Antes de boa parte do mundo entrar em confinamento, cada país com seu grau de intensidade, Tite esteve em Paris e visitou a redação da revista France Football para uma entrevista exclusiva. Nesta semana, a edição apresentando a conversa com o técnico da seleção brasileira vai às bancas, e o veículo aproveitou para publicar alguns excertos de seu papo com o treinador. Seleção e Neymar, é claro, foram os temas principais, mas o técnico reservou algumas palavras interessantes e que indicam seus planos para Bruno Guimarães no time. Alguém que ele, Tite, vê como uma nova opção ao jogo do Brasil.
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Fazendo uma avaliação dos nomes disponíveis, Tite disse que existe uma carência de meias de distribuição no Brasil. Para ele, é difícil encontrar “um jogador como o Falcão de antigamente. Ou como o De Bruyne hoje”. Quem seria este jogador? Nas palavras do técnico, alguém “capaz de jogar às vezes mais baixo, para ajudar o Casemiro e fazer o jogo recomeçar melhor, e às vezes mais alto, para trazer mais ligação, criatividade, velocidade e percussão”.
Diante desta necessidade, o nome de Bruno Guimarães se destaca na boca do técnico. À época de sua entrevista, o meia brasileiro vivia suas primeiras semanas na França, impressionando companheiros de clube e a crítica especializada local. E, pelo visto, o próprio técnico da seleção brasileira.
“O Bruno Guimarães, que assinou com o Lyon e que foi o melhor jogador do Pré-Olímpico sub-23, possui um potencial enorme e pode ser este jogador. Penso também no Paquetá, do Milan.”
No começo do mês de março, Bruno Guimarães foi convocado pela primeira vez para a seleção principal. Naquele momento, Tite explicou em entrevista coletiva que o primeiro pilar de suas decisões era técnico, destacando que Guimarães “fez um grande campeonato ano passado pelo Athletico Paranaense”.
“Teve o acompanhamento na seleção sub-23 e no Lyon, isso vai consolidando, fortalecendo. O primeiro pilar é técnico, e esse nível dos atletas por vezes ficam muito próximos”, completou.
De volta ao papo com a France Football, Tite falou também sobre Neymar e disse que o camisa 10 “é essencial, mas não insubstituível” na Seleção. Comentou também como a presença do seu principal talento norteia suas decisões para a equipe: “A cada partida, me faço a mesma pergunta: ‘como tirar o melhor do time, construir e equilibrar a equipe em torno dele?'”.
O treinador afirmou que a melhor versão de Neymar, em sua opinião, foi a do Barcelona, onde o brasileiro jogava pela ponta esquerda, caindo para o meio. “Em outras palavras, partindo de um lado, onde trabalhava com os meias, e depois utilizando sua percepção do jogo, sua rapidez de reflexo e de execução, sua capacidade de improvisação e acrescentando a isso sua velocidade”, analisou.
“O melhor Neymar que vi jogar foi neste período. O nível de jogo que ele atingiu ali era excepcional, e só Messi e Cristiano Ronaldo estavam acima. Nunca vi Hazard, Griezmann ou Pogba jogarem neste nível. Mas o Neymar de que falo é aquele que estava em sua plenitude, mental e fisicamente.”
Sem a pandemia do novo coronavírus, a seleção brasileira estaria neste momento em meio a uma data Fifa, fazendo seus primeiros jogos nas eliminatórias da Copa do Mundo de 2022. No entanto, com todo o futebol com futuro indefinido a curto, médio ou longo prazos, Tite terá tempo para ensaiar em sua cabeça soluções que lhe permitam levar a equipe de volta ao melhor nível que demonstrou, antes da Copa de 2018.



