Brasil

Tite celebra resiliência do Flamengo e abre o jogo sobre competição interna

Um sorridente Tite exaltou a entrega do elenco para conseguir a vitória sobre o Botafogo nos acréscimos, na noite desta quarta-feira (07)

Tite chegou à sala de coletiva do Maracanã bastante sorridente, afinal, sua equipe acabara de vencer um arquirrival com gol nos acréscimos da etapa complementar. Apesar disso, a atuação da equipe ao longo dos 90 minutos foi motivo de muitos questionamentos para o comandante. Entre competição interna, encaixes com De La Cruz e Gerson e a falta de criatividade, Adenor Bachi preferiu elogiar a resiliência do elenco.

O que Tite disse?

  • Valorizou a entrega física e tática do Flamengo no segundo tempo
  • Comentou sobre a partida ruim de De La Cruz
  • Analisou competição interna – Wesley x Varela / Pedro x Gabigol
  • Exaltou a atuação de Gerson

Time não vai bem, mas Tite elogia entrega

— Equipe que teve domínio e controle no segundo tempo total. Que fez jus e mereceu vencer. No primeiro tempo ainda teve alguns momentos do Botafogo pela qualidade, pela boa equipe, pelo técnico que tem, a jogada de velocidade puxada de contra-ataque, mesmo assim neutralizada. Persistência, resiliência, ir até o final, são palavras muito fáceis de dizer, mas muito difícil de fazer isso em campo. Teve um nível de concentração muito alto com a entrada de atletas que proporcionaram nesse aspecto a vitória.

O treinador do Rubro-Negro também falou sobre as alterações no segundo tempo. Tite sacou De La Cruz e Varela logo no início da etapa complementar e explicou que as substituições já estavam programadas pelo Flamengo, muito por conta do desgaste físico e mental dos atletas após a pré-temporada nos Estados Unidos.

— Teve problema, sim. Já estava determinada a substituição dele (Varela). Do Nico (De la Cruz) também. Gente, jogamos dois clássicos em quatro dias, início de temporada. A exigência física e mental é muito grande. As duas substituições já estavam determinadas, prontas para fazer no segundo tempo — concluiu.

Tite esteve nervoso até o gol de Léo Pereira, que salvou o Flamengo de novo empate (Foto: André Durão)

Léo Pereira está amando

Depois de ter salvado o Flamengo contra o Vasco, Léo Pereira foi novamente o escolhido para dar a vitória diante do Botafogo. A grande fase do zagueiro vem justamente em um momento de amores fora de campo, já que ele começou um relacionamento recentemente com Karoline Lima, influencer e ex-esposa de Éder Militão, do Real Madrid. Apelidado de “Karolino”, o camisa 4 quer levar a alcunha para frente.

— Posso dizer que é as duas coisas (treino e amor). Feliz tanto dentro quanto fora de campo, com certeza isso reflete. Estou leve, feliz, ajudando meus companheiros. Mais um jogo sem sofrer gol, fui abençoado lá na frente. Pode continuar (com o apelido). Está tudo bom, dando sorte — brincou.

O Flamengo volta a campo no próximo sábado (10), às 16h (de Brasília), para enfrentar o Volta Redonda, em jogo atrasado da terceira rodada da Taça Guanabara. No momento, o Rubro-Negro ocupa a vice-liderança na tabela, com doze pontos.

Veja outros pontos abordados na coletiva

Como De La Cruz pode jogar?

— Com o tempo você me cobra. Guarda essa pergunta que você vai me fazer de novo e nós vamos considerar. Requer tempo de entrosamento dos quatro homens de meio de campo com um jogador de profundidade na lateral. Guarda a pergunta.

Léo Pereira em grande fase

— O Léo é um menino que terminou muito bem o ano, nos 12 jogos, foi um dos jogadores com nível alto. E começou bem o ano, tem qualidade no posicionamento defensivo, nas coberturas, e também nos ofensivos, com construção, bola longa, diagonal e bons passes. E hoje teve a felicidade no cabeceio. Ele ataca muito o primeiro pau nos escanteios. Hoje fez um gol no segundo. Pode aparecer em qualquer lado. É importante para ele. Ficamos felizes pelo jogo passado que fez defensivo perfeito. E hoje mesmo que não tenha salvado, ajudou bastante. (Cléber Xavier)

— E tem margem de crescimento. Isso é importante no atleta. Ele não bateu o topo, tem margem de crescimento. (Tite)

Wesley ou Varela?

