Como era o mundo na última vez que o Atlético-MG perdeu por mais de um gol para o América-MG?
Atlético só fica de fora da final do Mineiro se perder por mais de um gol para o América, algo que não acontece a muito (muito) tempo
Atlético-MG e América-MG se enfrentam neste domingo (17), no Independência, pelo jogo de volta das semifinais do Campeonato Mineiro. O Galo venceu o primeiro jogo por 2 a 0 e por isso só fica de fora da final se sofrer um revés pela mesma (ou mais) diferença de gols. Nesse caso, está do lado do Alvinegro o histórico, já que ele não perde por mais de um gol para o Coelho desde o início do século, quando o mundo do futebol era outro completamente diferente.
Em 2001, no segundo jogo entre os clubes no século, no dia 27 de maio, o América aplicou uma sonora goleada de 4 a 1 para cima do Atlético na final do Mineiro daquele ano. O Galo quase reverteu no jogo seguinte, vencendo por 3 a 1, mas a taça ficou com o Coelho. Desde essa goleada americana, os clubes se enfrentaram outras 59 vezes, e o Alviverde nunca mais venceu o Alvinegro por mais de um gol de diferença.
A segunda lembrança é da final do Campeonato Mineiro de 2001, Nação Americana.
Logo no primeiro jogo, no @Mineirao, goleamos o @Atletico por 4 a 1! ??#DiaDoChocolate#PraCimaDelesCoelho #SomosSparta pic.twitter.com/8wYRVoVp60
— América FC (@AmericaFC1912) July 7, 2020
Nesse recorte de 23 anos, foram 34 vitórias na conta do Atlético, além de 22 empates, sobrando então apenas cinco vitórias para o América, todas por um gol de diferença: 1 a 0 em 2005 e quatro 2 a 1, em 2011, 2015, 2016 e 2022.
O mundo desde então
O América conseguiu o resultado que precisa agora contra o Atlético há tanto tempo, que o mundo mudou completamente desde então. E nem estamos falando de mudanças globais, como avanços da tecnologia, criação de novos países ou até as Torres Gêmeas ainda estarem de pé quando a goleada aconteceu, mas sim de mudanças no futebol.
- Como estavam Atlético e América
O Atlético havia sido vice-campeão do Campeonato Brasileiro em 1999 e campeão Mineiro em 2000, mas fez uma péssima campanha na competição nacional (Copa João Havelange) de 2000, terminando, inclusive, com o mesmo retrospecto do América no Módulo Azul: sete vitórias, seis empates e 11 derrotas, com ambos ficando de fora da fase final do torneio.
O Coelho, que disputou o principal módulo da confusa João Havelange, estava na Série B no anterior e vivia altos e baixos. Em 2001, depois do encontro histórico nas finais do Mineiro, o Galo foi semifinalista do Brasileiro, enquanto o América amargou um rebaixamento.
- Como estava o futebol no Brasil e na América do Sul
No Brasil, o atual campeão nacional era o Vasco, que conquistou a João Havelange. Já a Copa do Brasil estava sob posse do Cruzeiro. Em 2001, quem terminou com o título da liga nacional foi o Athletico-PR, enquanto a copa ficou nas mãos do Grêmio.
Já no continente, quem dominava era o Boca Juniors, então campeão da Libertadores em 2000, que venceria ela novamente em 2001. A situação fica mais curiosa quando comparamos o número de títulos da principal competição continental na época e hoje em dia. Isso porque o Brasil tinha 11 títulos do torneio, enquanto a Argentina já tinha 18. Atualmente, as equipes brasileiras têm 23 taças, enquanto as argentinas 25. Ou seja, a distância caiu de sete para dois troféus, inclusive por conta de clubes como o Atlético (Corinthians, Internacional e Fluminense), que conquistaram a América pela primeira vez nesse período.
- Seleção Brasileira “só” tetra e em apuros
Se hoje o Brasil sonha com o hexacampeonato da Copa do Mundo, em 2001 nem se passava pela cabeça que seríamos penta. Isso porque, na época da vitória do América contra o Atlético, a Seleção Brasileira estava em baixa e com riscos reais de ficar fora da disputa do Mundial de 2002. Um mês depois da goleada americana, o técnico Felipão, hoje no comando do Galo, foi contratado e conseguiu não só classificar o Brasil para a Copa como também levantou a taça da competição no ano seguinte.

- Sem Messi, Cristiano Ronaldo e até craques que já se aposentaram
O que talvez deixe mais claro quanto tempo faz que o América não vence o Atlético por mais de um gol de diferença é analisar as carreiras de jogadores. A dupla Messi e Cristiano Ronaldo, por exemplo, nem sequer havia estreado profissionalmente. O português só entraria em campo pela primeira vez em outubro de 2002, ainda com seus 17 anos (hoje ele já tem 39). Já o argentino estava no Sub-15 do Barcelona, e só estrearia profissionalmente três anos depois, em 2004.
Além deles, craques do futebol mundial que já até se aposentaram, ou haviam acabado de começar suas carreiras, como o caso de Kaká, que tinha meses como profissional no São Paulo, ou nem sequer haviam estreado, como Wayne Rooney e Schweinsteiger, que só atuaram profissionalmente pela primeira vez no fim de 2002.
Outros casos que chamam atenção estão nos próprios clubes. Como, por exemplo, pensar que faltava ainda mais de quatro anos para Alisson, destaque do Atlético atualmente, nascer. Ou mais de dois anos para o nascimento de Renato Marques, artilheiro do América.



