Supercopa Rei coroa força das torcidas de Botafogo e Flamengo em Belém
A Trivela acompanhou as festas das torcidas de Botafogo e Flamengo, conversou com torcedores e procurou entender este fenômeno carioca em Belém
Se existia alguma dúvida sobre Belém ser a sede ideal para a decisão da Supercopa Rei, essa questão deve ter sido resolvida nos últimos dias.
As torcidas de Botafogo e Flamengo da capital paraense e arredores mostraram como são numerosas e engajadas com os seus clubes. E, neste domingo (2), às 16h (horário de Brasília), certamente vão engrandecer ainda mais a final da Supercopa no Mangueirão.
Desde sexta-feira (31) em Belém, a reportagem da Trivela acompanhou as festas das duas torcidas, conversou com torcedores e procurou entender este fenômeno das torcidas do Botafogo e Flamengo em Belém.
E a explicação, na maioria das vezes, é a mesma: família. Assim como boa parte dos apaixonados por futebol ao redor do mundo, os torcedores de Belém também herdaram o amor pelos respectivos clubes, superando a distância entre o Pará e o Rio de Janeiro.
Alguns torcedores, como o botafoguense Luiz Carlos, já são de uma terceira geração de belenenses que torcem para clubes do Rio de Janeiro.
— Isso surgiu do meu avô. Do meu avô, do meu avô veio para o meu pai, do meu pai veio para mim e eu já passei para o meu filho. É uma relação maravilhosa, vem de geração para geração — disse Luiz Carlos, de 38 anos, à Trivela.
Luiz Carlos, assim como muitos torcedores do Botafogo, encarou uma grande fila para ter a oportunidade de tirar uma foto com a taça original da Copa Libertadores, conquistada em 2024.
— Para quem dizia que aqui em Belém não tinha torcedor botafoguense, amanhã (domingo) vai ser uma prova. Uma realidade que o Brasil inteiro vê. Não só aqui, mas no interior também. Muita gente está vindo do interior para fazer parte dessa grande festa que vai ser maravilhosa – comentou o torcedor do Botafogo.

Loucura na chegada do Flamengo é exemplo da paixão do torcedor
Quem também vive essa paixão graças à família é Ana Beatriz. Torcedora do Flamengo, ela chegou na frente do hotel em que o Flamengo está hospedado cerca de seis horas antes da delegação desembarcar. Mas valeu a pena. Ela viu de perto os seus ídolos, tirou fotos e pegou autógrafos.

A chegada do Flamengo ao hotel parou o trânsito da região. Com muitos torcedores presentes, uma importante rua foi fechada. E as cenas durante a descida dos jogadores do ônibus eram dignas de popstars.
— Foi do jeito que a torcida do Flamengo sabe fazer. Almocei, esperei um tempo, depois eu fiquei lá na frente para poder conseguir pegar a grade. Tudo que aconteceu foi maravilhoso — disse Ana Beatriz.
— Minha relação com o Flamengo é daquelas que passam de geração em geração. Meus pais são muito flamenguistas. Minha família, como um todo, é muito flamenguista, muito torcedor mesmo. E com a gente não tinha como ser diferente — completou a torcedora do Flamengo.

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E como começou a paixão dos pais dos torcedores?
Com tantas gerações envolvidas na mesma paixão, muitos torcedores nem sequer sabem como Botafogo e Flamengo chegaram nas respectivas famílias. Muitas famílias, que não tinham ligação direta com o Rio de Janeiro, acabaram influenciadas, é claro, pelo rádio e pela televisão — o que acontece até hoje.
Mas os ídolos também ajudaram a formar gerações de torcedores. Beatriz Villaça é filha de um casal botafoguense. E a mãe lembra perfeitamente como passou a torcer para o Botafogo: Garrincha.
— Meus pais sempre torceram pelo Botafogo. Desde pequena, como eu sou a filha mais velha, eles sempre passaram esse amor pelo futebol. Na verdade, eu digo que a minha mãe tem um pouco de culpa, porque ela é professora de educação física. Então, eu comecei a gostar de futebol dentro da barriga. Desde pequena, ele sempre me incentivou a assistir aos jogos, gostar de esportes. O amor cresceu, cresceu e até hoje permanece — disse Beatriz à Trivela.

Distância também pode aumentar a paixão do torcedor
Enquanto para alguns a distância poderia ser um problema, para outros é combustível para mostrar ainda mais o quanto se ama um clube. Ana Beatriz, que ficou horas na porta do hotel, tenta aproveitar cada momento que têm presencialmente com o Flamengo.
— Quando eles vêm para Belém, faço a festa mesmo. Fico na frente de hotel, tento ver do jeito que dá. A gente sabe que não é sempre que eles vêm para Belém, para o Norte. Sempre que o Flamengo vem, aproveito ao máximo que dá para poder encontrar, ir aos jogos. Sempre dou um jeito de encontrar – ressaltou a torcedora do Flamengo.
Mesmo com a informação de que o treino do Flamengo seria fechado, muitos torcedores fizeram questão de ir até o Baenão, estádio do Remo, para tentar ver os jogadores. Barrados na porta, eles apenas conseguiram os ver pela janela do ônibus.

Foi pensando nisso que o Botafogo decidiu trazer a taça original da Copa Libertadores para Belém. No último sábado, o troféu ficou exposto em um shopping da capital paraense e atraiu muitos torcedores ao local.
— Acho que é muito legal, muito importante ter isso. Nem sempre a gente consegue ir para o Rio, assistir aos jogos. É muito importante para ver que essa torcida está presente também. Acho que a gente viu muito nos jogos que tiveram fora e como a torcida tá presente e espalhada pelo Brasil. É uma oportunidade única – comemorou Beatriz Villaça.
O tamanho da fila de torcedores do Botafogo no Shopping Boulevard, aqui em Belém, para tirar foto com a taça da Copa Libertadores. @trivela pic.twitter.com/bk7W8bQt31
— Gabriel Rodrigues (@gabrielcsr) February 1, 2025
A taça da Supercopa Rei certamente vai deixar uma das duas torcidas ainda mais feliz neste domingo. Mas certamente tanto botafoguenses como flamenguistas já viveram dias inesquecíveis em Belém e mostraram a força dos dois clubes na região norte do país.