— Teste não. Com jogadores desse nível… Eu tenho um carinho muito grande pelo lado humano de todos. Como técnico tenho que escolher. Sei do trabalho por trás do pano. Não me engano. Não boto panos quentes em situação. Falo porque sinto. Tenho que escolher e tenho respeito muito grande por eles. Antes do jogo, coloquei isso a eles antes de começar o jogo e fazerem o aquecimento, falei que a preparação seria fundamental para entrar e ser decisivo. Não porque sou advinho, o futebol é assim, te traz isso. No lado direito, o Varela dá quando a jogada é de combinação e dá o timing para passar. O Wesley não precisa nem de timing, só o lançamento longo já dá infiltração.

Falta de criatividade do Flamengo

— Coordenação fina se pega com o tempo. O atleta vai adquirindo sua melhor condição. Estou falando de todos: nós, Botafogo, todas as equipes. Ela retoma uma finesse maior com a sequência de jogo. É da jogada individual, mas é do posicional. A gente não engessa na frente, dá o plano criativo. Por vezes vai ser do drible, da tabela, da assistência… O Arrascaeta é um jogador assim. Ele fala para você que precisa da sequência de jogos. Eu ouvia mesmo quando não era do Flamengo. Os jogadores são assim, precisam para encontrar essa finisse. (Tite)

— Para não ser um jogo imaginário. O lance que o Arrascaeta finalizou contra o Vasco foi um lance cavado nas costas do adversário. Numa infiltração do Gerson, tem uma bola do Varela de retorno, ele faz o cruzamento e o Arrascaeta vem, parecido com o gol contra o Palmeiras. Não vale pegar 15 minutos de um lado e 15 do outro, juntar as duas coisas e não olhar que no segundo tempo chutamos oito, nove, e eles chutaram uma. Não vale porque aí o número fica fatiado. (Tite)

— O Botafogo veio num 4-1-4-1. Mudou o jeito dos últimos jogos, baixando, não pressionou alto. Reduziu nossos espaços ofensivos. Em algum momento, a ânsia para criar situação faz com que o jogador faça uma bola longa, não encontre o espaço no meio. Isso entra na finesse que a gente falou. Finesse das movimentações para poder desenvolver com calma. Trabalhar boas bolas longas, teve uma bola para o Gerson atrás da defesa. Por ter errado algumas, parece que a gente precipita. Calma. A gente tem trabalhado e orientado. Amanhã a gente vê o jogo novamente, prepara o treinamento. (Cléber Xavier)

— A questão da bola parada a gente tem trabalhado bastante. Analisando os adversários a gente decide quando usar. Até o processo ofensivo, das movimentações, tem muito do atleta e muito do trabalho. É o crescimento que a equipe precisa, faz parte da evolução. No sábado a gente faz o quarto jogo em 10 dias. É recuperar e treinar pouco. A evolução vai acontecer nessas movimentações. (Cléber Xavier)

Pedro ou Gabigol?

— A torcida deu apoio. Ela estava até um pouco impaciente pelo resultado. Temos que entender a reação da torcida. Às vezes tocava uma bola de lado e ela reclamava. Reclamava aqui atrás do banco. Mas não dá para perder a consciência, que vai sair de qualquer jeito e fazer o gol. Por isso que falo para os atletas terem maturidade. Vai dando crédito. Titularidade é a sequência de jogos que dá. São os momentos de cada um. Pedro tem sido o goleador.

— Gabi da mesma forma tem a possibilidade de como a gente utilizou, em algum momento estratégico, os dois desde o início. A gente usou os dois (contra o Audax). Se o Arrasca, aventamos a possibilidade hoje, ele poderia não ter continuidade, a gente estava monitorando. E tinha a possibilidade de jogar ele (Gabigol). São dois grandes atletas.

Gerson como articulador

— O Gerson não trabalha como segundo meio-campista. Trabalha como jogador de articulação dentro do bolsão na meia esquerda. Se o olhar o lance em que o Cebolinha faz cruzamento no final do primeiro tempo, ele é acionado na meia esquerda. Porque nossa fase ofensiva é de um primeiro meio-campista e ele avança para ser um articulador. No segundo, há um cruzamento da direita e ele ataca o canal central para fazer o gol, e o Luiz Henrique ganhou o cabeceio. Os dois exemplos mostram bastante o posicionamento do Gerson não como segundo meio-campista, mas como jogador com liberdade criativa.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme Xavier

É repórter na cobertura do Flamengo há três anos, com passagens por Lance e Coluna do Fla. Fã de Charlie Brown Jr e enxadrista. Viver pra ser melhor também é um jeito de levar a vida!
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