaltino para sempre carregará é ter honrado Dinamite em vida. E a inauguração da estátua da lenda é um dos maiores tributos já feitos no futebol brasileiro. Foi gigante, do tamanho que o artilheiro sempre terá ao Vasco.
A celebração aconteceu em abril de 2022, quando Roberto Dinamite já iniciara seu tratamento contra o câncer. A doença era um sinal de que, mesmo eterno na história vascaína, o velho ídolo não ficaria para sempre na tribuna de honra de São Januário. Dava para dizer que até já tinha passado da hora de imortalizar Bob com uma estátua que representasse concretamente sua importância para o Vasco. De qualquer maneira, nunca é tarde para dizer “eu te amo”. E que bom que os cruzmaltinos puderam fazer essa declaração de amor diante de uma figura ainda forte de Roberto, ainda presente para sorrir e sentir essa adoração.
A maneira como Roberto Dinamite é venerado no Vasco se explicitou na mobilização da torcida para o financiamento da estátua. O projeto, cabe salientar, começou antes da descoberta do tumor. E foram necessárias pouquíssimas horas para que o dinheiro para a confecção da escultura fosse levantado. Qualquer cruzmaltino queria dar a sua moedinha que fosse, porque a gratidão por aquilo que Roberto construiu no clube é incalculável. E nem era uma questão só de realizar a doação. Era bem mais de desejar forças ao veterano em seu tratamento. Transmitir, naquele gesto, como milhões estariam ao seu lado.
E estiveram. A inauguração da estátua de Roberto Dinamite é uma das datas mais fantásticas na história ímpar de São Januário. Havia o ar de solenidade esperado a uma cerimônia dessa importância, mas sem perder o ardor da paixão que conduz o futebol e o próprio coração vascaíno. Dinamite recebeu diversos amigos no estádio, prontos a cumprimentá-lo e também aplaudi-lo. Mas o que arrepiou mesmo foi a maneira como a torcida cruzmaltina se fez presente. A estátua era a materialização da idolatria traduzida também em cânticos, em bandeirões, em fogos de artifício. Na alegria que Roberto sempre despertou.
Foi um carnaval que aconteceu em São Januário. Foi uma corrente de energia para revigorar Roberto Dinamite. O ídolo estava fulgurante, com a satisfação expressa em seu rosto. Protagonizaria bonitas cenas, ao abraçar e beijar sua estátua. Não era nenhum egocentrismo, longe disso, porque o caráter de Roberto sempre foi generoso demais para se centrar no culto da própria imagem. Pelo contrário, aquela era uma forma de indicar como estava agradecido pelo gesto imenso proporcionado nos vascaínos. Era, antes de mais nada, um beijo no rosto de cada cruzmaltino. E ninguém melhor para representar a essência do que é ser Vasco que, afinal, o próprio Bob.
A estátua de Roberto foi extremamente feliz em vários detalhes que destaca. Primeiro, por representar a cena mais costumeira do craque, a comemoração de um gol. Depois, por também ressaltar a sua vibração e a sua força, que conduziram o Vasco em centenas de partidas. E isso sem esquecer o sorriso no rosto, quase uma gargalhada. Nada mais característico que a felicidade contagiante do ídolo, a felicidade que também fez uma legião de cruzmaltinos felizes por décadas. Braços abertos, Roberto a partir de então passaria a receber qualquer torcedor na plenitude de ser Vasco.
E se nesta segunda-feira São Januário virou um pesaroso palco do adeus, no velório de Roberto Dinamite que levou milhares de pessoas ao estádio, a estátua seguia presente para oferecer ao menos um pouco de alento em meio à dor. É a imagem que ficará para sempre, a do Dinamite imparável comemorando um de seus tantos gols. Tão importante quanto esta, também a memória da imagem de Roberto abraçado à estátua, enormemente grato, por tudo o que os torcedores vascaínos proporcionaram com aquela homenagem em forma de escultura. A figura que eterniza a gratidão de todo e qualquer cruzmaltino pelo maior que carregou a Cruz de Malta no peito.
Não é só o sorriso da estátua que será imortal, mas o sorriso provocado por cada lembrança de Dinamite. O sorriso que o próprio craque escancarou naquela noite mágica, em que já pôde se sentir eterno nos últimos meses de sua vida terrena.
Nós que seremos eternamente gratos.#MaiorDeTodos #DinaDay pic.twitter.com/MvgV0SJwo8
— Vasco da Gama (@VascodaGama) April 29, 2022