Brasil

Mangueirão passou por reforma de R$ 500 milhões e ficou 1 mês fechado para receber Seleção

Seleção estreia nas Eliminatórias contra a Bolívia em um Mangueirão modernizado para entrar na rota de grandes eventos

Após longos 12 anos, a Seleção volta a Belém não apenas nos braços de um povo que sentia saudade de ver o Brasil de perto. Tanta coisa mudou em mais de uma década de distância, que o palco que receberá o duelo com a Bolívia, nesta sexta-feira (8), às 21h30 (horário de Brasília), pela estreia nas Eliminatória da Copa de 2026, se transformou em um estádio à altura das modernas arenas espalhadas nas principais praças esportivas do país.

O tão tradicional Mangueirão continua imponente. Molda o céu da capital paraense, como o faz desde a inauguração, em 1978. Mas hoje, ele tem não apenas uma cara nova, com instalações (bem) mais confortáveis, um gramado que parece um tapete e capacidade ampliada para mais de 50 mil torcedores. Tudo isso é fruto de uma reforma profunda que durou dois anos, custou mais de R$ 500 milhões de reais e deixou o Estádio Olímpico do Pará à altura de receber a Seleção.

O Governo do Pará pretende que o estádio entre na rota de grandes eventos. Não apenas de jogos da Seleção, mas também de uma possível final da Supercopa do Brasil. O presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, esteve com a delegação nos dois jogos e aprovou o que viu.

– É uma beleza (o Mangueirão) e temos que preservar e muito essa praça esportiva. Posso adiantar que mais jogos desse porte da Seleção Brasileira vão ser realizados aqui com certeza – disse o mandatário.

Obra custou quase 5 vezes mais do que o esperado

O Mangueirão fechou para a reforma em fevereiro de 2021, com uma obra orçada inicialmente em quase R$ 147 milhões. Mas ao longo dos dois anos de trabalhos para revitalizar o estádio, o valor quase triplicou, devido a aditivos e outros contratos para modernização em pontos específicos.

O jornal O Liberal, de Belém, fez um levantamento que apontou que o custo total da reforma superou os R$ 500 milhões, conforme dados do portal da transparência da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas do Estado (Sedop). Os valores foram “distribuídos” em diversos setores do estádio e do entorno.

O contrato inicial de ampliação e modernização, na faixa dos R$ 147 milhões, teve um acréscimo de R$ 80 milhões. Outros R$ 40 milhões foram usados em um contrato para reformar a parte interna e também para a compra de assentos. As obras no entorno do estádio custaram R$ 152 milhões, ao passo que a reforma da pista de atletismo, da cobertura metálica e outras instalações elétricas custou quase R$ 90 milhões.

A título de comparação, a obra de construção da Arena da Amazônia, em Manaus, para a Copa de 2014, custou R$ 669 milhões. O valor foi pago pelo governo do Amazonas.

Obra de reforma do Mangueirão foi concluída recentemente (Foto: Eduardo Deconto)

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O que mudou

A mudança mais perceptível está na capacidade do estádio. Subiu de 35 mil para pouco mais de 50 mil espectadores. Para esta sexta-feira, o Mangueirão estará lotado, com ingressos já esgotados para o duelo entre Brasil e Bolívia. Os assentos deram lugar a cadeiras reclináveis, mais confortáveis, e coloridas para formar a bandeira do Pará nas arquibancadas.

O acesso também mudou. O estádio ganhou duas novas rampas para chegar às arquibancadas. Além dos acessos tradicionais às arquibancadas A e B, as elevações legal ao setor das cadeiras, ampliado até a beira do gramado. O estacionamento também foi ampliado de 2,5 mil para 9 mil vagas.

Na parte interna, os torcedores têm acessos a mais bares e também a mais banheiros. A falta de sanitários era uma das reclamações mais recorrentes da estrutura antiga do Mangueirão.

O estádio também recebeu uma nova pista de atletismo, remodelada para se adequar às exigências do Comitê Olímpico Internacional (COI). O gramado também foi reformado e hoje atende aos padrões da FIFA.

O novo visual da arquibancada do Mangueirão (Foto: Eduardo Deconto)

Estádio fechou por um mês para receber a Seleção

Antes de receber a Seleção, o Mangueirão ficou um mês fechado, sem receber jogos ou outros eventos. Tudo para cuidar do gramado, principal ponto de atenção da CBF, da comissão técnica e dos jogadores. Além disso, estádio passou por melhorias e adequações ao padrão da Conmebol. Após o primeiro treino, Danilo aprovou as condições do gramado.

– O que espero é que o gramado seja bom. Não estou pedindo arenas super modernas. muito pelo contrário. Tendo gente pertinho, é muito mais legal. É só ter o gramado. O futebol de primeiro passe, dominar pensando no próximo passe. Todo o resto, é ter o calor humano é muito importante. A gente deve jogar muito mais vezes no Nordeste, onde for. Onde tem muita gente. Só que o gramado seja ótimo. E está muito bom – disse o lateral-direito.

O Mangueirão recebe a estreia de Fernando Diniz pela Seleção nesta sexta-feira (8), às 21h30 (horário de Brasília), contra a Bolívia, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. Depois, o Brasil parte para Lima, onde enfrenta o Peru na terça-feira (12).

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo DecontoSetorista

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.

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